
MESA 1 - Economia
LEDEANE LIMA DE OLIVEIRA
Eduardo von Dentz; José Mateus Estevam Teotônio da Silva
Leideane Lima de Oliveira é mestranda em Geografia pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde pesquisa a dinâmica geoeconômica da indústria automotiva chinesa e suas implicações territoriais no Ceará. É graduada em Geografia pela UFC e desenvolve estudos nas áreas de geografia econômica, política industrial, transição energética e relações China–Brasil.
Bio
Este trabalho investiga a materialização da política industrial e geoeconômica da China contemporânea no território brasileiro, tomando como objeto de pesquisa a instalação de um complexo industrial automotivo voltado à cadeia de veículos elétricos (VEs) no município de Horizonte-CE. A relevância do tema reside na compreensão de como a transição da China para uma "Nova Era" e o paradigma da "Civilização Ecológica" reconfiguram as Redes Globais de Produção (GPN) e as relações de poder no Sul Global. Através do 14º Plano Quinquenal (2021-2025) e do plano Made in China 2025, o Estado chinês operou uma mudança qualitativa, movendo-se da produção em massa para o desenvolvimento de alta qualidade e soberania tecnológica em setores como semicondutores e baterias. O objetivo geral é analisar como a "Nova Economia do Projetamento", reside em um estágio superior de planificação em que o Estado atua como "Empreendedor-em-Chefe" que induz o processo de internacionalização das montadoras chinesas (OEMs) e reorganiza o espaço urbano-regional de Horizonte-CE, integrando-o à lógica da transição energética global. A metodologia fundamenta-se em uma abordagem qualitativo-analítica, baseada em pesquisa documental de Planos Quinquenais, relatórios técnicos internacionais (IEA Global EV Outlook) e no referencial teórico da geografia econômica e produção do espaço (Santos, Harvey, Rangel). A análise demonstra que a escolha de Horizonte-CE não é aleatória, mas um "ajuste espacial" (spatial fix) para contornar barreiras tarifárias e consolidar o Brasil como hub regional. A política industrial chinesa influencia esse território ao transformá-lo no que Milton Santos define como meio técnico-científico-informacional, exigindo novas densidades de infraestrutura elétrica e qualificação do mercado de trabalho. O diálogo entre escalas revela que decisões tomadas em Pequim para mitigar entraves ambientais internos e alcançar a neutralidade de carbono até 2060 materializam-se em Horizonte através de fluxos de componentes de alta complexidade, como baterias de Lítio-Ferro-Fosfato (LFP), nas quais a China detém monopólio de fato. Conclui-se que o caso de Horizonte-CE exemplifica o reordenamento das relações geoeconômicas, em que a transição energética serve como vetor de uma multipolaridade nascente. O território deixa de ser apenas receptor de capital e passa a ser um nó estratégico em uma economia nucleada pelo "projeto" e pela utilidade social, desafiando a tradicional divisão internacional do trabalho e consolidando a influência chinesa na América Latina via Iniciativa Cinturão e Rota (BRI).
A Geoeconomia da Mobilidade Elétrica Chinesa: A Nova Economia do Projetamento e o Ajuste Espacial no Município de Horizonte-CE
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MESA 1 - Economia
Michelle R. Sanchez-Badin
Professora associada vinculada ao programa de pós-graduação acadêmico em Direito e Desenvolvimento e Coordenadora do Núcleo de Direito Global e Desenvolvimento na FGV Direito SP.
Bio
The paper examines the normative architecture underlying Brazil–China cooperation in the electric vehicle (EV) supply chain, contributing to emerging debates on the domestic drivers of international economic commitments and the governance of ecological transition within International Economic Law (IEL). Brazil is recognized as a strategic emerging market for EVs; China is the dominant force in EV manufacturing and critical mineral processing. Their bilateral relationship — structured through the Sino-Brazilian High-Level Commission (COSBAN), a growing body of bilateral agreements, and aligned industrial and ecological transformation strategies — constitutes a key node of contemporary South–South cooperation and a privileged site for examining how green industrial policy intersects with transnational regulatory coordination. The paper argues that classical IEL frameworks, centered on treaty-making and multilateral liberal governance, are insufficient to capture partnerships built on state-led development models, cross-ministerial coordination, and hybrid normative instruments. Drawing on Sanchez-Badin and Morosini's concept of "IEL by other means," it proposes legal infrastructure analysis as a more adequate lens — one attentive to formal and informal, institutional and non-institutional arrangements. It further applies the hypothesis that China has functioned as a gravitational legal system, exerting centripetal influence on Brazilian regulatory choices in the EV sector (Erie, 2021; Shaffer & Gao, 2020; Gao, 2011). Two central questions organize the analysis: (1) Has China's legal and policy model operated as a gravitational force on EV supply chain development in Brazil — and through which legal infrastructures, formal and informal? (2) What do the normative dynamics of South–South cooperation in green industrial transformation reveal about the limits and future directions of IEL? Methodologically, the paper employs content and network analysis using Atlas.ti© applied to bilateral agreements, COSBAN minutes, and selected Chinese domestic policies, complemented by systematic literature review. Although the paper primarily offers a descriptive and analytical account of bilateral EV governance, it also contributes to normative debates by foregrounding asymmetric power relations within South–South cooperation—a dimension that remains undertheorized in mainstream International Economic Law (IEL) scholarship. In doing so, it may help theorize alternative trajectories of international economic law that have gained renewed prominence in the current context of geoeconomic turbulence.
From National Policy to Global Commitments: Rethinking International Economic Law Through the Brazil–China EV Nexus
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MESA 1 - Economia
Joanna Pereira Escolar
Joanna Pereira Escolar é doutoranda em Relações Internacionais pelo IRI-USP, onde pesquisa a governança chinesa de terras raras à luz da Ecologia Política, investigando o paradoxo extrativista da transição verde e suas implicações para o Brasil.
Bio
The environmental implications of the green transition are commonly assessed through the emissions it avoids, while the environmental costs embedded in extracting the materials that enable it receive far less attention. This research conceptualizes this tension as the extractive paradox of the green transition: the persistence of environmentally destructive extraction as a condition for pursuing environmental objectives. Rare earth elements offer a particularly revealing lens for this paradox, as they are indispensable to a wide range of low-carbon technologies, while their extraction and processing have historically caused significant environmental and social harm. China offers an especially significant setting for this investigation. Its rapid expansion of rare earth production since the 1980s, and consolidation as the world's leading producer and processor, has supplied essential inputs for renewable energy, electric vehicles, and advanced electronics — while generating extensive evidence of environmental degradation, pollution, and governance challenges. This trajectory offers an opportunity to examine how the material foundations of the green transition complicate dominant narratives of environmental sustainability. The central research question is: how does the extractive paradox of the green transition manifest in China's experience with rare earth production, and what insights does this offer countries considering expanding production, such as Brazil? The project is a qualitative single-case study centered on China; Brazil is not a comparative case, but a policy-relevant context in which these implications are discussed, particularly as the country seeks to position itself as a strategic supplier of critical minerals. The project draws primarily on Political Ecology to examine how extractive practices persist despite their incorporation into environmentally framed projects, in dialogue with scholarship on sustainability transitions, extractivism, and environmental justice. Methodologically, the research adopts a qualitative, historically oriented case study of China's rare earth sector, combining analysis of legislation, regulatory instruments, industrial policies, development plans, and official reports with studies documenting environmental impacts across different stages of the sector's development, to identify how environmental problems have been defined, regulated, and weighed against industrial and strategic objectives. Production and trade data provide historical and economic context. By conceptualizing the extractive paradox and tracing it through China's rare earth sector, this research redirects attention from the environmental benefits of clean technologies toward the costs embedded in their material foundations, informing how Brazil evaluates the opportunities, risks, and regulatory choices of developing its own sector.
The Extractive Paradox of the Green Transition: China's Rare Earth Production and Its Implications for Brazil
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MESA 1 - Economia
Larissa Nuvens Guimarães
Possui graduação em História pela Universidade Federal do Espírito Santo(2025). Tem experiência na área de Ciência Política, com ênfase em Comportamento Político. Atuando principalmente nos seguintes temas: História Econômica, Nova Rota da Seda, BRICS e Governança Global.
Bio
O presente artigo analisa a atuação das empresas estatais chinesas no Brasil, buscando compreender sua relevância nos contextos dos investimentos diretos chineses no país. Os objetivos do trabalho compreendem, inicialmente, uma discussão teórica acerca da conceituação e do desenvolvimento histórico das empresas estatais, destacando seu papel como instrumentos de promoção e desenvolvimento econômico e de gestão de setores estratégicos. Em seguida, examina-se a configuração das empresas estatais na China e sua importância para o modelo de desenvolvimento da economia chinesa. Por fim, investiga-se a presença dessas empresas no Brasil, identificando os principais setores de atuação, as companhias mais relevantes e a participação das estatais no conjunto dos investimentos estrangeiros diretos chineses realizados no país. O estudo fundamenta-se, metodologicamente, em revisão bibliográfica e análise documental, utilizando relatórios e dados produzidos por instituições especializadas com destaque para o Conselho Empresarial Brasil China (CEBC). Para a investigação dos objetivos do trabalho foi estabelecido o recorte temporal de 20 anos, 2005 a 2025. Uma vez que é percebido um predomínio de instalações de empresas estatais chinesas no Brasil ao longo desse recorte. Os resultados dessas investigações indicam que as empresas estatais chinesas desempenham papel central na inserção econômica da China no Brasil, sobretudo em setores estratégicos como energia, infraestrutura e logística, evidenciando a estreita relação entre os objetivos de desenvolvimento nacional da China e a internacionalização de suas empresas estatais. Sendo assim, além dessa pesquisa se inserir na área de estudos, propõe uma discussão sobre a atuação das gigantes chinesas em território brasileiro.
A Expansão das Empresas Estatais Chinesas no Brasil: Uma Análise dos Reflexos na Inserção Econômica.
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MESA 2 - Geopolitica
Rúbia Marcussi Pontes
Doutoranda e Mestra (2020) em Ciência Política pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Política do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (PPGCP-IFCH) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Pesquisa a grande estratégia dos Estados Unidos e a China.
Bio
Uma parcela significativa da literatura sobre as relações e a competição sino-americanas aponta a crise econômica de 2008 e o governo de Barack Obama (2009-2017) como marcos decisivos para mudanças profundas e início de uma estratégia mais explícita de contenção da República Popular da China (RPC) pelos Estados Unidos (EUA). Aqui, o argumento é que essa reorientação se iniciou antes, ainda silenciosamente, sob George W. Bush (2001-2008), que acompanhou, com preocupação, o crescimento econômico e a modernização militar e tecnológica chinesa. Assim, o objetivo central do trabalho é analisar como os governos Bush e Obama foram fundamentais para posicionar a China no centro da grande estratégia dos EUA e para estabelecer as bases do consenso bipartidário, sustentado por Donald Trump (2017-2020) e Joe Biden (2021-2024), com base na percepção de que a continuidade da liderança global do país dependeria de sua capacidade de preservar a superioridade tecnológica, produtiva e militar diante da expansão das capacidades chinesas. Para tanto, o trabalho tem três objetivos específicos. Primeiro, contextualizar a mudança dos anos 1990 para os anos 2000 e o entendimento, nos EUA, da China como crescente adversária geopolítica, a entrada da China na Organização Mundial do Comércio (OMC) e seu crescimento econômico e comercial, argumentando que Bush não esteve distraído na Guerra Global contra o Terror, quando conquistou posições e fortaleceu alianças no Oriente Médio para evitar que potências regionais e extrarregionais fortalecessem suas posições e tivessem acesso a recursos como petróleo. Em segundo lugar, o trabalho analisará como, após a crise de 2008 e a rápida recuperação chinesa, o governo Obama anunciou publicamente o reposicionamento dos EUA na Ásia-Pacífico, oficializando o pivô para a Ásia, aprofundando alianças regionais e articulando iniciativas econômicas, com destaque para a Parceria Transpacífica (TPP), que excluiu a China. Por fim, o trabalho analisará como a China consolidou, na segunda metade dos anos 2010 em diante, diversas alianças estratégicas e iniciativas, como a Iniciativa Cinturão e Rota e Made in China 2025, que agravaram as preocupações dos EUA e influenciaram em medidas mais duras nos governos subsequentes à Obama, solidificando o consenso bipartidário em torno da contenção daquele país. Para tanto, o trabalho se baseará no arcabouço teórico-conceitual de autores da Economia Política Internacional (EPI) e analisará as Estratégias de Segurança Nacional dos EUA e uma seleção de relatórios sobre China publicados em Bush e Obama (Reports to the Congress on China’s WTO Compliance e Annual Reports to Congress of the U.S.-China Economic and Security Review Commission), bem como os Planos Quinquenais chineses do período e indicadores econômicos selecionados em bases de dados (Institute Atlas of Economic Complexity e World Development Indicators). O trabalho reflete a importância de se pensar, a partir de uma potência média, o Brasil, a competição sino-americana e o reposicionamento das forças de potências consolidadas e emergentes no século XXI.
As origens silenciosas da estratégia de contenção da China pelos Estados Unidos: os governos Bush e Obama (2001-2017)
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MESA 2 - Geopolitica
João Henrique Cervantes Falleiros Martins
Murilo Seri Fagundes; Clara Dêgelo Oliveira
Co-autores: Murilo S. Fagundes e Clara Dêgelo Oliveira
Bio
A rivalidade sino-americana configura-se como o principal eixo estruturante da Geopolítica contemporânea. Enquanto grande parte da literatura ocidental analisa esse fenômeno a partir da perspectiva da contenção americana, este trabalho propõe uma inversão analítica: examinar como a China constrói ativamente sua própria narrativa de Segurança Internacional e de que modo essa construção discursiva expressa um projeto geopolítico voltado à reconfiguração da ordem mundial. O argumento central é que a República Popular da China não ocupa uma posição meramente reativa frente à pressão dos Estados Unidos. Pelo contrário, Pequim articula, por meio de documentos oficiais e iniciativas multilaterais, uma visão de ordem internacional alternativa à hegemonia liberal ocidental. Nesse sentido, destacam-se a Iniciativa Global de Segurança (IGS), lançada em 2022, e a atuação chinesa na Organização de Cooperação de Xangai (SCO), ambas expressões de um projeto que reivindica a multipolaridade como princípio organizador das relações internacionais. A análise mobiliza o debate teórico sobre transição de poder e ordem internacional, dialogando com autores como John Mearsheimer e G. John Ikenberry, para situar a estratégia chinesa no contexto mais amplo das disputas pela liderança sistêmica. A metodologia combina análise de discurso de documentos oficiais chineses com revisão bibliográfica especializada em Política Externa e Segurança Internacional. Ao colocar a China como protagonista analítico — e não como mero objeto de política americana —, o trabalho busca contribuir para uma compreensão mais matizada da reconfiguração da ordem de segurança global, com implicações diretas para países do Sul Global, incluindo o Brasil.
A China Diante da Contenção Americana: Narrativas de Segurança e a Disputa pela Ordem Internacional Multipolar
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MESA 2 - Geopolitica
Vitor dos Santos Bueno
Josué Kuhn Völz
Formado em Administração de Empresas pela Universidade de São Paulo, com intercâmbio com foco em Negócios Internacionais na Universidad EAFIT em Medellín na Colômbia. Especialista em Métodos e Técnicas de Investigação Social pela Faculdade Latino Americana de Ciências Sociais. Mestre pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana com pesquisa em Capitalismo Digital e doutorando em Relações Internacionais na Universidade de Brasília.
Bio
A reorganização contemporânea das Cadeias Globais de Valor (CGV) reposiciona o Sudeste Asiático como uma das principais regiões de atração de investimentos industriais. Embora esse movimento seja frequentemente associado à ascensão da China, ainda são limitados os estudos que analisam como os Estados da Associação das Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) utilizam políticas industriais para transformar essa reconfiguração produtiva em oportunidades de desenvolvimento. Neste contexto, o artigo argumenta que a estratégia China+1 vai além de uma estratégia empresarial de diversificação, é parte de uma dinâmica de competição pela captura de posições estratégicas nas CGV. O estudo se insere no debate contemporâneo sobre o retorno da política industrial, caracterizado pela crescente utilização de instrumentos estatais associados à segurança econômica e resiliência das cadeias produtivas (OCDE, 2016; Koopman e Huang, 2025; Evenett et al., 2025). Esse movimento é analisado em articulação à estratégia chinesa de desenvolvimento baseada na coordenação estatal e inserção seletiva na economia mundial (Barbosa, 2021; Pomar, 2021). Assim, uma globalização com características chinesas amplia a influência de Pequim sobre os padrões de integração produtiva asiática, articulando dimensões econômicas e geopolíticas (Vadell; Jabbour, 2024). Paralelamente, a defesa de interesses estratégicos da China em seu entorno evidencia a crescente conexão entre desenvolvimento, segurança e projeção internacional (Burger, 2024). Nesse processo, a ASEAN e, mais especificamente a ASEAN Plus Three, consolidaram-se como espaços centrais de integração produtiva regional, fortalecendo redes transnacionais de produção que articulam os países do Sudeste Asiático (ADB, 2024; ASEAN, 2025). A estratégia China+1 emerge, então, como uma resposta das Empresas Transnacionais à um ambiente dinâmico. Referindo-se à manutenção da China como centro relevante das operações industriais, enquanto há diversificação de determinadas etapas produtivas para outros países. Porquanto se busca, reduzir riscos associados à concentração geográfica, custos crescentes e incertezas geopolíticas (Baldwin, 2016; Gereffi, 2018; Baldwin; Freeman, 2022). Assim, a China+1 não representa necessariamente um decoupling da China, mas uma reorganização da produção na qual países disputam novas funções dentro das CGV. Diante desse cenário, o artigo busca compreender como a estratégia China+1 influencia a formulação das políticas industriais dos países da ASEAN. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa comparativa, combinando análise documental e indicadores econômicos organizados em três dimensões: (i) Reorganização geoeconômica: focando em dados de Investimento Estrangeiro Direto (IED) da UNCTAD, ASEANStats e ASEAN Investment Report; (ii) Políticas industriais: examinadas a partir de planos nacionais de desenvolvimento, estratégias industriais e documentos governamentais; e (iii) Reposicionamento produtivo: utilizando UN Comtrade, OECD TiVA e Atlas of Economic Complexity. As evidências preliminares indicam que os efeitos da China+1 variam conforme as capacidades estatais e os instrumentos de política industrial mobilizados pelos países da ASEAN. Alguns casos são emblemáticos, quando estratégias voltadas à agregação de valor e desenvolvimento de determinados setores podem ampliar a captura de benefícios da reorganização produtiva regional. O artigo argumenta, portanto, que a China+1 constitui uma nova arena de competição geoeconômica, na qual políticas industriais se tornam instrumentos centrais de reposicionamento dos Estados que compõem a ASEAN.
Política Industrial e Desenvolvimento no Sudeste Asiático para além da República Popular da China
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MESA 3 - Relações Internacionais
Tales Henrique Nascimento Simões
Professor Ajdunto de Geografia Política no Departamento de Geociências da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF). Doutor em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (PPGH/USP) e Mestre em Geografia Humana pela mesma instituição. Possui licenciatura em Geografia pela Universidade de Brasília (UnB). Realizou pesquisa doutoral na Universidade Thammasat (Bangkok, Tailândia) em 2022. É membro pesquisador do Laboratório de Geografia Política da Universidade de São Paulo (GEOPO - FFLCH/USP) e integrante do Grupo de Estudos sobre Ásia do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (NUPRI-USP). Membro da Rede Brasileira de Geografia Política, Geopolítica e Gestão do Território - REBRAGEO.
Bio
A ascensão da China como potência global tem sido acompanhada pela expansão de mecanismos de integração econômica, logística e territorial materializados na Nova Rota da Seda, lançada em 2013. No Sudeste Asiático, um dos casos mais emblemáticos dessa estratégia é o Laos, país historicamente periférico, sem acesso ao mar e situado entre China, Tailândia, Vietnã, Camboja e Mianmar. Este trabalho analisa como o território laociano passou a ocupar posição estratégica na política externa chinesa, convertendo-se em um corredor geoeconômico destinado a ampliar a influência de Pequim sobre a Península da Indochina e fortalecer sua inserção regional. Partindo das contribuições da Geografia Política e da Geopolítica contemporânea, argumenta-se que a infraestrutura deve ser compreendida não apenas como instrumento de desenvolvimento econômico, mas também como tecnologia de poder capaz de reorganizar fluxos, produzir novas regionalidades e redefinir relações de dependência e autonomia entre Estados. Nesse contexto, o principal objeto de análise será a Ferrovia China-Laos, inaugurada em 2021, que conecta Kunming, na província chinesa de Yunnan, à capital Vientiane, constituindo um dos principais empreendimentos da Nova Rota da Seda no Sudeste Asiático. Entendemos que a ferrovia representa a materialização de uma estratégia voltada à integração física da região, à redução dos custos logísticos, ao fortalecimento das cadeias de circulação e à expansão da presença econômica e política chinesa sobre o continente. Metodologicamente, a pesquisa baseia-se em revisão bibliográfica, análise documental e interpretação de indicadores relativos aos investimentos chineses e às transformações da conectividade regional. A investigação dialoga com estudos que compreendem a infraestrutura como elemento constitutivo da geoeconomia contemporânea e da recomposição territorial promovida pela BRI, enfatizando que a produção de corredores logísticos modifica não apenas os circuitos econômicos, mas também as escalas de governança e os equilíbrios geopolíticos regionais. Espera-se demonstrar que o Laos ocupa posição muito além da condição de beneficiário de investimentos externos. Ao transformar um Estado sem litoral em elo fundamental da conexão ferroviária entre o sudoeste da China e o restante da Península da Indochina, a China fortalece sua capacidade de projeção de poder, amplia sua influência sobre a ASEAN continental e consolida uma estratégia de integração territorial que combina infraestrutura, logística e geoeconomia como dimensões complementares de sua política externa. Nesse sentido, argumenta-se que a Ferrovia China–Laos constitui não apenas um corredor de circulação de mercadorias e pessoas, mas um instrumento de reconfiguração espacial que reforça a centralidade chinesa na organização dos fluxos regionais, evidenciando como a conectividade física se converte em um recurso estratégico para a produção de novas regionalidades e para o fortalecimento da influência da China no Sudeste Asiático.
O Laos na estratégia geopolítica da China para o Sudeste Asiático: infraestrutura, conectividade e projeção de poder na Nova Rota da Seda
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MESA 3 - Relações Internacionais
AMANDA RIBEIRO LOPES
Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGRI/UERJ). Mestre e bacharela em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Bolsista CAPES - DS. Pesquisa na área de Análise de Política Externa, com ênfase em Política Externa da China, Filosofia Política chinesa e BRICS. E-mail: amanda.lopes@acad.ufsm.br
Bio
Este trabalho analisa a evolução da racionalidade estratégica do Partido-Estado chinês no contexto das transformações do sistema internacional contemporâneo. Argumenta-se que os Planos Quinquenais (PQs) não representam meros documentos burocráticos de meta econômica, mas constituem evidência empírica da reinterpretação estratégica do desenvolvimento da China. Dessa maneira, o objeto empírico é a trajetória da transição entre o 13º (2016-2020), o 14º (2021-2025) e as novas diretrizes do 15º Plano Quinquenal (2026-2030), e questiona-se: como a China reinterpretou os imperativos do desenvolvimento nacional diante das pressões do ambiente internacional e como essa reinterpretação foi institucionalizada no arranjo burocrático do 15º PQ? A pesquisa sustenta a hipótese de que os constrangimentos externos alteraram os meios lidos como legítimos e eficazes para viabilizar o crescimento, mas sem a alteração dos fins teleológicos de longo prazo, estes que são associados ao rejuvenescimento nacional e à modernização ao estilo chinês – configurando um padrão de “mudança na continuidade”, nos termos de Qin Yaqing. Metodologicamente, o trabalho articula a abordagem do Text-as-Data com o Process Tracing, a fim de extrair e mapear as Observações do Processo Causal (CPOs) no corpus oficial. Testa-se o seguinte mecanismo causal: gatilho sistêmico → reorientação cognitiva e estratégica → mudança conceitual → institucionalização burocrática → normatização no 15º PQ. Assim, a investigação busca identificar CPOs associadas à emergência de formulações como Dual Circulation, Overall National Security e New Quality Productive Forces codificam a fusão entre desenvolvimento e segurança estatal. A investigação contribui para os estudos sobre a China no Brasil ao propor uma leitura dos Planos Quinquenais como mecanismos institucionais de adaptação estratégica, aproximando a teoria relacional chinesa, a Análise de Política Externa e o planejamento estatal contemporâneo.
Mudança na Continuidade: A Reconfiguração da Racionalidade Estratégica Chinesa no 15º Plano Quinquenal (2026-2030)
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MESA 3 - Relações Internacionais
Victor Tavares Barbosa
Bacharel em Relações Internacionais (FADIC), mestre em Ciência Política e doutorando no Programa de Pós-graduação em Ciência Política (PPGCP) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), pesquisador associado a Coordenadoria de Estudos da Ásia CEA-UFPE. Foi bolsista da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES). Atualmente é professor de Relações Internacionais.
Bio
A pesquisa analisa a distribuição da ajuda externa chinesa aos países africanos entre 2000 e 2021, buscando compreender tanto sua configuração quanto os fatores associados à sua alocação. O estudo investiga, de um lado, as diferenças entre os montantes destinados aos países receptores e a distribuição setorial dos projetos financiados; de outro, examina em que medida fatores econômicos e políticos influenciam as decisões de alocação da ajuda chinesa. A pesquisa utiliza dados do Global Chinese Development Finance Dataset (AidData). Metodologicamente, combina análise descritiva dos fluxos de financiamento, estudos de caso com aplicação de testes de correlação e modelos de regressão para dados em painel. As análises distinguem diferentes modalidades de financiamento chinês, especialmente os fluxos classificados como ODA-like e OOF-like, permitindo identificar se os determinantes da alocação variam conforme o tipo de ajuda concedidas. Os resultados indicam que os fatores econômicos e comerciais exercem influência mais consistente sobre a distribuição da ajuda do que variáveis tradicionalmente associadas à capacidade de pagamento dos países receptores. Em particular, as exportações africanas para a China, sobretudo de recursos minerais, apresentam associação positiva com os montantes recebidos, enquanto as importações provenientes da China não demonstram relação sistemática com a alocação dos recursos. Da mesma forma, variáveis como endividamento e estabilidade política não se mostraram determinantes para explicar o volume da ajuda. O alinhamento político com Pequim mostrou relevância apenas para modalidades específicas da ajuda, especialmente os fluxos ODA-like e as doações, que representam parcela minoritária do financiamento chinês destinado ao continente africano. A pesquisa contribui para os estudos sobre a China ao oferecer uma avaliação empírica dos determinantes da ajuda externa chinesa na África a partir de uma base abrangente de projetos e da distinção entre diferentes modalidades de financiamento, aspecto ainda pouco explorado na literatura nacional. Ao articular métodos quantitativos e a literatura sobre as relações sino-africanas, o trabalho busca ampliar a compreensão sobre os padrões de atuação internacional da China e seus instrumentos de cooperação para o desenvolvimento, tema que tem adquirido crescente relevância nos estudos sobre a inserção internacional chinesa desenvolvidos no Brasil.
A forma como a China distribui ajuda externa para a África: dimensões, tendências e recortes
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MESA 4 - Estudos Ambientais; Planejamento Territoriais e Urbanos
Fernanda Menegari Querido
Carolina Maria Pozzi de Castro; Dra. Carolina Maria Pozzi de Castro
Fernanda Menegari Querido é doutoranda em Engenharia Urbana (UFSCar) e mestre em Planejamento e Gestão do Território (UFABC), com pesquisa sobre transformações no mercado imobiliário chinês e estratégias de regulação estatal. Integra o GECHINA UnB e o INCT Produção da Casa e da Cidade, e é Coordenadora Geral do Instituto Território em Rede (ITR). Orientada pela Profa. Dra. Carolina Maria Pozzi de Castro, docente do PPGEU/UFSCar, especialista em política habitacional, desenvolvimento urbano e produção do espaço.
Bio
O setor habitacional chinês passou por profundas transformações desde as reformas econômicas de 1978, caracterizadas por crises imobiliárias, planejamento estatal e pela coexistência entre mecanismos de mercado e estruturas de governança pública. Diante desse contexto, o estudo busca compreender como ocorreram as transformações no sistema de provisão habitacional na China urbana a partir das reformas econômicas, quais são as características das relações entre o mercado imobiliário e a provisão de moradia, e quais paradoxos marcam as fronteiras entre o Estado chinês por meio de atores governamentais nacionais e locais e as dinâmicas imobiliárias. Inspirado na abordagem de Michael Ball (1986) sobre as estruturas sociais de provisão do ambiente construído, o trabalho propõe elaborar um panorama das formas de organização e dos agentes estatais que atuam na oferta de moradia, identificando suas transformações e implicações sociais e econômicas. Grande parte da literatura sobre habitação e mercado imobiliário, centrada em experiências do Norte Global, não contempla as especificidades políticas e estruturais de países emergentes. No caso chinês, predominam avaliações macroeconômicas que pouco exploram os limites e contradições nas relações entre Estado, mercado e políticas habitacionais. Embora a China tenha se tornado um dos maiores mercados imobiliários do mundo, suas formas de governança e a presença ativa do Estado configuram um modelo singular, ainda pouco abordado na literatura internacional. Esta pesquisa dialoga com os esforços recentes no Brasil de ampliar o conhecimento sobre a China contemporânea, especialmente no campo dos estudos urbanos e de políticas públicas, contribuindo para uma compreensão menos eurocêntrica dos modelos de fornecimento de habitação. Pretende-se, portanto, contribuir com o debate sobre políticas habitacionais em países emergentes, oferecendo uma análise histórica e institucional das dinâmicas de provisão de moradia em seus diferentes níveis governamentais. A pesquisa adotará uma abordagem qualitativa e exploratória, com ênfase na estrutura de provisão habitacional, combinando revisão crítica da literatura e análise documental de dados secundários provenientes dos artigos e literatura especializada.
O papel do Estado na estruturação do sistema de provisão habitacional em áreas urbanas da China pós-reformas de 1978 e as dinâmicas imobiliárias
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MESA 4 - Estudos Ambientais; Planejamento Territoriais e Urbanos
danielle mendes thame denny
Pesquisadora no CCarbon/USP, RCGI/USP, Think Tank ABES, NETI/USP pós-doutora pela ESALQ/USP. Atua em governança ambiental, soluções baseadas na natureza e finanças verdes para agropecuária de baixo carbono.
Bio
A carbonicultura compreende práticas de manejo agrícola capazes de reduzir emissões de gases de efeito estufa, aumentar o carbono orgânico do solo e gerar benefícios associados à produtividade, à biodiversidade e à resiliência climática. Este trabalho compara os marcos regulatórios e os instrumentos de política pública utilizados pelo Brasil e pela China para fomentar essas práticas, buscando identificar convergências, diferenças institucionais e possibilidades de aprendizagem recíproca. A pesquisa adota método jurídico-comparativo, com análise documental de legislação, políticas climáticas, programas agrícolas e mecanismos de mercado vigentes nos dois países. No Brasil, a Lei nº 15.042/2024 excluiu a produção agropecuária primária das obrigações do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões, mas permitiu que reduções e remoções verificadas possam, mediante metodologia credenciada e registro, originar ativos utilizáveis no sistema. Esse desenho convive com políticas de agricultura de baixa emissão, recuperação de pastagens, proteção da vegetação nativa, pagamento por serviços ambientais e crédito rural, formando um arranjo potencialmente favorável à carbonicultura, porém fragmentado e ainda dependente de regulamentação sobre mensuração, adicionalidade, permanência, titularidade e repartição de benefícios. Na China, a carbonicultura insere-se em uma estrutura mais centralizada de planejamento climático e segurança alimentar. O Ecological and Environmental Code, a Lei de Proteção do Solo Negro e os programas de cultivo conservacionista articulam deveres públicos, monitoramento territorial, investimento estatal, difusão tecnológica e responsabilidades dos produtores. O mercado voluntário nacional de reduções certificadas foi reativado em 2024 e passou a incorporar metodologias relacionadas a sumidouros ecossistêmicos, metano e resíduos agrícolas. Entretanto, a geração de créditos especificamente baseada no carbono dos solos agrícolas permanece condicionada ao amadurecimento científico e metodológico. A comparação indica que o Brasil privilegia instrumentos econômicos e uma governança policêntrica, enquanto a China combina comando estatal, metas territoriais e financiamento público. Ambos enfrentam desafios de mensuração, custo de verificação, heterogeneidade dos solos, permanência e inclusão de pequenos produtores. Conclui-se que a carbonicultura deve ser regulada não apenas como fonte de créditos, mas como política integrada de saúde do solo, segurança alimentar, mitigação climática e desenvolvimento rural.
Governança do carbono no solo: segurança alimentar e mercado de carbono comparativo Brasil e China
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MESA 4 - Estudos Ambientais; Planejamento Territoriais e Urbanos
Gabriel de Araujo Silva
Mestrando em Antropologia Social
Bio
Esta comunicação apresenta os resultados preliminares do meu estágio de pesquisa no exterior financiado pela FAPESP, onde realizo um diálogo entre minha produção etnográfica da agricultura do quilombo Pedra Negra da Extrema (BA) e o debate antropológico sobre Sistemas Agrícolas Tradicionais no Brasil com a abordagem internacional em filosofia comparada e fabulação crítica. O estágio na China foi escolhido tanto para aprofundar a abordagem teórica quanto por possuir o maior número de SATs patrimonializados pela FAO/ONU, com 25 locais reconhecidos, além de ter 188 locais designados como China-Nationally Important Agricultural Heritage Systems (China-NIAHS), constituindo o mais robusto conjunto de políticas públicas para SATs do mundo. Irei comparar como diferentes autores contribuem para entender a encruzilhada técnica entre o “moderno” e o “tradicional”, característica comum ao meu campo etnográfico quilombola no Brasil e ao debate chinês, explorando os pressupostos filosóficos de diferentes tipos de agricultura. Nesse sentido, o estágio no exterior terá supervisão da professora Shuchen Xiang, em benefício da abordagem filosófica comparativa no cruzamento de fontes filosóficas, antropológicas e literárias. O principal resultado do estágio é o fortalecimento dos dois últimos capítulos da dissertação, um com um relato de experiência, compartilhamento de aprendizagem e sistematização da pesquisa bibliográfica exploratória sobre agricultura tradicional chinesa comparando com meu campo quilombola, e o capítulo final com uma reflexão transcultural sobre a agricultura estruturada em quatro eixos temáticos: a análise de utopias escritas em interlocução com a fundação da ciência moderna (Francis Bacon e Margaret Cavendish); a narrativa do bom selvagem (John Locke e Severino Ngoenha); a biointeração afrofuturista (Octavia Butler e Bispo dos Santos); e a distopia cosmológica imbricada ao cosmopolitismo chinês (Cixin Liu e Shuchen Xiang), traçando, assim, os horizontes do debate sobre transição ecológica e patrimonialização global de sistemas agrícolas no atual contexto de emergência climática.
Do cosmopolitismo chinês às políticas globais de patrimonialização agrícola: perspectivas para pensar o futuro da agricultura.
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MESA 4 - Estudos Ambientais; Planejamento Territoriais e Urbanos
Higor de Freitas
Doutorando em Ciências Econômicas, na área de Teoria Econômica pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Mestre em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Especialista em Inovações no Ensino de Matemática e Licenciado em Matemática pelo Centro Universitário de Maringá (UniCesumar). Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Técnico em Administração pelo Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza (CEETEPS). Membro do Centro de Estudos de Relações Econômicas Internacionais (CERI/UNICAMP). Atualmente tem interesse em pesquisas nas áreas de Economia Internacional e Econometria Aplicada, com ênfase em China, Comércio Internacional, Investimento Estrangeiro Direto (IED), Empresas Transnacionais e Modelos de Dados em Painel.
Bio
Nos últimos anos, a China consolidou-se como o segundo maior realizador de investimento estrangeiro direto (IED) do mundo, tendo a Belt and Road Initiative (BRI) como principal norteadora da distribuição regional de seus investimentos. A estratégia busca promover o crescimento em infraestrutura e impulsionar uma transição em direção a fontes de energia limpa. No entanto, a comunidade internacional tem demonstrado preocupação de que a BRI possa servir como mecanismo de externalização da poluição chinesa (Gao; Li, 2023). O debate é fundamentado em duas hipóteses concorrentes. A pollution haven hypothesis sustenta que existe uma relação positiva entre os fluxos de IED e a degradação ambiental, uma vez que atividades intensivas em poluição tendem a se deslocar para países com regulamentações ambientais menos rigorosas (Lorente et al., 2019). Em contraposição, a pollution halo hypothesis argumenta que o IED pode contribuir para a melhoria da qualidade ambiental ao promover a transferência de tecnologias limpas (Zarsky, 1999). Como a estratégia é relativamente recente, a literatura sobre os impactos ambientais dos investimentos chineses ainda é incipiente. Além disso, conforme observam Gao e Li (2023), os estudos existentes tendem a utilizar uma única variável como proxy da qualidade ambiental - Environmental Performance Index. Diante dessa lacuna, este estudo analisa o impacto do IED chinês sobre três dimensões da qualidade ambiental dos países anfitriões: emissões de carbono, recursos hídricos e transição energética, considerando uma amostra de 158 países entre 2005 e 2023. Adicionalmente, investiga-se se esses efeitos são alterados pela participação na BRI e pelo nível de desenvolvimento econômico dos países receptores. Os modelos foram estimados por meio de um painel com efeitos fixos e erros-padrão robustos de Driscoll-Kraay (Driscoll e Kraay, 1998). Os resultados evidenciam que os impactos ambientais do IED chinês são heterogêneos, dependem da dimensão ambiental analisada e das características dos países anfitriões. No modelo de CO2, o investimento chinês está associado ao aumento das emissões, sobretudo em países de baixa renda e participantes da BRI, resultado consistente com a hipótese do pollution haven. Contudo, esse efeito diminui à medida que a renda per capita aumenta, tornando-se negativo nas economias de alta renda. Em contraste, os resultados para as demais dimensões ambientais apontam evidências favoráveis à hipótese do pollution halo. No modelo de transição energética, o IED chinês exerce efeito positivo sobre a participação das energias renováveis. De forma semelhante, no modelo de recursos hídricos, o investimento chinês reduz significativamente o estresse hídrico, indicando ganhos de eficiência no uso da água. Em conjunto, os resultados demonstram que os efeitos ambientais do IED chinês não podem ser interpretados de maneira unidimensional. Dessa forma, o estudo oferece evidências relevantes para o desenho de políticas públicas voltadas à atração de IED compatíveis com os objetivos de desenvolvimento sustentável e fornecem subsídios para países que participam ou pretendem aderir à BRI.
Impactos do Investimento Estrangeiro Direto da China sobre os Indicadores de Qualidade Ambiental dos Países Anfitriões (2005-2023)
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MESA 5 - Especial 10 anos - Grupo de estudos
Ricardo Alves Moreira Mazzeo
Ricardo Mazzeo é graduado em História pela UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, mestre em Ciência da Religião pela UFJF - Universidade Federal de Juiz de Fora. Atualmente é doutorando em Ciências Sociais pela UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas e também atua como professor/tutor de História Antiga e Medieval no Sistema Cederj. Tem como áreas de interesse temas relacionados à História da Religião, Teoria da Religião, Campo Religioso, História dos Protestantismos, História do Oriente, Pensamento Oriental, Protestantismos no Oriente, Religiosidade popular no oriente.
Bio
Este trabalho propõe uma análise comparativa entre as mitologias grega e chinesa, investigando como seus respectivos relatos de fundação do universo alicerçam diferentes concepções de ética, natureza e técnica. Na tradição helênica, o advento do Cosmos é narrado como a superação da desordem primordial (Caos) através de conflitos divinos e da imposição de uma ordem justa (Dike), na qual os deuses atuam e simbolizam uma garantia que distribui a cada ser o seu lugar natural. A partir de Jean-Pierre Vernant e Luc Ferry, observa-se que essa matriz mitológica permitiu a transição do pensamento para uma forma de filosofia racionalizada, centrada no logos, mas que mantiveram vivas as mesmas questões originárias da mitologia. Em contrapartida, a cosmogonia chinesa, exemplificada pelo mito de Pan Ku (盤古), não descreve uma criação ex nihilo, mas uma transformação orgânica e contínua de uma matéria pré existente, fundamentada no holismo processual e na ressonância entre as partes do todo. A partir dessas bases, o trabalho explora o conceito de cosmotécnica proposto por Yuk Hui, definido como a unificação entre a ordem cósmica e a ordem moral por meio de atividades técnicas. Enquanto a techne grega se desenvolve como uma ferramenta para desvelar a verdade (aletheia) e, muitas vezes, desafiar a natureza, vide o mito de Prometeu, o pensamento chinês subordina a técnica à ordem cosmológica. Nessa perspectiva, a relação entre o objeto técnico (Qi) e o fluxo (Dao) exige que a ação humana seja uma prática moral de harmonização com o fluxo do universo, em vez de uma dominação mecânica. Assim, se as premissas de Vernant e Ferry são validas, se transpostas ao contexto chinês a compreensão do mito de criação chinês relevaria as bases que estruturam o pensamento filosófico chinês. O estudo conclui que a comparação entre o Cosmos geométrico ocidental e a cosmotécnica relacional chinesa revela ontologias divergentes que são fundamentais para a compreensão das múltiplas racionalidades filosóficas, técnicas e culturais na contemporaneidade.
Do cosmos à cosmotécnica: uma análise comparada dos mitos de criação grego e chinês
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MESA 5 - Especial 10 anos - Grupo de estudos
Yumi Wada Rodrigues
Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Socias, pela linha de Pesquisa Estudo das Relações Brasil-China, pelo IFCH/Unicamp. Mestra em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas pela FCA/Unicamp. Bacharela em Comunicação Social, habilitada em Jornalismo pela UFMA.
Bio
Este trabalho investiga a ascensão tecnológica da China contemporânea sob a perspectiva da “longa duração”, propondo que o protagonismo do país na era Xi Jinping não representa um fenômeno conjuntural fortuito, mas a rearticulação estratégica de padrões institucionais e filosóficos consolidados ao longo de três milênios. Ao conectar a gestão burocrática das dinastias antigas às atuais políticas de inovação, a narrativa demonstra como o pragmatismo Legalista e a busca pela legitimidade através do domínio técnico - uma reinterpretação do clássico Mandato do Céu, fundamentam a soberania da civilização-Estado chinesa. Através de um enquadramento crítico da obra de Alain Peyrefitte, analisa-se como a República Popular da China logrou reverter a "esclerose cultural" e a paralisia institucional dos séculos Ming e Qing, restaurando o motor da centralização estatal como ferramenta de progresso. Nesse cenário, a Belt and Road Initiative (BRI) é examinada como o vetor logístico e normativo que projeta essa influência globalmente, funcionando como a plataforma definitiva para a superação do trauma da dependência externa. Conclui-se que a busca por autonomia tecnológica em setores de ponta representa a resolução final do histórico dilema Ti-Yong, permitindo que a China consolide uma essência tecnológica própria e reafirme sua posição autônoma no sistema internacional.
Além do Ti-Yong: Soberania tecnológica e a nova diplomacia chinesa
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MESA 5 - Especial 10 anos - Grupo de estudos
Mariana de Rossi Venturini
Sofia Bastos Pontieri Augusto
Graduada em Filosofia pela USP, mestra em sociologia pela Unicamp. Atualmente é doutoranda em Ciências Sociais pela Unicamp, onde pesquisa mulheres empresárias, relações de gênero e desenvolvimento econômico na China Contemporânea.
Bio
• Introdução: Durante o período que antecede a revolução de 1949, Mao Zedong escreveu uma série de poemas que registram sua vivência na luta revolucionária. Dentre os poemas, compilados e traduzidos por Xu Yuancheng na versão bilíngue Ilustrated poems of Mao Zedong, encontra-se o poema em cartão-postal "Militia Women", sobre as revolucionárias chinesas. Mao também abordou esse tema em outras ocasiões, como constatado pelo documento de citações de discursos "As Mulheres", presente nos Marxist Internet Archive (MIA). Esses documentos permitem investigar não apenas a concepção de Mao sobre o papel das mulheres na Revolução Chinesa, mas também como diferentes traduções influenciam a compreensão desse pensamento. • Pergunta de pesquisa: Qual o papel atribuído por Mao às mulheres na Revolução e de que maneira diferentes traduções de seus escritos influenciam a compreensão desse pensamento? • Hipótese: A hipótese deste trabalho é que Mao atribui às mulheres um papel estratégico na Revolução, concebendo sua participação não apenas como consequência da emancipação feminina, mas como condição para a construção da nova sociedade. Tal elaboração aproxima sua a concepção ao marxista-leninismo, acrescido da originalidade do líder chinês. A comparação entre as distintas traduções permitirá demonstrar que determinadas escolhas tradutórias influenciam a compreensão do pensamento maoísta sobre as mulheres, podendo reforçar ou atenuar conceitos presentes nos originais. • Objetivo: Analisar os escritos de Mao sobre o papel das mulheres na Revolução — o poema “Militia Women” e as citações reunidas na coletânea As Mulheres — e comparar suas versões em chinês, inglês e português. • Justificativa: A participação feminina constitui um elemento fundamental da Revolução Chinesa, porém os escritos de Mao sobre esse tema ainda são pouco explorados de forma sistemática na literatura brasileira, especialmente a partir da análise direta de documentos em diferentes idiomas. Ao articular pesquisa documental, história intelectual e análise da tradução de conceitos, este estudo contribui para compreender como o pensamento maoísta elaborou a relação entre emancipação feminina e construção do socialismo, bem como discutir os efeitos que diferentes traduções produzem na circulação internacional dessas ideias. A pesquisa também contribui para aproximar os estudos chineses, os estudos de tradução e a história das mulheres, oferecendo uma leitura fundamentada em fontes primárias. • Metodologia: Pesquisa documental associada à análise de tradução de conceitos, conforme proposto por Shangguan, e amparada por revisão bibliográfica. Nesta pré-análise serão observados o contexto histórico dos documentos: da produção de “Militia Women”, escrito durante o período de guerrilha do Exército de Libertação Popular, assim como o período em que Mao presidiu a República Popular da China, quando das citações "As Mulheres". Também serão analisados Mao enquanto autor desses textos para verificar sua autenticidade, e o tradutor da poesia enquanto autor. Na análise conceitual, as versões do poema em inglês e chinês da edição bilíngue, assim como as versões em português e chinês das citações, presentes respectivamente nos MIA e Arquivos do Partido Comunista da China, serão comparadas através do método de corpus paralelo (Shangguan, 2018), e a comparação entre versões será amparada pelos dicionários Pleco, MDGB, Sinolíngua e 现代汉语词典.
As mulheres na Revolução Socialista Chinesa: A perspectiva de Mao Zedong
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MESA 6 - Humanidades e Educação
Lin Chen
Pedro Henrique Witchs
Lin Chen, Mestra em Ensino de Chinês como Língua Estrangeira pela Universidade de Hebei. Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Bolsista da Capes. E-mail: chen.lin@edu.ufes.br.
Pedro Henrique Witchs,Doutor em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos. Professor do Departamento de Línguas Vernáculas e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). E-mail: pedro.witchs@ufes.br.
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A ampliação das relações econômicas, políticas, acadêmicas e culturais entre Brasil e China tem contribuído para o crescimento do interesse pela aprendizagem da língua chinesa no país. Entretanto, a expansão da oferta de cursos nem sempre tem sido acompanhada por orientações curriculares que considerem, de modo sistemático, as características educacionais, linguísticas e socioculturais dos aprendizes brasileiros. Este trabalho apresenta um recorte de uma pesquisa de doutorado em andamento, cujo objetivo geral é elaborar uma proposta curricular de língua chinesa para falantes de português no Brasil. Busca-se discutir os fundamentos que podem orientar a articulação entre referências internacionais de ensino de chinês e parâmetros brasileiros para o ensino de línguas estrangeiras. O estudo insere-se na perspectiva da Linguística Aplicada indisciplinar, entendida como um campo que dialoga com diferentes áreas do conhecimento e se volta a problemas sociais relacionados aos usos da linguagem (Moita Lopes, 2006). Metodologicamente, caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, exploratória e documental. O corpus desta etapa reúne documentos brasileiros de orientação educacional, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Estrangeira, as Orientações Curriculares para o Ensino Médio e a Base Nacional Comum Curricular, colocados em diálogo com referenciais internacionais de ensino de chinês. Entre estes, destaca-se o documento Padrões de Proficiência em Língua Chinesa para a Educação Internacional de Chinês, que contempla elementos linguísticos, competências comunicativas, tarefas e habilidades de compreensão e produção (中华人民共和国教育部; 国家语言文字工作委员会, 2021). A análise concentra-se nas concepções de língua, aprendizagem, competência comunicativa, interculturalidade, organização curricular e avaliação presentes nesses documentos. Parte-se do pressuposto de que um currículo de chinês para o Brasil não deve resultar da simples transferência de modelos elaborados em outros contextos, mas de um processo de mediação entre referências internacionais, políticas educacionais brasileiras e necessidades de professores e estudantes. Nessa perspectiva, a língua é compreendida como prática social e localmente situada (Pennycook, 2010). Espera-se que o estudo contribua para a construção de uma perspectiva curricular contextualizada, intercultural e sensível à realidade dos aprendizes brasileiros, fortalecendo o ensino de chinês como campo de pesquisa e como dimensão educacional das relações contemporâneas entre Brasil e China.
Entre parâmetros brasileiros e referências internacionais: fundamentos para uma proposta curricular de ensino de chinês no Brasil
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MESA 6 - Humanidades e Educação
Jingyi Xiong
Jingyi Xiong é mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Letras Estrangeiras e Tradução da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo(FFLCH-USP). A pesquisa dela volta-se para as representações das danças do dragão e do leão em São Paulo.
Bio
Este trabalho investiga a reconfiguração dos agentes envolvidos na transmissão das danças do dragão e do leão na cidade de São Paulo, com atenção à crescente atuação de praticantes brasileiros como professores, mestres, responsáveis por equipes e mediadores de práticas associadas à cultura tradicional chinesa. No contexto investigado, mestres chineses e descendentes de imigrantes chineses constituem referências centrais de formação, enquanto instituições vinculadas a redes diaspóricas funcionam como importantes espaços de aprendizagem e transmissão; paralelamente, praticantes brasileiros formados nessas redes vêm assumindo funções de ensino, organização e mediação cultural. Pergunta-se como a atuação desses praticantes reconfigura os agentes, as relações e os critérios de legitimidade envolvidos nessa transmissão. O objetivo é analisar as trajetórias que conduzem da condição de aprendiz à de transmissor, examinando a inserção desses agentes em escolas de artes marciais, centros culturais, associações comunitárias e equipes de treinamento, bem como os recursos mobilizados para legitimar sua atuação. Trata-se de uma pesquisa de mestrado, qualitativa e de orientação etnográfica. O trabalho de campo, iniciado em 2026, reúne observação participante de treinos, apresentações e festividades, entrevistas semiestruturadas com mestres, professores, dirigentes e praticantes, além de registros em diário de campo. A análise privilegia as trajetórias de aprendizagem e ensino, as relações entre mestres e alunos e a circulação dos praticantes entre diferentes espaços institucionais. Os dados preliminares indicam que parte dos praticantes brasileiros, inicialmente formada por mestres chineses ou descendentes de imigrantes chineses, passou a atuar no ensino e na direção de equipes, transmitindo essas práticas a outros brasileiros e, em alguns casos, a jovens vinculados a escolas e associações da comunidade chinesa. Esse processo não implica a substituição linear dos agentes diaspóricos, mas a formação de circuitos compartilhados de transmissão, nos quais a legitimidade para ensinar e representar essas práticas é negociada por meio de trajetórias de treinamento, vínculos institucionais e conexões transnacionais. Ao examinar a participação de agentes brasileiros na continuidade e na ressignificação dessas práticas, o trabalho contribui para os estudos sobre a China no Brasil ao evidenciar que as representações da cultura tradicional chinesa são também produzidas e negociadas em contextos locais, na interação entre redes diaspóricas, instituições e praticantes de diferentes origens.
Da transmissão diaspórica à mediação brasileira: a reconfiguração dos agentes de transmissão das danças do dragão e do leão em São Paulo
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MESA 6 - Humanidades e Educação
João Pedro de Lima Campos
João Pedro Campos é advogado, mestre em Sociologia, bacharel em Direito e em Ciências Sociais. Desenvolve pesquisas nas áreas de direito constitucional comparado, pensamento jurídico chinês e relações entre instituições políticas, direito e sociedade.
Bio
Este artigo analisa as diferenças conceituais, históricas e jurídicas entre 以法治国 ("governar o país por meio da lei") e 依法治国 ("governar o país de acordo com a lei"), expressões centrais para a compreensão da evolução do pensamento jurídico e constitucional da República Popular da China. O objetivo da pesquisa é investigar em que medida a substituição da primeira pela segunda expressão representa uma transformação na concepção oficial da relação entre Estado e direito ou uma releitura contemporânea da tradição legalista (法家), especialmente após a incorporação do princípio 依法治国 (yī fǎ zhì guó) à Constituição chinesa pela Emenda Constitucional de 1999. Para tanto, o trabalho adota metodologia de caráter qualitativo, baseada em pesquisa bibliográfica e documental, combinando a análise de fontes primárias — como a Constituição da República Popular da China, suas emendas constitucionais e textos clássicos do legalismo, especialmente Han Feizi — com a revisão da literatura especializada em direito constitucional comparado, filosofia política chinesa e estudos sobre a China contemporânea. A pesquisa também examina a evolução histórica dos conceitos desde o início das reformas de 1978, bem como sua interpretação pela doutrina nacional e estrangeira. No contexto dos estudos sobre a China no Brasil, o trabalho busca contribuir para a compreensão de categorias jurídicas frequentemente traduzidas de forma equivalente, mas que possuem origens, significados e implicações distintas. Ao aproximar direito constitucional, filosofia política chinesa e direito comparado, a investigação pretende oferecer uma análise que contribua para o debate brasileiro sobre o Estado de Direito na China e sobre a influência das tradições intelectuais chinesas na formação de seu constitucionalismo contemporâneo.
De 以法治国 (yǐ fǎ zhì guó, "governar o país por meio da lei") a 依法治国 (yī fǎ zhì guó, "governar o país de acordo com a lei"): continuidades e transformações do pensamento legalista (法家, Fǎjiā) no constitucionalismo contemporâneo chinês
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MESA 6 - Humanidades e Educação
Thaisa da Silva Viana
Alanna Itajahy Mainente
Thaisa da Silva Viana
Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais da UERJ. Pesquisadora no LabÁsia e no DataMundi.
Alanna Itajahy Mainente
Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais da UERJ. Bolsista CAPES.
Bio
A percepção sobre a China no cenário internacional tem se transformado profundamente desde sua entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001. Em países latino-americanos, a “ascensão chinesa” tem ampliado sentimentos de ansiedade e tensão, sobretudo em temáticas econômicas e comerciais (Armony; Velásquez, 2015). No Brasil, a percepção popular sobre a China era marcada por um olhar de “ameaça grave”, segundo pesquisas realizadas pela Brazil, the Americas and the World (BAW), realizada entre os anos de 2018 e 2019 (CEBRAP, 2019). Desde a pandemia de COVID-19, a eleição de Jair Bolsonaro e a ascensão da extrema-direita, assim como a recente reaproximação do governo brasileiro com a China, cabe questionar se essa percepção não apenas foi modificada, mas também se existem influências conjunturais significativas capazes de afetar essas mudanças (ou permanências) nas opiniões sobre a China. A fim de responder como a opinião pública brasileira percebe a China entre os anos de 2019 e 2023, esta pesquisa tem como objeto de estudo a opinião pública brasileira sobre a República Popular da China nesse período, a partir da análise de duas pesquisas de opinião pública: a Brazil, the Americas and the World (BAW), da USP, e o Latin American Public Opinion Project (LAPOP), da Vanderbilt University. Para tanto, pretende-se extrair variáveis relativas à confiança e à influência presentes no projeto LAPOP, bem como indicadores de autoposicionamento ideológico e identificação religiosa do projeto BAW, orientando-se pela hipótese interpretativa de que a conjuntura da pandemia de COVID-19 pode ter funcionado como um momento de intensificação de uma reconfiguração conservadora já em curso na política brasileira desde 2018, e que essa reconfiguração se relaciona com a forma como a China passou a ser percebida pelo público. Nesse sentido, o objetivo do artigo é analisar a opinião pública brasileira sobre a China e sua possível associação com indicadores de orientação ideológica conservadora e identificação religiosa evangélica disponíveis nas bases utilizadas. Há uma mudança na percepção de ameaça sobre a China antes, durante ou depois da pandemia? Como a opinião pública converge nessa percepção de ameaça?. Dentre as principais contribuições do trabalho, destaca-se a compreensão da opinião pública brasileira sobre a China e seus impactos na formação da diplomacia pública brasileira, assim como na elaboração de relações diplomáticas entre os países. Importante ainda socioeconômicas na formação da opinião pública brasileira assim como sua percepção frente ao próprio Brasil e seu lugar no internacional.
As versões brasileiras de uma China: um estudo sobre opinião pública brasileira sobre a China entre os anos de 2019 e 2023
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MESA 7 - Mídias e Comunicação
Milena de Moura Barba
Cecília Mello
Cecília Mello é Professora Associada do Departamento de Cinema, Rádio e Televisão e do PPGMPA da Escola de Comunicações e Artes da USP. Foi pesquisadora visitante na Universidade de Leeds (2011), na Academia de Cinema de Pequim (2013), na Taipei National University of the Arts (2017), na Universidade de Nottingham em Ningbo (2021) e no King’s College London (2022). É autora de The Cinema of Jia Zhangke: Realism and Memory in Chinese Film (Bloomsbury, 2019).
Milena de Moura Barba é cineasta, pesquisadora e tradutora, formada em Letras — Português e Chinês — pela USP e mestre em Direção de Cinema pela Academia de Cinema de Pequim (2017). Foi bolsista na Universidade de Línguas Estrangeiras de Xi’an (2012) e tornou-se sócia-fundadora da Miluspanda Produções (2017), dedicada ao mercado audiovisual sino-brasileiro. Iniciou MBA em Economia e Gestão Empresarial na FGV (2022) e atualmente é doutoranda no PPGMPA da USP.
Bio
Esta comunicação investiga a circulação e a recepção da telenovela brasileira Escrava Isaura 《女奴》 na China durante a década de 1980, com atenção especial ao contexto inicial da política de reforma e abertura. Adaptada por Gilberto Braga a partir do romance de Bernardo Guimarães e produzida pela TV Globo entre 1976 e 1977, a obra foi exibida pela televisão de Pequim em 1984 e alcançou ampla popularidade no país, contribuindo para a projeção de Lucélia Santos (卢塞莉亚·桑托斯) junto ao público chinês. O objetivo do trabalho é compreender as razões dessa recepção, identificar as imagens do Brasil e da sociedade brasileira mobilizadas pela narrativa e examinar em que medida a presença da telenovela brasileira pode ter participado da formação de repertórios melodramáticos posteriormente apropriados pela televisão chinesa. A pesquisa adota uma abordagem histórico-comparativa, baseada em revisão bibliográfica, levantamento de documentos de imprensa e materiais audiovisuais, análise de recepção e comparação narrativa entre Escrava Isaura e produções chinesas posteriores. O recorte concentra-se no período entre 1984 e o início da década de 1990, com destaque para Kewang (渴望, 1990), frequentemente reconhecida como um marco da consolidação da teledramaturgia seriada na China. A investigação procura identificar aproximações de formato, estrutura melodramática, construção de personagens, temas sociais e modos de interpelação do público, situando-os no contexto de transformação cultural e midiática do país. Ao recuperar esse episódio de circulação audiovisual entre Brasil e China, o estudo contribui para os estudos chineses no Brasil ao examinar um campo ainda pouco explorado: o papel da cultura televisiva e dos intercâmbios midiáticos na construção de imaginários recíprocos, na história das relações culturais sino-brasileiras e no desenvolvimento de novos formatos de conteúdos audiovisuais.
Escrava Isaura na China: circulação, recepção e possíveis diálogos com a teledramaturgia chinesa
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MESA 7 - Mídias e Comunicação
Marina Bolfarine Caixeta
Júlio Reis Jatobá
Marina Bolfarine Caixeta é Doutora em Ciências Sociais com foco na Cooperação Internacional no Sul global a partir da perspectiva de descolonização latino-americana, atualmente é professora do Curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Goiás (UFG); Júlio Reis Jatobá é Doutor em Estudos Literários e Interculturais pela Universidade de Macau, Mestre em Linguística pela mesma universidade e atualmente é professor da Universidade de Macau.
Bio
A recente proposta chinesa de debater com Samuel Huntington sobre o choque das civilizações aponta para avanços significativos tanto do campo político quanto acadêmico das relações internacionais. A reemergência desse conceito, desta vez indicando potencial de cooperação (Zhang e Zang, 2025a; 2025b) em vez de conflito (Gilman, 2025), impõe a latino-americanos e latino-americanistas a oportunidade de refletir sobre a identidade coletiva e o destino comum da nossa região. A ideia de buscar a unidade pela diversidade parece ser estratégica no atual contexto internacional em que se busca reforçar a heterogeneidade das sociedades humanas conduzidas por determinada governança política, em vez da homogeneidade característica de conceitos como Estado nacional e interesse nacional. A noção de estados civilizacionais tem sido utilizada por pensadores e estatistas russos (Dugin, 2012) e chineses (Zhang, 2012; 2016). Assim, interessados em pensar o lugar da América Latina e o Caribe nesse novo contexto, lançamos como hipótese a ideia de que se trata de uma iniciativa estratégica promover a integração política da região por meio do conceito de civilização latino-americana, baseada no pressuposto de se trata de uma oportunidade para a região se inserir nas novas relações internacionais proposta pela China, notadamente por meio da Comunidade de Estados Latino-americanos (CELAC). Sabe-se que a integração da região sempre foi algo difícil de se alcançar. Há aqueles que negam o pertencimento da região latino-americana e caribenha ao bloco ocidental como zona de influência dos Estados Unidos e Europa, e aqueles refratários à ideia de uma identidade regional com tendência a uma homogeneidade branco-dominante (Caixeta, 2019). Diante do potencial de alianças que se formam no Sul global impulsionadas pela emergência da China, em resposta à hegemonia ocidental norte-atlântica (Jatobá 2020; 2025), há ainda a possibilidade de uma identidade coletiva regional a partir da descolonização linguística para uma política afirmativa rumo a um destino comum tendo a língua como instrumento de poder na geopolítica linguística.
Há civilização latino-americana e caribenha? Civilização como um conceito das novas relações internacionais propostas pela China
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MESA 7 - Mídias e Comunicação
Rogério Soares Brito
Luciene Souza Santos
Possui graduação em Letras/Inglês pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB, 2006) e especialização em Literatura Comparada em Língua Portuguesa pela Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC, 2008), com pesquisa sobre a poesia de João Cabral de Melo Neto. É mestre em Letras, com dissertação dedicada às instituições de transmissão que favoreceram o surgimento de narradores populares em Caetité (BA), e atualmente é doutorando em Letras, desenvolvendo a pesquisa "O sertão e o mundo: ocorrências de correspondências narrativas, temáticas e estruturais entre contos tradicionais chineses e brasileiros do Sertão", na qual investiga, em perspectiva comparada, as aproximações entre as tradições narrativas chinesa e brasileira, com especial atenção aos contos populares e à circulação internacional de motivos e estruturas narrativas. Recentemente publicou um livro de recolha de contos intitulado: No tempo dos encantos. O livro foi selecionao para o PNLD literário 2025/2027
Bio
Este artigo investiga, por meio da análise comparada, contos populares do Brasil e da China, a partir das coletâneas Trinta Estórias Brasileiras (1955) e The Magic Love: Fairy Tales from Twenty-First Century China (2023). O foco recai sobre versões do conto-tipo ATU 930A The Predestined Wife, presente em ambas as obras, buscando compreender como narrativas estruturalmente semelhantes são reelaboradas por culturas distintas ao longo de seus processos de tradicionalização. Assim buscamos demonstrar como a versão brasileira do ATU 930A The Predestined Wife está associada a ordem divina presente no cristianismo ocidental e a chinesa compreende a predestinação como princípio cosmológico, inseparável da ordem do universo ligada à filosofia confuciana, budista e taoista. A fundamentação alia reflexões de estudiosos dos contos populares, como Calame-Griaule (1970), Rodolf Schenda (1983), Manuel Viegas Guerreiro (1955), Cascudo (2000) e Braulio do Nascimento (2009), que observam o caráter culturalmente configurado da transmissão narrativa.
ENTRE SINGULARIDADES E CONVERGÊNCIAS: UMA LEITURA CULTURAL DAS VERSÕES DO CONTO SINO-BRASILEIRO ATU 930A THE PREDESTINED WIFE
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MESA 7 - Mídias e Comunicação
Gabriela Rodrigues Diniz
Julio Lopes Cesar Valente Ferreira
Advogada, Bacharel em Direito pela Universidade Estácio de Sá de Resende (2024), Pesquisadora sobre a Indústria Cultural Asiática no NECO (Núcleo de Estudos Culturais Orientais). Mestranda na Universidade Federal Fluminense (UFF), pelo programa de Pós-graduação em Cultura e Territorialidades (PPCULT) e bolsista pelo Programa de Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, CAPES, Brasil.
Bio
Os Otome Games (乙女ゲーム), ou “jogos para donzelas”, são jogos de romance desenvolvidos no Japão desde a década de 1990 e destinados ao público feminino. Apesar do êxito inicial, permaneceram por décadas em um segmento marginalizado da indústria, refletindo a percepção de que jogos femininos não seriam títulos plenos (Kim, 2009; Ganzon, 2018). A partir dos estudos de caso dos títulos chineses Love and Deepspace (恋与深空, 2024), Tears of Themis (未定事件簿, 2020) e Infinity Nikki (无限暖暖, 2024), este trabalho analisa como a indústria chinesa contribuiu para transformar os jogos femininos em um mercado global promissor, estimado em US$ 5,5 bilhões em 2025 (Astle, 2025; Lover’s Lens, 2025; Xu, 2025). Também examina as estratégias de glocalização, indigenização, distribuição e internacionalização que consolidaram esses jogos e suas propriedades intelectuais como modelos bem-sucedidos de exportação cultural (Ganzon, 2022; Diniz; Regis; Ferreira, 2023).
Os Otome Games Chineses e suas Transformações no Mercado de Jogos Femininos
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