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GT 1: humanidades e comunicação - Híbrido

Jade Nianka Lima de Mello Guiet

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Graduada em Turismo e Mestranda em Turismo, Cultura e Ambiente pela Universidade Federal Fluminense, tendo seu foco de pesquisa em turismo, patrimônio, memória e identidade chinesa, turismo macabro e patrimônio revolucionário.

Mediador:

Entre memória, experiência e território: uma revisão sistemática sobre o turismo vermelho chinês na Longa Marcha/China

O turismo vermelho na China consolidou-se como uma prática estratégica de articulação entre patrimônio, memória histórica e identidade nacional, tendo como foco central os sítios associados à Longa Marcha. Esta pesquisa investiga o turismo vermelho nesses locais, abordando-o como um fenômeno que transcende o lazer para atuar na socialização ideológica e legitimação política do Estado. O objetivo principal consiste em realizar uma revisão sistemática da literatura científica produzida entre 2015 e 2025, buscando compreender a estruturação desse campo interdisciplinar, suas temáticas predominantes e os impactos da experiência turística na construção da identidade nacional sob a ótica do visitante chinês. Para isso, adotou-se uma metodologia qualitativa baseada em protocolos rigorosos de busca nas bases de dados CNKI, Web of Science e Scopus. O recorte da investigação foca em artigos científicos completos, publicados nos idiomas inglês e mandarim, que analisam especificamente a vivência do turista na China continental, resultando na seleção de um corpus final de 24 trabalhos. Os resultados evidenciam um aumento exponencial de publicações desde 2021 e a centralidade de discussões sobre mediação simbólica, território vivo e experiência subjetiva. Contudo, a análise revela uma forte concentração institucional na China, com 93,2% das autorias vinculadas ao país, o que aponta para a necessidade de maior internacionalização do debate. Este trabalho insere-se nos estudos sobre a China no Brasil ao sistematizar e traduzir esse debate internacional para o contexto acadêmico lusófono, contribuindo para preencher lacunas na literatura brasileira sobre a intersecção entre memória, território e política. Dessa forma, a investigação oferece uma compreensão integrada de como o Estado chinês utiliza o território e a história revolucionária para mediar processos de identificação nacional no presente, respondendo à carência de perspectivas externas e comparativas sobre o patrimônio revolucionário chinês.

GT 1: humanidades e comunicação - Híbrido

Ketline Machado Santos Lu

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Assessora Jurídica na Defensoria Regional de Direitos Humanos da DPU. Mestre em Direitos Humanos e Democracia pela UFPR, sob orientação da Professora Melina Girardi Fachin. Integrante do grupo de pesquisa Constitucionalismo Feminista. E-mail <lu.ketline@gmail.com>.

Mediador:

Brasil e China - uma análise constitucional multinível feminista descolonial

As mulheres foram excluídas dos debates mais importantes para a sociedade, sendo que na arena constitucional isso é bastante evidente. A hipótese é comparar o constitucionalismo no Brasil e na China a partir do constitucionalismo multinível feminista, a fim de identificar desafios comuns e pontos de aprendizado mútuo. Isso pode ampliar o escopo protetivo dos direitos, ao permitir que questões antes consideradas privadas ou domésticas emerjam como legítimos interesses constitucionais. Esse estudo se insere nos estudos sobre a China no Brasil, vez que preenche lacuna no direito, ao propor uma nova perspectiva para comparação de sistemas constitucionais. O objetivo é demonstrar que feminismo tem ferramentas eficazes para o direito constitucional, aplicando-se concepções de Lélia González, especialmente a divisão sexual e racial do trabalho e seu argumento de que racismo e sexismo se entrelaçam, sendo instrumentalizados pelo capitalismo, para manter a exploração das mulheres. Esse cenário as confina em posições sociais subalternas e desvalorizadas. O direito constitucional, ao ignorar essa realidade, falha em endereçar adequadamente as necessidades de metade da população, perpetuando um modelo excludente de sociedade. Adota-se a metodologia hermenêutico-culturalista do professor Pierre Legrand, a qual compreende o direito como um produto sui generis do seu contexto social. Isso significa compreender o direito outro a partir das diferenças, as quais são positivas, pois apontam a soluções novas que não seriam pensadas a partir do direito da própria pesquisadora. Não se busca julgar um modelo a partir do outro, mas compreender suas especificidades. O constitucionalismo brasileiro é marcado por uma abordagem positivista e eurocêntrica, focando em grandes eventos e pensadores ocidentais majoritariamente masculinos. A história do direito constitucional no Brasil reflete uma exclusão histórica, no que se incluem as mulheres, gerando marginalização e segregação e dificultando a formação de um estado verdadeiramente democrático. O constitucionalismo chinês é marcado pela adaptação de influências estrangeiras e por um desenvolvimento histórico bastante rico e que lhe é muito peculiar. Desde o período imperial, passando por revoluções, influências marxistas até a adoção de modelos liberais, a China buscou construir seu próprio caminho constitucional. O enfoque, tal qual na experiência brasileira, se deu a demandas e a personagens majoritariamente masculinas. Ambos os países enfrentam o desafio social da desigualdade entre gêneros e devem se comprometer com um modelo constitucional mais inclusivo. Embora as mulheres desde sempre tenham contribuído, seus interesses não são devidamente contemplados, a ver, por exemplo, a constitucionalização dos direitos reprodutivos nos dois países. Em conclusão, uma análise que considere as opressões capitalista, machista e racista enriquece o debate constitucional, em prol de uma visão mais comprometida com a justiça social e com a igualdade entre gêneros. Brasil e China têm grande potencial de contribuir mutuamente, uma vez que compartilham de similaridades - dentre elas a necessidade de maior inclusão das mulheres nos debates constitucionais.

GT 1: humanidades e comunicação - Híbrido

Thomaz José Portugal Coelho e Santos

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Professor Universitário e Pesquisador. Mestre e doutorando pelo Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política (PPGSP) no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (IUPERJ) da Universidade Candido Mendes (UCAM).

Mediador:

A Arquitetura da Seguridade Social no Planejamento de Estado Chinês: Uma Análise de Texto e Contexto do Plano Healthy China 2030

O presente artigo investiga a evolução e a intencionalidade estratégica das políticas de bem-estar social na República Popular da China a partir da análise institucional do plano Healthy China 2030. Promulgado como diretriz macroestratégica na esteira do 13º Plano Quinquenal e aprofundado nas metas de desenvolvimento em longo prazo do 14º e consolidado no horizonte do 15º Plano Quinquenal, o programa representa um divisor de águas na governança estatal, deslocando o paradigma assistencial focado no tratamento de doenças para uma abordagem sistêmica de "Saúde em Todas as Políticas". Metodologicamente, a pesquisa adota a abordagem de Texto e Contexto, de Lejano, partindo do escrutínio hermenêutico das normativas governamentais, diretrizes centrais e metas vinculantes (o texto) em articulação dialética com as transformações sociodemográficas, a transição epidemiológica e as assimetrias territoriais da China contemporânea (o contexto). Sob essa perspectiva analítica, demonstra-se que o Healthy China 2030 transcende a esfera da saúde pública para atuar como um instrumento primordial de justiça social e superação de clivagens espaciais. A análise evidencia como o Estado articula suas macropolíticas para promover a convergência institucional dos sistemas de seguridade social, equacionando as desigualdades na oferta de infraestrutura médica e proteção financeira entre as populações urbanas e rurais. A ideia da inflexão do Crescimento de Alta Velocidade para o Crescimento de Alta Qualidade é foco central da política pública e uma mudança de paradigma no desenvolvimento chinês. Conclui-se que a simbiose entre a formulação normativa do plano e as demandas de coesão territorial consolida a seguridade integrada como pilar essencial do modelo chinês de desenvolvimento socioeconômico e busca pela prosperidade comum.

GT 1: humanidades e comunicação - Híbrido

Nilson Florentino Júnior

Douglas Meira Ferreira

Nilson Florentino Júnior é mestrando em Sociologia pela Universidade de Brasília (UnB), professor de Ciências Humanas e servidor público federal. Pesquisa políticas públicas, participação social, juventudes, direitos humanos e relações Brasil-China.

Douglas Meira Ferreira é sociólogo e mestre em Políticas Públicas pela FGV, assessor econômico no Senado Federal e professor do DIEESE nas áreas de desenvolvimento econômico e economia política internacional.

Mediador:

Entre Paulo Freire e Confúcio: educação popular, formação ética e socialismo em perspectiva Brasil-China

Este trabalho analisa, em perspectiva comparada, aproximações e diferenças entre as concepções educacionais de Paulo Freire e Confúcio, buscando compreender em que medida elas podem contribuir para a reflexão sobre projetos socialistas de formação humana no Brasil e na China. A investigação surgiu de uma experiência de campo em Jining, na província de Shandong, durante visita a um centro de estudos do pensamento confucionista na Universidade Normal de Qufu com a participação em aula ministrada pela professora Bai Lanling (白岚玲). O diálogo estabelecido na ocasião, especialmente em torno da recepção contemporânea de Confúcio e de suas relações com o marxismo na China, motivou a aproximação com a pedagogia freireana. O objeto do estudo é a relação entre educação, ética e transformação social nas obras dos dois pensadores e em suas apropriações políticas contemporâneas. O objetivo principal é identificar convergências, tensões e limites dessa aproximação, considerando quatro eixos: acesso à educação, vínculo entre conhecimento e prática, responsabilidade coletiva e formação de sujeitos capazes de intervir na sociedade. Metodologicamente, trata-se de pesquisa qualitativa, exploratória e interdisciplinar, baseada na sistematização da experiência de campo, na análise bibliográfica de Pedagogia do oprimido e dos Analectos e na revisão de literatura sobre a presença do confucionismo na China contemporânea. Os resultados preliminares indicam que Freire e Confúcio recusam uma educação reduzida à transmissão técnica de conteúdos e valorizam a formação integral, a prática e o compromisso com a vida coletiva. Contudo, suas perspectivas não são equivalentes. Freire parte das relações de opressão, da conscientização e da práxis transformadora; Confúcio enfatiza o cultivo moral, a reciprocidade, o exemplo e a harmonia social. A comparação, portanto, deve evitar anacronismos e leituras que apaguem suas diferenças históricas e políticas. Conclui-se que o encontro entre essas tradições oferece uma chave produtiva para investigar como ideias educacionais circulam, são reinterpretadas e passam a integrar projetos de sociedade. Ao relacionar uma experiência de intercâmbio na China com referenciais brasileiros, o trabalho contribui para os estudos sobre China no Brasil e para o debate intercultural sobre educação popular, ética pública e socialismo.

GT 1: humanidades e comunicação - Híbrido

Luis Guilherme Nobrega Amorim

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Luis Guilherme Nobrega Amorim é mestre e doutorando em Antropologia Social na Universidade de São Paulo. Pesquisa temas referentes à Antropologia da China, Antropologia da Globalização e Pensamento Social.

Mediador:

Uma faísca na pradaria: os relatórios rurais de Mao Zedong (1927-1930)

Entre 1927 e 1930, Mao Zedong realizou dez investigações de campo entre camponeses do sul da China, das quais apenas três sobreviveram à Guerra Civil Chinesa (1927-1949): o Relatório de Hunan (1927), o Relatório de Xingguo (1930) e o Relatório de Xunwu (1930). Esta comunicação propõe uma leitura comparada desses três textos, analisando-os à luz das conjunturas políticas dentro do Partido Comunista da China e fora dele, com o fim da Era dos Senhores da Guerra e início da República da China (1927-1930). O Relatório de Hunan é escrito ainda sob a Primeira Frente Única com o Guomindang, e cumpre a função de subsidiar, com base empírica, a tese de que o campesinato poderia ocupar o lugar de vanguarda revolucionária (KARL, 2010; MEISNER, 2007); não por acaso, é um dos poucos documentos desse período incluídos nas Obras Escolhidas, organizadas em 1960. Já o Relatório de Xingguo, produzido em meio à guerra civil aberta, tem função mais restrita e instrumental, ligada à revisão da política de terras nas áreas sob controle comunista em Jiangxi. O Relatório de Xunwu, por fim, é o mais extenso e sistemático dos três. Esse relatório mais de 200 páginas, com mapas, rotas comerciais e descrição minuciosa das relações fundiárias, e permaneceu inédito até 1982, quando ressurgiu durante a disputa sucessória entre Deng Xiaoping e Hua Guofeng como argumento em favor de uma investigação da realidade ancorada nos fatos, e não na leitura literal dos textos de Mao (THOMPSON, 1990). O objetivo da comunicação é mostrar que a diferença central entre os três relatórios não está no método de investigação, semelhante nos três casos, mas no uso político que cada um recebe. O Relatório de Hunan é mobilizado em 1927 para vencer resistências internas do PCCh à tese da vanguarda camponesa; o Relatório de Xingguo, em 1929-1930, informa diretamente a redação da lei agrária que passa a orientar o confisco e redistribuição de terras nos sovietes de Jiangxi; o Relatório de Xunwu, mantido fora de circulação por mais de cinco décadas, só adquire função política quando resgatado em 1982. Metodologicamente, recorre-se à leitura crítica dos relatórios, em sua integralidade e em suas edições críticas disponíveis. O recorte cronológico (1927-1930) corresponde à fase rural do PCCh entre a ruptura da Primeira Frente Única e a consolidação dos sovietes de Jiangxi. Esta comunicação deriva de pesquisa de mestrado sobre nacionalismo e campesinato em Mao Zedong e José Carlos Mariátegui, na qual os relatórios de Hunan e Xunwu já foram analisados em profundidade. A inclusão do Relatório de Xingguo constitui extensão em curso dessa pesquisa. A bibliografia brasileira sobre Mao Zedong costuma tratar o campesinato como categoria já formada em sua obra madura. Poucos trabalhos examinam os relatórios investigativos que a produziram. Ao reunir os três, este trabalho contribui para os estudos sobre a China no Brasil ao reconstituir esse processo de formação.

GT 1: humanidades e comunicação - Híbrido

Ana Cecília Moreira Barroso

Débora Pinguello Morgado

Ana Cecília Moreira Barroso é mestranda no Programa de Pós-Graduação em Artes, Cultura e Linguagens da UFJF e Bacharel em Design pela mesma instituição e Drª. Débora Pinguello Morgado é professora do Programa de Pós-Graduação em Artes, Cultura e Linguagens da UFJF e do Bacharelado em Moda da mesma universidade. É integrante do Grupo de Pesquisa em História e Cultura de Moda.

Mediador:

A ASCENSÃO DA CHINA COMO PÓLO DE INFLUÊNCIA EM MODA, ESTÉTICA E CONSUMO NO SÉCULO XXI

Este trabalho é oriundo de uma pesquisa de mestrado que investiga a ascensão da China como um possível novo polo de influência cultural, estética e comercial na moda e no consumo digital global nas últimas décadas, e sua transição de centro produtivo para agente criativo e difusor de tendências. Busca-se compreender as estratégias de soft power e movimentos culturais de valorização cultural nacional em vigor e as suas contribuições para a construção de uma estética própria capaz de disputar espaço com uma hegemonia historicamente pautada nas quatro capitais da moda: Paris, Milão, Londres e Nova Iorque. A abordagem bibliográfica e documental foi escolhida com foco na análise de livros, artigos científicos, relatórios de mercado e publicações especializadas sobre moda e consumo. Também serão analisadas marcas que utilizaram da identidade cultural para fazer essa passagem de nome de “relevância nacional” para de “relevância internacional”. A pesquisa possui caráter qualitativo, exploratório e analítico. Adota uma perspectiva interdisciplinar, articulando estudos de moda, cultura digital, consumo e relações internacionais para investigar processos simbólicos, econômicos e tecnológicos envolvidos na construção da influência estética chinesa contemporânea, contrastando-os com os mecanismos históricos que consolidaram a hegemonia europeia no sistema global da moda. Espera-se identificar que a crescente influência resulta da combinação entre desenvolvimento industrial, fortalecimento tecnológico, estratégias de branding cultural e ampla utilização de plataformas digitais baseadas em algoritmos e verificar a ampliação da capacidade Chinesa de influenciar tendências, padrões de consumo e imaginários culturais, contribuindo para uma possível redistribuição dos centros de poder estético no cenário internacional. Entre as principais limitações da pesquisa estão a natureza recente e dinâmica do fenômeno estudado, que dificulta a obtenção de conclusões definitivas sobre a permanência da influência chinesa no longo prazo. Além disso, a escassez de documentação, dados seguros e material acadêmico recente acerca do tema também representam uma limitação de peso em contraste à predominância de estudos ainda concentrados em mercados específicos e dificuldade de mensurar empiricamente o impacto cultural de tendências estéticas globais em contextos socioculturais diversos, por isso a escolha de um público em uma situação geracional similar será fundamental para a pesquisa. Os resultados poderão contribuir para a compreensão de transformações contemporâneas na indústria da moda e mecanismos de construção de influência cultural. E, embora existam pesquisas sobre o crescimento da indústria da moda chinesa, movimentos culturais nacionais como o Guochao (国潮) e plataformas digitais chinesas de forma isolada, ainda são escassos os estudos que integram os tópicos em um só trabalho.

GT 1: humanidades e comunicação - Híbrido

Leonardo Alves

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Leonardo Alves é bacharel em Relações Internacionais (UNISC) e mestre em Linguística (UFSC). Pesquisador associado ao IPOL, integra o GT Geopolíticas do Multilinguismo (Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo) e o Grupo de Pesquisa em Políticas Linguísticas Críticas e Direitos Linguísticos. Suas pesquisas articulam poder simbólico, mercado linguístico e multilinguismo.

Mediador:

Políticas Linguísticas para Variedades Minoritárias no Brasil e na China: o caso da lei de cooficialização de línguas e do shanghaihua

Este trabalho examina o planejamento linguístico voltado à salvaguarda de variedades minoritárias a partir de uma comparação entre o processo brasileiro de cooficialização de línguas e o movimento de proteção do dialeto de Xangai (shanghaihua) na China. O objetivo é investigar em que medida o reconhecimento jurídico de status, ausente no caso chinês, constitui condição estrutural para que atitudes linguísticas positivas se consolidem para além do espaço escolar, alcançando domínios do convívio social, da administração pública e da vida cultural. O shanghaihua, variedade do grupo Wu falada no Delta do Rio Yangtzé, recua aceleradamente diante da promoção do putonghua como língua nacional. Shen (2016), aplicando o modelo processual da Teoria de Gestão Linguística (LMT), documenta o ciclo de demandas de linguistas, ativistas e cidadãos xangaineses a partir de 2012: da percepção coletiva de insegurança linguística à proposição de ajustes de política, passando pela avaliação da crise dialetal como ameaça identitária regional. As respostas institucionais limitaram-se a iniciativas pontuais — programas-piloto em creches e transmissões midiáticas no dialeto — sem alteração do status jurídico da variedade. Shen e Gao (2019) evidenciam que a retórica oficial enquadra o dialeto como recurso cultural, mas o espaço implementacional (Hornberger, 2002) permanece estreito, constrangido pela política de unificação linguística: o planejamento de aquisição foi acionado; o de status, não. Xu (2021) acrescenta uma dimensão intracomunitária ao problema: o uso do shanghaihua como marcador excludente de pertencimento — quem não o fala permanece waidiren (forasteiro) mesmo após anos de residência — o que desincentiva novos falantes a aprendê-lo. A experiência brasileira ilumina esse impasse: a cooficialização de línguas opera no plano do status, conferindo reconhecimento jurídico a variedades historicamente estigmatizadas do multilinguismo local e reorganizando atitudes linguísticas comunitárias. Oliveira (2018) documenta que falantes de línguas minoritárias viveram décadas de vergonha linguística sob a ideologia “uma língua, uma nação”, e que as audiências públicas da cooficialização funcionaram como espaço de reelaboração identitária, revertendo esse estigma. A cooficialização criou ancoragem institucional que legitimou o uso dessas variedades além da escola: administração local, vida comunitária, produção cultural. A análise evidencia que sem planejamento de status, o planejamento de aquisição permanece circunscrito à escola e vulnerável à reversão política (Calvet, 2007; Oliveira; Alves, no prelo). A investigação é teórico-comparativa, com base em análise documental e revisão bibliográfica, e se insere nos estudos sobre a China ao mobilizar referenciais do campo brasileiro de políticas linguísticas para examinar o multilinguismo chinês, oferecendo à gestão da relação entre o putonghua e as variedades regionais uma perspectiva comparada ancorada na experiência de cooficialização — instrumento ainda ausente no repertório de política linguística da China.

GT 1: humanidades e comunicação - Híbrido

Olivia Horta Bulla Piedade

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Olívia Bulla é doutora em Economia Política Mundial pela UFABC, mestre em Ciências da Comunicação pela USP e jornalista especializada em Economia. Pesquisa China contemporânea, narrativas e poder, articulando experiência profissional e produção acadêmica sobre transformações geopolíticas a partir da perspectiva do Sul Global.

Mediador:

A China na pandemia da covid-19: a guerra de narrativas como disputa na Economia Política Mundial

A pandemia da covid-19 colocou a China no centro de uma disputa inicialmente apresentada como uma “guerra de narrativas”, mediada pela produção simbólica da informação. Este trabalho parte da hipótese de que tal conflito não se restringe apenas ao plano discursivo por expressar disputas mais profundas relacionadas à hegemonia informacional e a diferentes projetos de organização política, econômica e social. Nessa perspectiva, investiga-se como o discurso jornalístico na imprensa dominante (mainstream) brasileira participou da construção de sentidos sobre a resposta chinesa à pandemia e em que medida essas narrativas reproduziram hierarquias de poder e de produção do conhecimento na Economia Política Mundial. Para tanto, a pesquisa confronta a cobertura do Grupo Globo, publicada entre 2020 e 2023, sobre o combate chinês contra a covid-19 com documentos oficiais da China e da Organização Mundial da Saúde (OMS), articulando a Análise de Discurso de Michel Pêcheux, a noção de hegemonia em Antonio Gramsci e uma perspectiva ontológica marxista. Os resultados indicam que a denominada “guerra de narrativas” não constitui uma disputa simétrica entre versões concorrentes de um mesmo acontecimento, mas uma operação de manutenção da estabilização simbólica da ordem neoliberal com a imprensa dominante operando como aparelho privado de hegemonia e um mecanismo de manutenção do sistema internacional. Inserido em uma estrutura hegemônica, o discurso jornalístico legitima determinadas formas de compreender desenvolvimento, mercado, ciência, Estado e sociedade, ao mesmo tempo que desautoriza outras. Ao evidenciar os limites da leitura predominante sobre a China na pandemia, a análise mostra que a resposta chinesa na crise sanitária expressa elementos de continuidade do socialismo com características chinesas, articulando capacidade estatal, planejamento de longo prazo, ciência, mercado e sociedade em uma lógica distinta daquela nas democracias liberais ocidentais. A pandemia constituiu um teste ontológico que retirou do neoliberalismo o monopólio da universalidade — sem, no entanto, substituí-lo, mas colocando a China como uma contradição histórica concreta que reabre o campo do possível. Ao deslocar a análise da representação da China na pandemia para a crítica das hierarquias epistemológicas que estruturam a Economia Política Mundial, a pesquisa propõe compreender a experiência chinesa não apenas como um objeto de investigação, mas como um ponto de inflexão analítico capaz de recolocar em debate categorias consolidadas sobre sistema político, modelo econômico e reprodução da vida humana, reabrindo discussões sobre a produção de conhecimento nos estudos sobre a China no Brasil.

GT 1: humanidades e comunicação - Híbrido

Anselmo da Cruz Berté

Willian Fernandes Araujo

O autor do trabalho Anselmo Berté é bacharel em Jornalismo pela UFRGS e é membro do Laboratório de estudos sobre dados, algoritmos, usos e apropriações de mídias digitais da UFRGS (dauLab). O co-autor Willian Fernandes Araujo é professor permanente do Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFRGS, doutor em Comunicação e Informação pela UFRGS e coordenador do dauLab.

Mediador:

A China em um minuto e meio: as características do conteúdo noticioso sobre China produzido no Brasil e viralizado no TikTok

O presente trabalho investiga as características estruturais e discursivas do conteúdo noticioso sobre a China produzido no Brasil e viralizado no TikTok. Inserido no contexto da ascensão econômica e tecnológica chinesa no século XXI e da consolidação das plataformas de vídeos curtos como infraestruturas centrais para o consumo de informações, o estudo problematiza como velhos estigmas ocidentais, pautados no orientalismo clássico e no orientalismo sinológico, são reativados e potencializados no ambiente digital. Metodologicamente, a pesquisa adota uma abordagem qualitativa fundamentada nos Métodos Digitais e na Teoria Ator-Rede (TAR), estruturada por meio de um monitoramento empírico e longitudinal da ferramenta de "tópicos populares" do aplicativo ao longo de 52 dias. A partir desse mapeamento, foram extraídos e analisados 30 vídeos virais distribuídos em seis temas noticiosos distintos. Os resultados evidenciam que o conteúdo viralizado é predominantemente caracterizado pela desinformação, pelo sensacionalismo e pelo enquadramento da China como uma ameaça civilizacional, tecnológica ou cultural. Constatou-se que os principais produtores desses conteúdos são veículos de notícias tradicionais (40%), que frequentemente replicam vídeos viralizados de forma descontextualizada, seguidos por criadores de conteúdo (37%) e contas dark (17%), os quais exploram a infraestrutura memética da plataforma, lógicas de monetização e narrativas conspiratórias. Conclui-se que o TikTok atua como um mediador sociotécnico ativo que consolida o fenômeno do "orientalismo algorítmico", uma vez que as affordances do aplicativo, a norma algorítmica e a ausência de moderação articulam-se à cultura dos usuários para amplificar preconceitos sobre China.

GT 1: humanidades e comunicação - Híbrido

Vítor Eduardo Alessandri Ribeiro

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Doutor em Sociologia com ênfase nos estudos da sociedade chinesa e da sociologia na China.

Mediador:

Regulações intermediárias e mediações hierárquicas: o caso dos direitos de propriedade e das funções econômicas na sociedade chinesa

A análise ora desenvolvida parte dos achados de pesquisa da Tese de doutorado do autor, principalmente com relação à existências de instâncias comunitárias mediadoras da organização da vida social na China entre os indivíduos e a sociedade lato sensu. Lui Shiding, em seu capítulo “Droit d’organisation et intervention étatique dans l’usage de la propriété privée: une étude de cas des relations entre l’État et les chambres de commerce”, aborda uma análise econômica mencionando aspectos fundamentais da teoria dos direitos de propriedade na China, levando-o a concluir acerca do exame dos custos sociais dentro de uma estrutura de direitos de propriedade tratando-os não como externalidades, como em Ronald D. Coase (1990), mas sim considerando atenção especial às condições de interações sociais sob as quais esse tipo de estrutura emergiu. O direito de formação de organizações no âmbito econômico surge como um elemento analítico de grande relevância para a investigação, pois se assemelham a estruturas de mediação hierárquica para cuja autoridade os critérios de seleção e filtragem se afiguram como critérios que tornam legítimas as iniciativas econômicas, sem lhes conferir no entanto plena liberdade de atuação, mas sim com a manutenção das prerrogativas do Estado em qualificar/desqualificar essas iniciativa. A investigação tem, portanto, uma importante interseção com os achados de pesquisa da tese de doutoramento do autor sobre a existência de instâncias de intermédio ou de mediação simbólica entre o individual e o social, instância esta que pode-se chamar provisoriamente de intermédio da coletividade como um fator, a um só tempo, político e moral.

GT 1: humanidades e comunicação - Híbrido

Rafael Dirques David Regis

Julio Lopes Cesar Valente Ferreira

1° Autor) Estudante de Doutorado em Global Communication do Colégio de Mídia e Cultura Internacional da Zhejiang University. Mestre em Cultura e Territorialidade pela UFF. Bacharel em Engenharia de Produção pela UNIRIO. Membro do Núcleo de Estudos Culturais Orientais (NECO) do CEFET/RJ.
2° Autor) Professor do Programa de Pós-Graduação em Cultura e Territorialidades da Universidade Federal Fluminense (PPCULT/UFF) e do Programa de Pós-Graduação em Relações Etnico-Raciais (PPRER/CEFET/RJ) e do Bacharelado em Engenharia Mecânica do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ). Doutor em Memória Social pela Universidade Federal do Estado de Rio de Janeiro (PPGMS/UNIRIO). Lider do Núcleo de Estudos Culturais Orientais (NECO) do CEFET/RJ.

Mediador:

Donghua: os desafios da produção e do estabelecimento de mercados internos e externos de consumo cultural

A indústria chinesa de animação (donghua) consolidou-se como um dos segmentos estratégicos da economia cultural da China. Mais que entretenimento, articula objetivos econômicos, culturais e políticos, integrando preservação da tradição, fortalecimento do mercado interno e expansão internacional (Jiping, 2019; Menechelli, 2023). Este trabalho analisa a formação dessa indústria, enfatizando a atuação do Estado na estruturação do setor e sua inserção no mercado global de bens culturais. A pesquisa fundamenta-se nos estudos sobre políticas culturais, indústrias culturais e clusters criativos, compreendendo a animação como parte de uma estratégia nacional de desenvolvimento econômico e fortalecimento do soft power (Fung & Erni, 2013). Também dialoga com pesquisas sobre a evolução da animação chinesa e sua internacionalização (Wei, Perumal & Sitharan, 2023). O estudo adotou abordagem qualitativa e quantitativa, baseada em revisão narrativa da literatura e análise de documentos oficiais sobre a política cultural chinesa. Os resultados demonstram que o crescimento do donghua decorre da combinação entre planejamento estatal, incentivos financeiros, clusters culturais, proteção do mercado interno e investimentos em infraestrutura tecnológica (Fung & Erni, 2013). O 14º Plano Quinquenal reforçou essa estratégia ao priorizar conteúdos culturalmente nacionais e ampliar a competitividade internacional do setor (China, 2022). Paralelamente, plataformas como Bilibili e iQIYI ampliaram a circulação doméstica e internacional das produções. Obras como Ne Zha, Heaven Official's Blessing e Link Click evidenciam a capacidade de combinar identidade cultural, inovação tecnológica e competitividade econômica (Wei, Perumal & Sitharan, 2023). Conclui-se que o desenvolvimento do donghua resulta da integração entre política cultural, política industrial e inovação tecnológica, fortalecendo a economia criativa e o soft power chinês, embora persistam desafios relativos à inovação, distribuição internacional e expansão das exportações (Jiping, 2019; Menechelli, 2023).

GT 2: Estudos Ambientais, Ciencia Política e RI - Online

Nathiele Amparo

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Bacharela em Relações Internacionais pela UNIP, mestranda em Relações Internacionais pela UFABC e graduanda em Geografia pela FLLCH - USP. Possui como foco de pesquisa a geopolítica asiática, com enfoque nas relações bilaterias entre China e Rússia.

Mediador:

AS RELAÇÕES SINO-RUSSAS: uma análise da cooperação entre China e Rússia sob a lente do Realismo Defensivo

Essa pesquisa tem como objetivo analisar a cooperação sino-russa durante o atual século, a partir da lente do Realismo Defensivo debatido por Stephen Walt e Shiping Tang, observando três objetivos específicos: 1) o histórico de cooperação nas principais frentes de atuação em conjunto da China e da Rússia, sendo eles a cooperação política, militar e comercial; 2) os altos e baixos da cooperação, sob a hipótese de que, apesar de parecer um forte laço de amizade e potencial contraponto ao Ocidente, a cooperação sino-russa possui desconfianças históricas que enfraquecem sua relação. Apesar de serem próximos atualmente, a China e a Rússia possuem um histórico conflituoso, que acabam respingando na cooperação ao colocar seus objetivos internos em pauta na atual conjuntura geopolítica. E 3) como Estados diretamente relacionados ao xadrez sino-russo, como os países-membros do BRICS e OTAN, percebem essa cooperação e impactam seus próprios interesses.

GT 2: Estudos Ambientais, Ciencia Política e RI - Online

Renata Patrícia Silva Moraes

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Renata Patrícia Silva Moraes é doutoranda em Ciência Política pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), mestre em Relações Internacionais e graduada em Ciência Política e História. Desenvolve pesquisas sobre política externa chinesa, nacionalismo, memória histórica, segurança ontológica e dinâmicas regionais no Leste Asiático, especialmente nas relações entre China, Japão e Coreia do Sul.

Mediador:

A ameaça está ao lado: como os discursos nacionalistas no Japão e na Coreia do Sul apresentam a China e quais são suas respostas (2000 - 2025).

Este artigo analisa como discursos nacionalistas produzidos no Japão e na Coreia do Sul construíram a China como ameaça, rival, parceira ou vizinha necessária entre 2000 e 2025 e como o Estado chinês respondeu a essas representações. Embora a literatura costume explicar a deterioração das relações sino-japonesas e sino-sul-coreanas a partir da ascensão material da China, das disputas territoriais, do apoio chinês à Coreia do Norte ou da rivalidade sino-americana, argumenta-se que essas dinâmicas também dependem da forma como diferentes atores interpretam mudanças estruturais à luz de memórias históricas, identidades nacionais e projetos políticos (WANG, 2012; BUZAN; WÆVER; DE WILDE, 1998). O objetivo consiste em comparar como Japão e Coreia do Sul representam a China, quais respostas políticas propõem diante dessa representação e de que maneira Pequim procura contestar, reinterpretar ou incorporar esses discursos em sua política externa. A pesquisa parte da compreensão de que ameaças não são apenas materiais, mas também socialmente construídas. Nesse sentido, mobiliza o conceito de segurança ontológica para explicar como Estados buscam preservar narrativas coerentes sobre si mesmos e sobre seu lugar na ordem regional (MITZEN, 2006; ZARAKOL, 2010). A representação da China passa, assim, a desempenhar papel central na reafirmação de identidades nacionais japonesas e sul-coreanas, ainda que de formas distintas. Enquanto o nacionalismo japonês tende a associar a ascensão chinesa à revisão da ordem regional, ao fortalecimento militar e à necessidade de ampliar a cooperação com os Estados Unidos, o nacionalismo sul-coreano apresenta percepção mais ambivalente, marcada simultaneamente pela interdependência econômica, pela ameaça norte-coreana, pela memória do colonialismo japonês e pela preocupação com a autonomia estratégica (KANG, 2009; LIND; UEKI, 2021; LEE; WIEGAND, 2024). Metodologicamente, o estudo adota abordagem qualitativa e comparativa baseada em análise de discursos oficiais, documentos de política externa e defesa, manifestações parlamentares, pesquisas de opinião pública e pronunciamentos do Ministério das Relações Exteriores da China. Também examina eventos críticos que intensificaram a construção da ameaça chinesa, como a nacionalização das ilhas Senkaku/Diaoyu, a instalação do sistema THAAD, a intensificação da cooperação trilateral entre Estados Unidos, Japão e Coreia do Sul e as respostas diplomáticas chinesas a esses processos. Argumenta-se que Pequim não atua apenas como objeto das narrativas nacionalistas produzidas por seus vizinhos, mas também como agente que procura moldá-las por meio da mobilização da memória histórica, da diplomacia pública, da diferenciação entre Japão e Coreia do Sul e da gestão estratégica do nacionalismo doméstico (LIAN; WANG, 2024). Ao integrar nacionalismo, memória histórica, segurança ontológica e política externa relacional, o artigo busca contribuir para os estudos sobre a China no Brasil ao explicar como a percepção regional da ameaça chinesa resulta da interação contínua entre discursos, identidades e respostas estatais, e não exclusivamente da distribuição material de poder.

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Henoch Gabriel Mandelbaum

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Doutorando em Ciência Política na Universidade de São Paulo (USP). Também atua como pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Relações Internacionais da USP (NUPRI-USP). Atualmente, é Pesquisador Visitante na Universidade de Lisboa (ULisboa), em Portugal.

Mediador:

Narrating Development in China’s Public Diplomacy Toward Brazil: An AI-Assisted Qualitative Content Analysis

This article examines how China narrates development in its public diplomacy toward Brazil, focusing on how publicly available Chinese communication presents development as a shared political language linking modernization, sovereignty, infrastructure, technology, South-South cooperation, and multipolarity. The article builds on scholarship on Chinese public diplomacy, strategic communication, and foreign policy (d’Hooghe, 2015; Miskimmon et al., 2013), while engaging a still-limited Brazil-centered literature (Araujo & Mendes, 2025; Morales & Menechelli, 2023; Strauss, 2012). Methodologically, the article employs artificial intelligence (AI)-assisted qualitative content analysis with human validation, combining established content-analysis principles with emerging AI-supported workflows (De Paoli, 2024; Hamilton et al., 2023; Morgan, 2023; Schreier, 2012). The empirical corpus consists of a purposive sample of Chinese official and semi-official materials, including government and embassy-level statements, Chinese media content, and China-Brazil cooperation documents published between 2023 and 2025, during Luiz Inácio Lula da Silva’s third administration (2023-2026). AI is used for source organization, first-pass coding, excerpt identification, and cross-source comparison, while all classifications and evidence are manually checked against the original documents. Frequency tables are used to identify the relative salience of recurring themes across source types, while the substantive argument is developed through contextual interpretation of the coded excerpts. The article argues that China narrates development as a pragmatic and sovereign partnership with Brazil while offering a replicable protocol for AI-assisted qualitative content analysis.

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Roberto Tadeu da Silva

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Servidor Público, Bibliotecário, Mestre em Relações Internacionais pela UFABC

Mediador:

Rompendo o cerco: a modernização da marinha chinesa e a centralidade geopolítica de Taiwan

Este trabalho tem como objetivo explorar os fatores que impulsionam a expansão da Marinha do Exército de Libertação Popular (MELP) da China sob a liderança de Xi Jinping (2013-2022), com destaque para a situação da ilha de Taiwan. Atualmente, a MELP é a maior marinha do mundo em termos numéricos, ultrapassando a marinha dos EUA. A evolução de uma marinha voltada para operações regionais e costeiras para uma força com capacidade oceânica foi desencadeada por uma decisão política, influenciada por considerações geopolíticas. No âmbito teórico, partimos da análise das escolas realista defensiva de Waltz e ofensiva de Mearsheimer, além da importância do uso do mar, com base nos conceitos clássicos de teóricos do poder marítimo como Alfred Thayer Mahan, Julian Stafford Corbett e Geoffrey Till. A execução desta pesquisa seguiu uma abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva. Realizou-se um levantamento bibliográfico em fontes secundárias, como bases de dados nacionais e internacionais, livros e revistas científicas, e também se acessaram fontes primárias, como os portais do Exército de Libertação Popular e da MELP, documentos oficiais chineses (Livros Brancos de Defesa, Estratégias Nacionais) e relatórios históricos dos Departamentos de Defesa e de Estado dos EUA. Houve também contato com analistas de portais e instituições especializadas, como Poder Naval, SIPRI e IISS. Por meio da análise das teorias realistas, tanto defensivas, como defendida por Waltz, quanto ofensivas, de Mearsheimer, além da relevância do uso do mar e de conceitos clássicos dos teóricos do poder marítimo, podemos identificar que o ambiente marítimo oferece tanto oportunidades quanto desafios para a China. Nos últimos anos, a indústria naval chinesa tem demonstrado uma notável capacidade de construir embarcações, tanto comerciais quanto militares, levando a China a se tornar uma potência global na construção naval. Entretanto, no entorno estratégico chinês, a Coreia do Sul e o Japão ocupam, respectivamente, as segunda e terceira colocações na lista de construção naval, sendo importantes aliados dos EUA. Além disso, há uma intensa competição por semicondutores de alta tecnologia na região, o que acentua a presença dos EUA e projeta o conflito geopolítico entre China e EUA em uma escala global. A localização de Taiwan a torna uma base estadunidense crucial para limitar e isolar a China, ameaçando suas rotas comerciais. O debate
sobre o papel da MELP nos cenários geopolítico, econômico e militar chinês colabora na ampliação e diversificação dos debates sobre China no Brasil, mostrando a importância do poder naval na defesa do desenvolvimento econômico daquele país.

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Bruno Vicente Lippe Pasquarelli

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Professor da Universidade Federal de Campina Grande e do PPGRI-UEPB; Doutor em Ciência Política pela UFSCar; desenvolve pesquisas sobre governança migratória em perspectiva comparada, além de temas de análise de política externa

Mediador:

Governança Migratória e política externa no Sul Global: uma análise comparativa entre Brasil e China

A pesquisa analisa comparativamente os modelos de governança migratória do Brasil e da China diante do crescimento da mobilidade internacional, que já soma cerca de 281 milhões de migrantes no mundo. O objeto da pesquisa é a estruturação da formulação e implementação das políticas migratórias nos dois países, com ênfase na articulação entre níveis de governo (dimensão vertical) e na participação de atores estatais e não estatais (dimensão horizontal). O estudo tem como objetivo geral compreender como Brasil e China organizam sua governança migratória diante desse cenário, desdobrando-se em três objetivos específicos: (i) mapear os principais marcos legais, institucionais e organizacionais da política migratória em cada país; (ii) analisar os mecanismos de coordenação intergovernamental e interinstitucional presentes em cada contexto; e (iii) identificar limites e potencialidades dos modelos observados. Metodologicamente, adota se uma abordagem qualitativa, de caráter documental e comparativo, ancorada no referencial teórico da governança e da governança multinível (multi-level governance – MLG). O recorte analítico compreende, no caso brasileiro, a Constituição Federal de 1988, a Lei de Migração (13.445/2017), o Decreto 9.199/2017, diretrizes do Conselho Nacional de Imigração (CNIg) e documentos do Ministério da Justiça e Segurança Pública; no caso chinês, a Lei de Administração de Entrada e Saída (2012), documentos oficiais e literatura especializada sobre a criação da Administração Nacional de Imigração (NIA) em 2018. A comparação se organiza em sete eixos: modelo de governança, marco normativo, autonomia subnacional, participação social, abertura internacional, narrativa sobre migração e inserção em governança global. Os resultados indicam que o Brasil desenvolve um modelo normativamente descentralizado, amparado pela Lei de Migração de 2017 e com canais formais de participação social, mas que, na prática, convive com forte centralização decisória federal e implementação fragmentada, dependente da capacidade de municípios e de organizações da sociedade civil para suprir a fraca coordenação intergovernamental. A China, por sua vez, opera um modelo centralizado, tecnocrático e securitário, de baixa permeabilidade à participação social, no qual a criação da NIA reforça o controle estatal e os governos locais atuam essencialmente como executores de diretrizes centrais, ainda que subsista uma tradição de experimentalismo local. Conclui-se que os dois países representam respostas distintas às pressões migratórias contemporâneas: enquanto o Brasil enfrenta o desafio de consolidar uma governança multinível efetiva, a China aprofunda um modelo de controle estatal centralizado. O estudo contribui para os estudos sobre a China no Brasil ao deslocar o eixo analítico do Norte para o Sul Global, evidenciando a utilidade do conceito de MLG tanto para descrever arranjos participativos quanto para compreender sua deliberada ausência

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Luiz Henrique Dias da Silva

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PhD in Political Science (UFMG, 2020 - 2024), researching energy transition in China and its implications for Brazil and other Global South countries. Field work in Beijing, Shanghai and Xiantao (Renmin University of China - RUC). Bachelor (Uni BH) and Master (PUC Minas) in International Relations. Research Assistant of China-Latin America Research Center for Green Future and Sharing Civilizations. Member of RIPPERP (UFMG). Researching energy poverty and strategic voids with RBChina and CONLAT members. CV/Resumé: http://lattes.cnpq.br/8104260576091647

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The Territorial Operationalization Framework (TOF): An Interpretive Methodological Tool for Public Policy Analysis Developed Through China's Energy Transition

Public policy research has traditionally concentrated on institutional design, policy formulation, and implementation processes. Comparatively less attention has been devoted to understanding how public policies become territorially observable through concrete socio material configurations. This methodological gap is particularly relevant in contexts characterized by complex governance arrangements, where national policies are translated into heterogeneous local outcomes. This paper introduces the Territorial Operationalization Framework (TOF) as an interpretive methodological tool designed to assess the territorial operationalization of public policies by examining the observable convergence between institutional arrangements, material infrastructures, and everyday practices. The TOF emerges from an interpretive research tradition grounded in Interpretive Field Observation and institutional analysis. However, rather than measuring policy effectiveness through predefined quantitative indicators, the framework seeks to identify how policies become empirically observable. Its analytical architecture is structured around three interconnected dimensions—Policy, Infrastructure, and Services and Use—whose interaction produces what the framework conceptualizes as Territorial Operationalization Instances (TOIs). These instances constitute empirically identifiable sites where institutional decisions, physical infrastructures, and patterns of social use converge, providing qualitative evidence of the territorial operationalization of public policies under different institutional conditions. The first empirical application of the TOF is developed through comparative field research conducted in Beijing, Shanghai, and Xiantao between September 2023 and January 2024. These three cities were selected because they represent distinct configurations of state capacity, local governance, and urban development within China's political system. Through interpretive field observation, institutional analysis, photographic documentation, and qualitative triangulation, the research examines how China's energy transition policies become territorially observable across contrasting urban contexts. The findings demonstrate that territorial operationalization varies significantly despite common national policy objectives. Beijing exhibits strong convergence supported by concentrated state capacity and symbolic infrastructures associated with strategic national priorities. Shanghai presents entrepreneurial forms of operationalization based on public private coordination and innovation ecosystems. Xiantao, by contrast, reveals fragmented operationalization characterized by weaker institutional capacity and limited convergence between policy objectives and observable territorial outcomes. These differences illustrate that policy implementation cannot be adequately understood solely through formal institutional analysis but requires systematic examination of how policies materialize within specific territorial contexts. Beyond its empirical contribution to the study of contemporary China, the paper argues that the TOF possesses broader methodological applicability. The framework is not restricted to energy transitions but offers an interpretive analytical instrument for investigating and assessing diverse public policy domains. By integrating field observation with institutional analysis through a territorial perspective, the TOF contributes to interpretive policy analysis by providing a systematic approach for examining how governmental action becomes materially and socially observable. China's energy transition therefore functions not as the conceptual boundary of the framework but as its first empirical laboratory, demonstrating its analytical potential for comparative public policy research across different political and institutional settings.

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Siro Castro de Carvalho

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Bacharel em Relações Internacionais pela PUC Minas (2024), com TCC sobre a Formação Econômico-Social chinesa e o Corredor Econômico China-Indochina. Iniciará em setembro de 2026 o Mestrado em Development and International Cooperation Studies na Sapienza Università di Roma. Pesquisa temas de economia política internacional, financiamento chinês ao desenvolvimento e cooperação internacional.

Mediador:

A Capacidade de Execução de Projetos de Infraestrutura Chinesa em Ambientes de Alto Risco: Formação Econômico-Social e o Corredor Econômico China-Indochina

O objeto deste trabalho é a relação entre a Formação Econômico-Social (FES) chinesa e sua capacidade de executar projetos de infraestrutura em ambientes classificados pelo Ocidente como de alto risco de investimento. O recorte empírico compreende três projetos do Corredor Econômico China-Indochina (CECI) inserido na Iniciativa Cinturão e Rota: a Lao-China Railway, a Phnom Penh-Sihanoukville Expressway e o China-Myanmar Economic Corridor, realizados respectivamente em Laos, Camboja e Mianmar, os três países com os indicadores econômicos mais frágeis da ASEAN. O objetivo é demonstrar como a Formação Econômico-Social chinesa viabiliza a realização desses projetos de infraestrutura em ambientes classificados como de alto risco pelos parâmetros do capitalismo financeirizado ocidental — presentes em relatórios do FMI, do Departamento de Estado dos EUA e da OCDE. A FES chinesa, ao subordinar o modo de produção capitalista à orientação socialista do Estado, permite compreender a capacidade de projetamento de Pequim como resultado de uma lógica voltada à economia real e ao bem-estar social, e não ao retorno financeiro privado que orienta as avaliações de risco ocidentais. A metodologia empregada é a análise empírica qualitativa, por meio de estudo comparativo dos três casos, cruzando dados sobre a estrutura de financiamento (modelos de concessão Build-Operate-Transfer, participação de bancos como o China Development Bank e o China Eximbank, composição acionária das empresas licitantes) com os relatórios de risco publicados por instituições ocidentais sobre os mesmos países. Os resultados indicam que, nos três casos, o financiamento e a execução permanecem majoritária ou totalmente sob controle de entes estatais chineses subordinados à Comissão de Supervisão e Administração de Ativos Estatais (SASAC), o que garante autonomia frente às intempéries do mercado financeiro privado. O caso do Mianmar é o mais ilustrativo: a continuidade dos projetos sobreviveu ao golpe militar de 2021 e à guerra civil em curso, justamente quando toda avaliação ocidental já havia descartado a viabilidade de investimento no país. O trabalho insere-se nos estudos sobre a China no Brasil ao retomar as categorias de FES e Modo de Produção, recentemente reabilitadas por pesquisadores como Elias Jabbour, Alberto Gabriele e Javier Vadell, propondo seu teste empírico em um recorte ainda pouco explorado na literatura nacional: o financiamento chinês em economias periféricas do Sudeste Asiático. Contribui, assim, para o debate sobre a Globalização Instituída pela China como alternativa em formação à globalização neoliberal.

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Glauber Lopes Xavier

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Doutor em Sociologia pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Realizou estágio de pós-doutorado no Programa de Pós-graduação de Ciências Sociais em Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (CPDA/UFRRJ). É professor Adjunto da Universidade Estadual de Goiás (UEG), atuando no curso de Ciências Econômicas e como docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Territórios e Expressões Culturais no Cerrado - PPGTECCER (mestrado/doutorado). Líder do Grupo de Pesquisa em Geopolítica do capitalismo contemporâneo - Geopol (UEG/CNPq). Conduz pesquisas a partir das seguintes temáticas: Estado; poder; território; capitalismo e geopolítica.

Mediador:

Dilemas do sistema político chinês: entre o reino das necessidades e o reino das liberdades – uma reflexão a partir de Hannah Arendt

O sistema político chinês, o chamado “socialismo com características chinesas”, inaugurou no pensamento e na prática política algo inédito. Ele reserva, contudo, algo que nos chama a atenção: é constituído pelo forte exercício do poder pelo PCCh e assegura relativa liberdade econômica, isto é, vige, naquele país, uma economia de mercado bastante próspera, submetida, todavia, aos comandos do Estado. Nos anos recentes, houve considerável aumento da classe média chinesa. Atualmente cerca de 400 milhões de pessoas dela fazem parte, o que tem implicado em mudanças importantes nos padrões de consumo, assim como no comportamento. Infere-se que repousa, no seio dessa camada média, um ponto de vulnerabilidade do sistema político chinês, o qual, em algum momento, deverá lidar com o complexo dilema estabelecido entre o reino das necessidades, tendo sido estas garantidas pelo forte crescimento econômico das últimas décadas, e o reino das liberdades, especialmente aquelas que dizem respeito aos direitos individuais e políticos. Sabe-se que o PCCh exerce o poder de forma rígida, materializado pela crescente vigilância digital da população e pelo próprio exercício do poder militar, ademais do fato de que o vertiginoso crescimento econômico acaba por se tornar um importante elemento de apoio popular ao governo. No entanto, as experiências históricas revelam alguns pontos fundamentais: 1. A economia possui um ponto de saturação a partir do qual não pode continuar crescendo nas mesmas proporções. 2. A avidez por maiores lucros tende a promover mudanças nas relações de trabalho e de poder. Daí, lançamos as seguintes questões: Qual o limite de salvaguarda do PCCh em relação à classe trabalhadora chinesa, impedindo que as elites econômicas avancem em direção à tomada do poder político? Em que medida o grande capital na China se beneficia do braço forte do Estado, garantindo altos patamares de lucros na medida em que coíbe manifestações por parte dos trabalhadores? Não se pode ignorar o fato de que além do controle político estatal, o Estado chinês assegura que a iniciativa privada exerça uma rígida disciplina do trabalho, com alto nível de exploração de seus operários. Nesses termos, o que a classe trabalhadora “ganha” em termos materiais é pago a um preço inestimável: a rigorosa vigilância sobre suas vidas (monitoramento das migrações, acesso a conteúdos digitais, excessiva burocracia) bem como àquilo que é fundamental, a submissão ao autoritarismo do PCCh, a despeito da participação popular nas deliberações a nível local. Pretendemos compreender as fragilidades do sistema político chinês, isto é, seus pontos de possível vulnerabilidade com base especialmente na obra de Hannah Arendt. Entendemos que suas reflexões sobre poder, violência, autoridade, pluralidade e espaço público podem iluminar os fenômenos políticos e sociais que tem a China como palco. Buscamos, sobretudo, fomentar os debates em torno do intrincado dilema travado entre o reino das necessidades e o reino das liberdades.

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Maria Luiza da Silva Laranjeiras

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Doutoranda em Politica Chinesa na Universidade Tsinghua, Mestra em Estudos Chineses pela Universidade Renmin da China, pesquisa política chinesa, Estado de Direito e legitimidade política. Foi presidente do GECHINA (UnB) e atua na promoção do intercâmbio acadêmico sino-brasileiro sob uma perspectiva do Sul Global.

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Legitimidade pelo desempenho e experimentação pública: legitimidade política no governo chinês

Introdução - A crescente relevância da China no cenário internacional evidencia as limitações de abordagens tradicionais da ciência política que associam a legitimidade política exclusivamente à democracia liberal e à competição eleitoral. O sistema político chinês apresenta uma trajetória distinta, na qual a legitimidade do Estado está fortemente vinculada à sua capacidade de produzir resultados concretos e responder aos desafios sociais, econômicos e políticos. Nesse contexto, o conceito de legitimidade pelo desempenho (performance legitimacy) constitui um importante referencial para compreender a estabilidade do Partido Comunista da China (PCCh). O artigo analisa como a experimentação de políticas públicas se tornou um dos principais instrumentos de governança adaptativa utilizados pelo governo chinês para fortalecer essa forma de legitimidade. Metodologia - A pesquisa adota abordagem qualitativa, fundamentada em revisão bibliográfica sobre legitimidade política, legitimidade pelo desempenho e governança chinesa. O trabalho dialoga com autores clássicos da teoria política, como Max Weber, John Rawls, Joseph Raz, John Locke e Jürgen Habermas, articulando essas perspectivas à literatura especializada sobre política chinesa, especialmente os estudos de Dingxin Zhao, Heike Holbig, Baogang He, Wenfang Tang e Dan Chen. Como ilustração empírica, analisa-se a política de Alívio Direcionado da Pobreza (Targeted Poverty Alleviation), exemplo da utilização da experimentação pública como instrumento de governança. Desenvolvimento - O artigo demonstra que as concepções tradicionais de legitimidade, centradas em fundamentos legais, normativos ou eleitorais, não são suficientes para explicar a estabilidade política chinesa. Na experiência da China, a legitimidade decorre da capacidade do Estado de promover crescimento econômico, estabilidade social, fortalecimento nacional e respostas efetivas às demandas da sociedade. Essa lógica possui raízes históricas na doutrina do Mandato do Céu, segundo a qual o direito de governar depende da capacidade do governante de assegurar ordem e bem-estar à população. Os dados de opinião pública analisados indicam elevados níveis de confiança no governo central, contrastando com avaliações mais críticas das administrações locais. Esse padrão sugere que a população tende a atribuir ao governo central os êxitos das políticas públicas, responsabilizando os governos locais por eventuais falhas de implementação. A expansão dos serviços públicos e a melhoria das condições de vida reforçam a percepção de competência governamental, elemento central da legitimidade pelo desempenho. Como principal evidência empírica, o artigo examina a política de Alívio Direcionado da Pobreza. O governo central incentivou governos locais a desenvolver soluções adaptadas às especificidades regionais por meio de projetos-piloto posteriormente avaliados e incorporados à política nacional quando bem-sucedidos. Iniciativas como reassentamento de famílias, microcrédito, comércio eletrônico rural e capacitação profissional ilustram um modelo de governança baseado na experimentação, no aprendizado institucional e na adaptação contínua das políticas públicas. Considerações finais - Conclui-se que a legitimidade política na China contemporânea não se fundamenta apenas nos resultados econômicos, mas também na capacidade do Estado de adaptar continuamente suas políticas às transformações sociais e aos desafios nacionais. A experimentação pública atua simultaneamente como mecanismo de formulação de políticas e estratégia de legitimação política, permitindo ao governo demonstrar competência administrativa, aprendizado institucional e responsividade. O caso chinês, portanto, desafia interpretações que vinculam necessariamente a legitimidade política à competição eleitoral, evidenciando que formas alternativas de legitimação podem emergir da capacidade adaptativa do Estado e da efetividade de suas políticas públicas.

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Felipe Oliveira

Felipe Fonseca

Mestrando em Estudos Estratégicos Internacionais pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (PPGEEI-UFRGS) e bacharel em Relações Internacionais pela mesma instituição. É membro do Grupo de Estudos sobre China (GECHINA/UnB) e pesquisa política internacional, inserção internacional do Brasil, relações Brasil-China e Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI).

Mediador:

Relações Brasil-China frente à Iniciativa do Cinturão e Rota (2013–2024)

Lançada pela China em 2013, a Iniciativa do Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative – BRI) consolidou-se como um dos principais instrumentos de projeção internacional chinesa, articulando infraestrutura, conectividade e cooperação econômica em escala global. Paralelamente à intensificação das relações sino-brasileiras, o Brasil não aderiu formalmente à iniciativa, embora tenha desenvolvido diferentes formas de aproximação e cooperação com a China. Diante desse cenário, o presente trabalho tem como objetivo analisar a postura da política externa brasileira frente à BRI entre 2013 e 2024, buscando compreender como a iniciativa foi incorporada à agenda e ao discurso diplomático brasileiro e quais fatores condicionaram a posição do país. A pesquisa parte da seguinte questão: como se configura a posição do Brasil em relação à BRI ao longo do período analisado? Parte-se da hipótese de que a ausência de adesão formal não decorre de uma rejeição explícita à iniciativa, mas de uma estratégia de cautela e seletividade associada à preservação da autonomia decisória, à gestão de alinhamentos geopolíticos e à preferência por mecanismos flexíveis de cooperação. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa, de caráter exploratório e explicativo, combinando revisão bibliográfica e análise de conteúdo. O corpus empírico é composto por fontes primárias da diplomacia brasileira, incluindo discursos presidenciais, pronunciamentos do Ministério das Relações Exteriores, notas diplomáticas, documentos estratégicos e relatórios institucionais relacionados à China e à BRI. A análise de conteúdo, orientada pela proposta de Laurence Bardin, busca identificar padrões discursivos, categorias recorrentes e formas de enquadramento da iniciativa. Como resultados preliminares, observa-se um padrão discursivo marcado pela ambiguidade estratégica, ao mesmo tempo em que a China é reconhecida como parceiro econômico e político central, o Brasil evita compromissos institucionais que possam restringir sua margem de manobra internacional. Elementos como autonomia, diversificação de parcerias e cautela aparecem de forma recorrente nas fontes analisadas. Os resultados sugerem, assim, que a não adesão à BRI pode ser compreendida como expressão de uma estratégia de inserção internacional pautada pela flexibilidade e pelo pragmatismo.

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Giovanna Caroline Braga

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Me chamo Giovanna e sou mestranda na pós-graduação da Universidade Federal de Uberlândia. Estou no programa há apenas 6 meses e, inicialmente, minha pesquisa seria sobre Smart Cities na China; no entanto, foi preciso alterar a orientação e atualmente pretendo pesquisar sobre digitalização da agricultura na China.

Mediador:

Shenzhen: um modelo de Smart City socialista do século XXI?

Historicamente, o governo socialista chinês organiza seu território de maneira centralizada, como estratégia de planejamento, visto que, desde a Revolução de 1949, o país já contava com mais de 500 milhões de habitantes (Pomar, 2015), sobre um território continental heterogêneo, com vastas regiões de difícil ocupação. Dessa forma, o Partido Comunista Chinês (PCCh) precisou estabelecer políticas migratórias que coordenassem o deslocamento populacional, sobretudo após o início da industrialização nas regiões litorâneas do país. O caso evidencia, portanto, que a urbanização chinesa se constituiu como um projeto político deliberado, no qual o Estado atuou como agente planejador central na organização do território e dos fluxos populacionais. E nas últimas décadas, esse processo de urbanização adquiriu novas características. A incorporação intensiva de tecnologias digitais, inteligência artificial, big data e sistemas algorítmicos alterou profundamente a forma como o Estado chinês produz, administra e monitora o espaço urbano. Shenzhen tornou-se um dos principais laboratórios desse novo modelo de urbanização. No modelo ocidental de produção, o conceito de smart city muitas vezes é uma forma de continuação potencializada do neoliberalismo (Morozov; Bria 2023), na qual as plataformas digitais e as grandes empresas de tecnologia assumem um papel central na gestão das cidades. Na China, entretanto, a lógica apresenta características distintas. O modelo chinês de produção tem como centralidade o planejamento utilizando o mercado como ferramenta para atingir os objetivos e potencializar as capacidades do e para o Estado. Mesmo com a relevância que a China tem apresentado nos últimos anos na incorporação de tecnologias para pensar o urbano, a literatura sobre a urbanização chinesa no Brasil é limitada; há poucos estudos que examinam de forma sistemática como a incorporação de tecnologias digitais, como big data, inteligência artificial e processamento de dados. Neste sentido, o presente artigo tem como objetivo geral analisar o processo de urbanização chinesa, com ênfase no caso da cidade de Shenzhen, buscando compreender em que medida essa experiência, especialmente em sua fase recente marcada pela digitalização e dataficação, desafia ou redefine as categorias clássicas de análise da produção do espaço urbano. Parte-se do entendimento de que a urbanização na China constitui um fenômeno singular na história contemporânea, tanto pela sua escala quanto pelos mecanismos institucionais e políticos que a sustentaram. No que se refere aos procedimentos metodológicos, a pesquisa será desenvolvida com base em uma abordagem qualitativa. Primeiramente será realizada uma revisão bibliográfica. Serão analisados livros e artigos científicos que tratam da urbanização chinesa e da produção do espaço, para construir um diálogo entre diferentes perspectivas teóricas, além de textos que dão base para os conceitos que serão trabalhados durante o artigo. Além disso, serão utilizados dados secundários de forma complementar, especialmente informações demográficas e urbanas, como taxas de urbanização, crescimento populacional e indicadores econômicos.

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Jandir Oliveira Alves Junior

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Possui graduação em licenciatura em geografia. Atualmente mestrando do programa de pós-graduação em geografia da UFPI. Pesquisador do grupo de pesquisa ''geopolítica, capitalismo e natureza'', e do laboratório de geopolítica e estudos territoriais da UFPI desde 2023. Trabalha com o estudo das relações bilaterais entre brasil e china na geopolítica do capitalismo pós-crise de 2008.

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O conceito de civilização ecológica chinês e a sua transformação em um “desenvolvimento sustentável com características chinesas”

O começo do século XXI trouxe alguns desafios ao modelo de crescimento econômico e desenvolvimento chinês. Com isso, houveram movimentos que buscavam expor as contradições desse modelo desenvolvimentista a todo custo, como as manifestações em Xiamen (2007), Panyu (2009), Nanjing (2011) e Kunming (2013), cada uma com seu contexto e formas de resoluções distintas. Diante disso, o governo chinês retoma o debate acerca do conceito de civilização ecológica, primeiro no governo Hu Jintao (2003-2013) e depois com Xi Jinping (2013-atual). Com o primeiro focado no convívio harmonioso da sociedade com a natureza e o segundo, focado nas questões de modernização tecnológica, científica e logística, focada na infraestrutura do país e abastecimento interno, impulsionado pela iniciativa nova rota da seda. Apesar disso, alguns exemplos como o projeto de transição do carvão para o gás natural na forma de aquecimento e uso na industrialização, e os megaprojetos como a barragem de três gargantas e o projeto de desvio de água sul-norte, evidenciam as contradições e assimetrias desse conceito, o classificando como uma forma de ‘desenvolvimento sustentável com características chinesas’, ou seja, um instrumento glamoroso, retórico, que mascara contradições de um programa político, que deve ser encarado de um ponto de vista mais crítico. Desse modo sendo um processo de modernização ecológica em larga escala, que é conduzido segundo parâmetros autoritários, fortemente dependente de abordagens centradas no viés tecnológico, em megaprojetos de geoengenharia, mas incapaz de responder de maneira efetiva, aos desafios provenientes do aquecimento global, a acidificação dos oceanos, à contaminação do ambiente, o esgotamento e a redução dos recursos naturais e da biodiversidade. As mudanças climáticas surgem de desdobramentos negativos das políticas baseadas no crescimento e modernização a todo custo, transformando assim os esforços chineses em um desenvolvimento sustentável com características chinesas, ou seja, um modelo baseado em megaprojetos que se tornam incapazes de atender as demandas necessárias, centradas na alta tecnologia, o que acaba gerando mais extração de matérias-primas (como no caso das terras raras), além de um programa retórico, que tende a mascarar assimetrias e interdependências, dessa forma abrindo espaço para o colonialismo verde, uma nova fase de expropriação ambiental no Sul-Global que afeta a vida de milhões de seres humanos e não humanos, e compromete ainda mais a biodiversidade, destruindo ecossistemas estratégicos, sobretudo no Brasil.

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Barbara de Castro Moreira Mesquita

Sabriny Pedrosa

Doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais (PPGRI-UERJ). Mestre em Estudos Latino-Americanos e Europeus pelo Erasmus Mundus Master LAGLOBE (Universidad de Salamanca, Stockholm Universitet e Université Sorbonne Nouvelle Paris 3). Internacionalista pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e Pesquisadora do Núcleo de Estudos em Análise de Política Externa e Agenda (NEAAPE).

Mediador:

A regra do consenso como limite à política externa comum do Mercosul: o caso Paraguai-Taiwan nas negociações com a China

O Mercosul vive, em 2026, o momento mais avançado de sua aproximação comercial com a China. Após décadas de resistência liderada pelo próprio Brasil, o governo Lula passou a sinalizar publicamente interesse em um acordo comercial parcial ou em um tratado de livre comércio com Pequim, movimento reforçado por Lula e Xi Jinping que falam em acelerar as tratativas para um futuro acordo, num contexto de guerra tarifária promovida pelos Estados Unidos sob Donald Trump. Esse avanço, contudo, expõe uma fragilidade institucional pouco explorada na literatura: as decisões externas do Mercosul dependem, por desenho normativo (Tratado de Assunção, 1991; Protocolo de Ouro Preto, 1994), de consenso unânime entre seus Estados-parte. O Paraguai, único país sul-americano e um dos doze do mundo a manter relações diplomáticas oficiais com Taiwan, figura como o principal ponto de tensão nesse processo, dado que a política de "Uma Só China" adotada por Pequim exige, como pré-condição para relações diplomáticas plenas, a ruptura de vínculos oficiais com Taipei. Este artigo tem como objetivo investigar como a regra de decisão por consenso do Mercosul lida com a heterogeneidade de alinhamento externo entre seus membros, tomando o caso paraguaio como estudo de caso central. Parte-se da pergunta: em que medida a exceção diplomática do Paraguai constitui um veto efetivo ao avanço das tratativas entre Mercosul e China, ou se, ao contrário, o bloco tem desenvolvido mecanismos informais de acomodação dessa divergência? A hipótese de trabalho é que o impasse não configura um bloqueio absoluto, mas um ponto de barganha política. Autoridades brasileiras já reconhecem que o fator Taiwan "complica, mas não necessariamente exclui" um acordo, enquanto o próprio presidente paraguaio, Santiago Peña, defende publicamente que a negociação ocorra "em nível de bloco, não em nível de país", sem abrir mão da relação histórica com Taipei. Metodologicamente, o trabalho articula revisão de literatura sobre o desenho institucional do Mercosul e seu modelo decisório intergovernamental-presidencialista com análise documental de declarações oficiais, notas diplomáticas e cobertura jornalística do período 2024-2026, período em que o tema ganhou centralidade na agenda do bloco. O caso paraguaio é analisado à luz de fatores domésticos (transformação estrutural da economia paraguaia em torno da soja e do agronegócio exportador, que pressiona por acesso direto ao mercado chinês) e fatores sistêmicos (pressão ativa de Pequim e pressão concorrente de Washington, interessado em manter o Paraguai como último aliado sul-americano de Taiwan). A contribuição pretendida do artigo é, por um lado, atualizar a literatura específica sobre a tríade Paraguai-Taiwan-China à luz do ciclo recente de aproximação entre Mercosul e China, e por outro, contribuir à discussão teórica mais ampla sobre os limites da ação externa comum em blocos regionais organizados por regras de unanimidade, em diálogo com precedentes como o próprio acordo Mercosul-União Europeia, cuja tramitação de 25 anos revela como o bloco historicamente lida com suas próprias fissuras internas.

GT 3: RI - Presencial

Michel Adriano Szurkalo

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Sociologo, especialista em Gestão Pública e trabalhou por cerca de 10 anos como assessor
político na SRI do Partido dos Trabalhadores. Atualmente é mestrando em Economia Política Mundial e pesquisa sobre a relação interpartidárias internacionais.

Mediador:

Guanxi como gramática das Relações Internacionais: da teoria relacional à diplomacia interpartidária chinesa

Este artigo examina o percurso do guanxi — conceito originalmente restrito à análise antropológica e intercultural da sociedade chinesa — em direção ao núcleo das Relações Internacionais contemporâneas, tanto como categoria teórico-ontológica quanto como instrumento efetivo da diplomacia interpartidária chinesa. O objeto da pesquisa é precisamente este trânsito conceitual e operacional: como o guanxi deixou de ser uma prática micro-social para se tornar categoria legítima de análise da política externa chinesa e do sistema internacional emergente. Os objetivos centrais são três: sistematizar a literatura que promoveu a elevação do guanxi de categoria micro-social a unidade ontológica do sistema internacional; demonstrar sua operacionalização como instrumento de política externa chinesa por meio da diplomacia de partido-a-partido conduzida pelo Departamento Internacional do Partido Comunista da China; e identificar tensões persistentes entre projeto normativo, essencialismo cultural e instrumentalização estratégica. A metodologia adotada é qualitativa e consiste em revisão crítica e analítica da literatura, articulando genealogia conceitual confuciana, sistematização paradigmática e casos empíricos contemporâneos. O recorte privilegia três frentes: o paradigma emergente do guanxismo na disciplina, com destaque para os trabalhos de Rochat e Kavalski; a teoria relacional chinesa de Qin Yaqing e sua interlocução com autores ocidentais como Kurki e Guzzini; e a aplicação empírica do conceito na rede interpartidária chinesa no Sul Global, com ênfase na África, na competição sino-indiana e na difusão de modelos de governança em partidos parceiros. Argumenta-se que existe uma continuidade disciplinar entre a teoria relacional, o paradigma emergente do guanxismo e a prática diplomático-partidária, sustentada pelo conceito de guanxi. A investigação se insere nos estudos sobre a China no Brasil ao oferecer uma chave analítica não essencialista para interpretar a presença chinesa contemporânea no sistema internacional, dialogando com a literatura crítica pós-colonial e fornecendo subsídios conceituais para análises sobre a projeção chinesa na América Latina e no Sul Global — temas em expansão no campo brasileiro de Estudos sobre a China. Como agenda de pesquisa, o artigo propõe estudos comparativos da diplomacia interpartidária chinesa em outras regiões, investigações empíricas sobre a recepção local do guanxi junto a lideranças partidárias parceiras, e o diálogo sistemático entre teoria relacional chinesa e relacionalismo em RI ocidental. Conclui-se que o guanxi constitui simultaneamente vocabulário central de uma Escola Chinesa de RI em consolidação, infraestrutura analítica da relational turn e instrumento diplomático estatal-partidário operacionalizado em rede global.

GT 3: RI - Presencial

Alex Sidarta Guglielmoni

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Alex Sidarta Guglielmoni é pesquisador em Relações Internacionais (MSc — PPGRI‑UFSC) e Consultor Sênior em Análise de Negócios, com foco em mercados de energia, investimento estrangeiro direto e relações Brasil–China entre 2010–2024.

Mediador:

China’s Participation in Investments in Electricity and Gas in Brazil between 2010 and 2024

According to data published by the Central Bank of Brazil, changes can be observed in the ranking of the countries that invested the most in Brazil between 2010 and 2024. In recent years, China has played a significant role in investments across various sectors of the Brazilian economy. However, until the 1990s, the main international actor in Asia in terms of GDP was Japan, and from the 2000s onward, China emerged as a major player in GDP growth and foreign direct investment in Brazil. The justification for choosing this topic is based on the fact that China has led as the largest investor in Brazil’s electricity and gas sector since 2016 and as the largest Asian investor in Brazil across all sectors since 2017. The research question guiding this study was: how did China’s participation in investments in electricity and gas in Brazil develop between 2010 and 2024? The general objective of this research is to conduct a qualitative and quantitative analysis that contributes to describing China’s participation over the years until it became the largest investor in this sector in Brazil. To achieve this general objective, three specific objectives were established: a) to analyze FDI in Brazil by country, sector, and year; b) to analyze bilateral international acts concluded by Brazil; c) to carry out a comparative analysis of Brazil-China and Brazil-Japan relations based on FDI values and bilateral acts concluded. The theoretical framework used in this research addresses perspectives related to the concepts of energy diplomacy, alliances, international cooperation, business to-business relations, and state-to-business relations in international relations. To obtain empirical results, the research analyzed data published by the Central Bank of Brazil, which compiles foreign direct investment values in Brazil by year, country, and sector. As a result, it is observed that China overtook Japan in investments in electricity and gas in 2015. From 2016 onward, Japan ceased to be the largest Asian investor in Brazil, being surpassed by China. It is concluded that China first assumed the leading role as the largest Asian investor in this sector, later became the largest Asian investor in Brazil, and ultimately the largest investor among all countries in the electricity and gas sector in Brazil. This research does not aim to exhaust the topic of Chinese investments in the energy sector but rather seeks to contribute details on the historical total investment value during the proposed period and to analyze, in qualitative and comparative terms, the 10 countries that invested the most in Brazil in this sector. This study may assist policymakers, researchers, and the wider community interested in the topic.

GT 3: RI - Presencial

Sabriny Pedrosa

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Sabriny Pedrosa é economista, graduada pela UFF e mestre em Economia Aplicada pela UFJF. É doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da UERJ (PPGRI/UERJ), vinculada ao NEAAPE, com pesquisa voltada ao papel das empresas estatais chinesas na política externa da China para a América do Sul.

Mediador:

Empresas Estatais e Política Externa Chinesa: a atuação da State Grid no Brasil (2010–2025)

A literatura sobre política externa chinesa concentra-se na liderança política, no PCC e na posição da China no sistema internacional. Já a literatura sobre capitalismo de Estado mostra que as SOEs tornaram-se protagonistas da expansão internacional chinesa, sobretudo após a criação da SASAC (2003) e sua consolidação sob Xi Jinping (2013). Essas agendas raramente dialogam, o que abre uma lacuna: qual o papel das empresas estatais chinesas na formulação e implementação da política externa da China, particularmente para o Brasil? O artigo tem como objeto o papel das grandes SOEs centrais, vinculadas à SASAC, na política externa chinesa. A hipótese central é que sua internacionalização ampliou sua relevância política no aparato decisório chinês, tornando-as simultaneamente instrumentos de implementação e atores capazes de influenciar a formulação. Hipótese complementar: quanto maior a inserção internacional de uma SOE, maior sua capacidade de influenciar essa coordenação. O objetivo geral é analisar o papel das SOEs chinesas na formulação e implementação da política externa da China para o Brasil, por meio de quatro objetivos: discutir a evolução das SOEs no capitalismo de Estado chinês; mapear sua inserção político-burocrática; examinar seus mecanismos de participação na implementação; e avaliar sua influência sobre as prioridades dessa política. Teoricamente, o artigo articula a Foreign Policy Analysis aplicada à China (Lampton, com sua tese da pluralização dos atores decisórios), a literatura sobre capitalismo de Estado (Naughton, Tsai, Pearson) e a leitura de Isabela Nogueira sobre a imbricação entre Partido-Estado e classe capitalista chinesa. Wendy Leutert oferece a ponte central: as SOEs estão incorporadas às hierarquias do Estado e do Partido, constituindo organizações híbridas não redutíveis a burocracias clássicas nem a atores privados. Argumenta-se que as SOEs são atores relevantes de política externa por controlarem recursos estratégicos à projeção chinesa, e que sua incorporação reflete essa pluralização, em diálogo com a teoria relacional de Qin Yaqing. Metodologicamente, adota-se estudo de caso único, tendo a State Grid como empresa analisada no Brasil. O mapeamento cobre suas relações com a SASAC e a NDRC, a interlocução com a embaixada chinesa, sua participação em fóruns bilaterais e sua atuação no setor elétrico brasileiro, com base em análise documental e na literatura sobre investimentos chineses em infraestrutura no Brasil (Hiratuka). Espera-se demonstrar que a State Grid não opera apenas como instrumento passivo da política externa de Pequim, mas como organização híbrida que participa da operacionalização de objetivos estratégicos chineses na América do Sul. A contribuição é dupla: teoricamente, uma ponte pouco explorada entre a FPA e os estudos de capitalismo de Estado; empiricamente, um mapeamento sistemático da atuação de uma SOE central chinesa no Brasil.

GT 3: RI - Presencial

Jéssica Regina Guerra de Souza

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Mestranda em Relações Internacionais pela Universidade Federal do ABC (UFABC) e bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Pesquisa temas relacionados a desdolarização, BRICS, relações Brasil-China, inserção internacional da China e outros.

Mediador:

Financial Statecraft Defensivo: As iniciativas financeiras chinesas e a busca por uma autonomia econômica seletiva

O debate sobre a desdolarização global tem atribuído à China um papel de destaque na construção de uma ordem monetária alternativa ao dólar estadunidense. Este artigo tem como objetivo questionar essa interpretação. O argumento central é que as iniciativas financeiras chinesas não configuram uma estratégia de substituição da hegemonia do dólar, mas sim de Financial Statecraft Defensivo, isto é, a construção de autonomia monetária e financeira suficiente para sobreviver a choques externos sem assumir os custos institucionais inerentes ao status de moeda internacional dominante e à consequente internacionalização plena do renminbi (RMB). Mobilizando os conceitos de Financial Statecraft Defensivo (FSD) de Steil e Litan (2006) e Armijo e Katada (2015) – entendido como adoção de práticas que tem o objetivo de proteger o status quo, preservando a autonomia econômica e política interna de um Estado – de Economic Statecraft (ES) de Baldwin (2020) e de Poder Estrutural de Strange (1987), o artigo demonstra que o projeto financeiro chinês é, em sua essência, defensivo. Metodologicamente, faz-se uma análise qualitativa das iniciativas financeiras chinesas, complementada pela aplicação da tipologia de Armijo e Katada (2015) como chave de classificação e interpretação da natureza dessas iniciativas. O recorte concentra-se em quatro instrumentos (CIPS, yuan digital, swaps cambiais bilaterais e petroyuans), no período que vai da crise financeira de 2008 aos desdobramentos recentes das sanções à Rússia em 2022. A análise percorre três eixos: o dólar como mecanismo de poder estrutural e coerção; o dilema institucional do Partido Comunista Chinês, que torna a plena internacionalização do RMB estruturalmente inviável; e as iniciativas de diversificação financeira chinesas, interpretadas como componentes coerentes de um projeto defensivo. No campo dos estudos sobre China no Brasil, o trabalho dialoga diretamente com a produção nacional sobre internacionalização do RMB e assimetrias do SMI, oferecendo um contraponto às leituras mais entusiasmadas – recorrentes no debate brasileiro sobre o Sul Global e o BRICS+ – que tendem a superestimar o potencial desdolarizador da China e a tratar sua expansão financeira como prenúncio de uma ordem monetária alternativa; o artigo argumenta, em vez disso, que essa expansão é da inserção internacional chinesa.

GT 3: RI - Presencial

Gustavo Pasqueta

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Gustavo Pasqueta é mestrando em Estudos Asiáticos na Universidade de Ciências Sociais de Ancara (ASBU), bolsista do programa Türkiye Bursları. É bacharel em Relações Internacionais pela Universidade Estadual Paulista (UNESP); durante a graduação, participou do Programa de Intercâmbio Ibero-Americano Santander, cursando um semestre letivo na Universidade de Coimbra, em Portugal. Também foi selecionado para o Acampamento de Verão do Instituto Confúcio (2019), onde realizou estudos culturais e linguísticos na Universidade de Hubei, na China.

Mediador:

A Geopolítica da Governança da IA: Uma Análise Temática de Segurança e Desenvolvimento no Plano de Ação da China para a Governança Global da IA ​​(2025)

O contexto político global emergente caracteriza-se pela crescente competição entre os EUA e a China no campo da Inteligência Artificial (IA), refletindo simultaneamente avanços tecnológicos e vulnerabilidades, como a manipulação de dados. Este artigo examina a perspectiva chinesa por meio do Plano de Ação para a Governança Global de IA (2025), apresentado na Conferência Mundial de Inteligência Artificial (World Artificial Intelligence Conference - WAIC). Considerando a Visão Holística de Segurança Nacional (VHSN) da China que enfatiza a interdependência entre segurança e desenvolvimento e em consonância com políticas internas como as Medidas Provisórias para a Administração de Serviços de Inteligência Artificial Generativa (2023), esta pesquisa contribui para a literatura sobre segurança em IA e preenche lacunas em estudos sobre o papel da China como empreendedora de normas na governança de IA. O estudo investiga: de que maneira o Plano de Ação para a Governança Global de IA da China estabelece a relação entre segurança e desenvolvimento, e como essas estruturas refletem os princípios fundamentais da governança interna de IA do país? Metodologicamente, aplica-se a Análise Temática Reflexiva, identificando quatro temas: Desenvolvimento, Segurança, Cooperação Internacional e Infraestrutura de IA. A análise demonstra que o Plano estabelece a segurança e o desenvolvimento como pilares interdependentes, afirmando a supervisão estatal e legitimando princípios internos como uma alternativa global.

GT 3: RI - Presencial

Gabriel Rodrigues Gesteira

Pedro Augusto Lourenço Cerqueira

Gabriel Rodrigues Gesteira - Mestrando no Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC, membro e pesquisador do GEDCC e MIGREPI, pesquisa Política da Ásia (foco na China), Migrações e Análise de Política Externa.

Pedro Augusto Lourenço Cerqueira - Discente na UFABC nos Bacharelados de Ciência & Tecnologia e Ciência da Computação. Membro do GEDCC, Pesquisa Soberania Digital e de Dados, Desenvolvimento de Software Livre, Cenário tecnológico e político chinês.

Lattes do Co-Autor: https://lattes.cnpq.br/8902414120549830

Mediador:

A Imigração Chinesa em São Paulo e seus festivais

A imigração chinesa no Brasil remonta o século XIX e se intensifica no final do século XX até o presente. A maioria dos imigrantes e descendentes chineses se situa no Estado de São Paulo, com destaque aos que habitam a capital homônima com sua residência e comércios localizados principalmente nos bairros da Liberdade, Brás e na rua 25 de março. Esses imigrantes passam por experiências de ressignificar sua cultura chinesa dentro do Brasil enquanto buscam preservá-la, junto dos desafios e avanços da comunidade na integração à sociedade brasileira. Diferentes autores apontam que a organização de atividades artísticas e culturais, em especial festas e festivais, colaboram para a conexão do imigrante com o seu país receptor. Essas atividades costumam ser organizadas por organizações de imigrantes e podem contar com apoio governamental tanto do país de origem de emigrantes quanto o de destino. Essa pesquisa, então, de tipo exploratória, investiga os festivais chineses que ocorrem na cidade de São Paulo, com objetivo de: 1) mapeá-los; 2) analisar as ligações que possuem com a história da imigração chinesa e seus lugares na cidade de São Paulo; 3) compreender como se dá o apoio governamental e de organizações a esses festivais. Será utilizado como metodologia revisão de literatura, pesquisa documental e pesquisa de campo (que poderá ser no formato de entrevista, visita à instituições ou visita à festivais). O recorte se dá a partir do ano de 2023 quando o Festival da Lua Chinês foi oficialmente realizado pela primeira vez (após entrar no calendário oficial da cidade de São Paulo em 2019), até o ano de 2026, denominado Ano Cultural Brasil-China. Esta pesquisa se insere nos estudos sobre China e Brasil ao verificar os desdobramentos culturais das migrações chinesas em São Paulo.

GT 3: RI - Presencial

André Augusto de Paula Barbieri

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Doutor em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), atualmente pós-doutorando em Filosofia pela USP. Autor do livro "China: onde os extremos se tocam".

Mediador:

Visões sociológicas da China no século XIX: Karl Marx e Max Weber

Karl Marx (1818-1883) e Max Weber (1864-1920) foram representantes seminais do pensamento sociológico. Sua influência sobre a fortuna crítica mundial transcende a quadra histórica em que viveram. Explica-se, em parte, esse influxo sobre os trabalhos sociológicos, econômicos e filosóficos posteriores pela combinação particular que estabeleceram entre teoria e prática. Ambos buscaram contribuir, por caminhos avessos, nas transformações que se operaram na economia e na política mundiais fruto das guerras napoleônicas e do Congresso de Viena (1814-1815). Marx desenvolveu sua teoria como uma crítica da economia política do capital, cujo modo específico de produção buscou compreender e expor em sua obra, com o objetivo de pensar a emancipação da humanidade diante das cadeias de exploração mediante a autodeterminação histórica dos seus segmentos mais oprimidos. Weber desenvolveu sua teoria como justificativa do modo de ser do capital, e buscou compreender as raízes desse modo de produção nas representações simbólico-religiosas (como o protestantismo) e sua relação com as formas específicas de dominação estatal no Ocidente. Marx foi o fundador da Associação Internacional dos Trabalhadores, que visava uma organização coordenada dos esforços das classes subalternas em todo o mundo no enfrentamento à espoliação capitalista. Weber trabalharia junto ao Estado imperial alemão com a finalidade de expandir seu papel na ordem global, com a unificação nacional de 1871. É curioso que tanto Marx quanto Weber tenham dedicado parte substancial de sua atenção ao Oriente, em particular à China. Como mostra Kevin Anderson (2019), em diálogo crítico com Edward Said, Marx teve interesse particular em estudar, já na década de 1850, a situação de povos orientais como a Índia e a China, e o impacto do colonialismo britânico sobre as sociedades asiáticas. Weber, pouco depois da Revolução Xinhai de 1911, dirigia seu olhar às possibilidades do desenvolvimento capitalista na China. O sociólogo de Erfurt preocupou-se com as sociedades orientais já em um estágio tardio de sua produção intelectual, estudando as formações religiosas da Ásia. Em seu ensaio A religião da China, publicado em 1915, busca compreender a relação entre as prédicas centrais do confucionismo e do taoísmo e a ausência do desenvolvimento de uma “racionalidade capitalista” na China. Queremos abordar essas diferenças em contexto. Como se deu, na visão particular de cada um deles, a entrada do capital europeu na China? Que tipo de formação política se encontrava na China, e que tipo de efeitos sociais Marx e Weber elencam como os principais? Essa leitura busca colocar em contraste as abordagens teórico-históricas distintas de duas figuras seminais do pensamento sociológico sobre a China, com o objetivo de contribuir para a compreensão de aspectos da teoria de ambos.

GT 5: Economia - Presencial

Danilo Augusto da Silva Horta

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Doutorando e Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Política da Universidade Estadual de Campinas (PPGCP/UNICAMP). Graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU).

Mediador:

A Política Externa Chinesa durante a Revolução Cultural (1966-1976): transformações na política externa maoista?

Desde sua fundação em 1949, derivada da vitória do Partido Comunista Chinês (PCCh) na guerra civil contra o Kuomintang, a República Popular da China (RPC) apresentou diversas inflexões em suas políticas doméstica e externa. As grandes inflexões existentes nesses âmbitos tornam possível subdividir a política da RPC em fases, apesar das formas de realizar essas subdivisões variarem de autor para autor. Em geral, parcela majoritária da bibliografia acadêmica especializada realiza subdivisões com base nas políticas e visões de mundo dos líderes mais poderosos a comandarem o PCCh, a saber, Mao Zedong, Deng Xiaoping e Xi Jinping. Apesar disso, enquanto existe um amplo número de estudos e pesquisas sobre as políticas externas da China comandada pelos dois últimos líderes, em termos relativos, a política externa da China maoista permanece pouco explorada, sobretudo na academia brasileira. Além disso, grande parte dos estudos realizados sobre a política externa maoista são abrangentes e, portanto, não exploram as transformações desta política ao longo do período em que a China foi comandada por Mao (1949-1976). Nesse sentido, o presente trabalho tem por objetivo compreender e discorrer acerca das transformações que se processaram na política externa chinesa ao longo da Revolução Cultural (1966-1976), visando demonstrar as especificidades desta política nesse período, as contradições em relação as políticas aplicadas no âmbito doméstico e as diferenças em relação ao período predecessor. As hipóteses deste trabalho são: 1) apesar dos fortes ataques e perseguições aos opositores no Partido durante a Revolução Cultural, Mao Zedong e os maoistas lidaram com forças partidárias opositoras com crescentes poderes desde o fracasso do Grande Salto Adiante (1958-1962). Tais forças, lideradas por Zhou Enlai, tinham concepções opostas sobre as relações com o exterior e acabaram prevalecendo sobre as dos maoistas; 2) diferente do pregado pela bibliografia corrente, a política externa maoista, durante a Revolução Cultural, apresentou tanto aspectos ideológicos quanto aspectos pragmáticos; estes últimos levaram a grandes contradições entre o pregado no âmbito doméstico e o realizado no âmbito externo; e 3) durante a Revolução Cultural quebrou-se o autoisolamento da China no Sistema Internacional, visto que o país passou a se relacionar, principalmente, com países capitalistas; neste sentido, a política externa da Revolução Cultural teria criado as bases para as inserção internacional observada após a morte de Mao. A fim de verificar as hipóteses expostas, o presente trabalho parte do método de abordagem hipotético-dedutivo e os seguintes métodos de abordagem: 1º) revisão bibliográfica, com foco na política externa maoista e nas disputas intrapartidárias durante a Revolução Cultural; 2º) análise documental de documentos produzidos por Mao Zedong no período 1966-1976, com destaque para aqueles que versam sobre a ordem internacional.

GT 3: RI - Presencial

Lucas Vinícius dos Santos Macêdo

Mel Capobianco; Lucas Enriquez Rocha; Francisco Secaf Alves Silveira.

Lucas Vinícius dos Santos-Macêdo is a Master’s Student in Law and Development at Fundação Getulio Vargas (FGV Direito SP), funded by the São Paulo Research Foundation (FAPESP – Grant No. 2026/03515-1). He holds an LL.B. from the State University of Maringá (UEM). Lucas Enriquez Rocha is a researcher affiliated with the GEBRICS Research Group at the University of São Paulo (USP). He holds a Law degree from USP and conducts research on foreign policy, green energy, and emerging technologies, with particular interest in the BRICS countries and international affairs. His work also includes publications on technology and privacy law.

Francisco Secaf Alves Silveira holds a Ph.D. in Economic and Financial Law from the University of São Paulo (USP). His research focuses on tax law, public finance, fiscal policy, and inequality. He is a researcher and lecturer with extensive academic and professional experience in public and financial law, with publications addressing constitutional and fiscal issues in Brazil. Mel Capobianco is LL.M. Candidate in International Tax Law at University of Amsterdam. Graduate from Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas.

Mediador:

Tax Policy and Industrial Innovation: The Electric Vehicle Sector in Brazil and China

The global shift toward electric mobility repositions taxation as a central instrument of industrial innovation policy. This article asks what function tax instruments play in orienting innovation trajectories and structuring technological development in the electric vehicle (EV) sector in Brazil and China, with the aim of assessing whether the fiscal incentives adopted by each country reflect coherent strategies for building sectoral technological capabilities. The comparative framing is grounded in the asymmetry between the two countries: China has established itself as the world's largest EV market and producer, while Brazil holds a strategic position as a supplier of battery-critical minerals and an increasingly prominent destination for Chinese investment in the sector. The study adopts a qualitative approach, combining (i) a narrative literature review, (ii) documentary research on primary legal and regulatory sources, and (iii) comparative analysis across three analytical dimensions — the institutional design of incentive regimes, their alignment with broader innovation policies, and their effects on sectoral technological capabilities. The findings suggest that China has systematically embedded tax policy within a long-term innovation strategy, coordinating consumer incentives, production-side tax relief, and market protection. Brazil, by contrast, displays a more fragmented trajectory, shaped by tensions between domestic industry pressures, decarbonization commitments, and the still-unfolding effects of the 2023 tax reform. The study contributes to ongoing debates on the institutional conditions that determine the effectiveness of tax policy as a driver of innovation.

GT 4: Investimentos - Online

André Ricardo Valle Vasco Pereira

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Professor Associado do Departamento de História da UFES, Doutor em Ciência Política pelo IUPERJ, pesquisando agora parcerias entre China e o estado do Espírito Santo

Mediador:

Espírito Santo x China: o caso da Baosteel e da GWM

Este trabalho trata das tentativas de constituição de parcerias bilaterais entre a China e o estado do Espírito Santo, no Brasil. A tese defendida é a de que a efetivação de parcerias bilaterais entre o Brasil e a China dependem, também, da participação ativa de atores que se localizam nos estados. Em governos do Partido dos Trabalhadores (PT), foram elaboradas políticas públicas que visavam a efetivação de parcerias com a China. De forma mais específica, no segundo mandato de Lula, a Vale S. A. passou a ser pressionada pelo governo federal a agregar valor aos produtos que exportava. Como resultado, e tendo a relação privilegiada com a China como mercado consumidor, a empresa buscou uma joint venture com a Baosteel Group Corporation, configurada por meio da Companhia Siderúrgica de Vitória, criada em 2007. Por cerca de dois anos, o negócio foi considerado sólido, com a adesão ativa do governo do estado e das elites econômicas capixabas. Ou seja, tais atores agiram a partir do projeto elaborado pelas empresas e pela intervenção do governo federal, mas tendo em vista sua visão do processo. Porém, a joint venture foi desfeita em 2009, com explicações pouco convincentes para os observadores locais, especialmente com relação ao veto por razões de impacto ambiental. Mais adiante, com o retorno do PT ao governo federal, em 2023, novamente foram elaboradas políticas públicas para promover a aproximação com a China. Neste processo, a economia capixaba foi beneficiada, por meio da transformação de seu sistema portuário em porta de entrada para carros elétricos da China. Este novo esforço levou, mais uma vez, o governo do estado e suas elites a buscar algum aproveitamento, o que resultou no fechamento de um acordo com a Great Wall Motors (GWM) para a instalação de uma fábrica em Aracruz. Este projeto se encontra em andamento. Sua continuidade, contudo, depende do resultado da eleição para a presidência da República, já que os atores locais não são proativos no processo de integração com a economia chinesa. Para entender este argumento, a chave interpretativa usada aqui e que busca dialogar com a literatura sobre o tema foca no projeto de desenvolvimento das elites locais capixabas, centrado em um modelo neoliberal de Estado, com forte controle de despesas e, ao mesmo tempo, benefícios fiscais agressivos para a atração de investimentos de qualquer origem que seja (o que desconsidera as especificidades das parcerias com a China). Este trabalho leva em conta a literatura sobre o tema, partindo do clássico de Keohane e Nye (1972), e chegando ao conceito de paradiplomacia (Duchacek, 1990; Soldatos, 1990). Aplicado ao caso brasileiro, são considerados os processos de relações diretas subnacionais entre Brasil e China (Alvarenga et al., 2020; Sousa; Rodrigues, 2024). O caso da Baosteel é estudado por Isabella Barbosa (2010) e Josilene Corrêa (2013), de forma distinta, contudo, ao que se defende aqui. Já o exemplo da GWM é abordado apenas para sua primeira fábrica no Brasil, em Iracemópolis, SP (Oliveira Neto, 2025; Souza et al., 2025), necessitando de maior desenvolvimento.

GT 4: Investimentos - Online

Guilherme Stefan

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Doutorando no Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Bolsista de Doutorado da CAPES. Pesquisador integrante do Centro para Direito, Globalização e Desenvolvimento. E-mail: guilherme.stefan@gmail.com.

Mediador:

Investimento estrangeiro chinês no Brasil: cooperação e concorrência como uma nova categoria de análise

O fenômeno da ascensão da China como grande emissor de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no século XXI é um dos marcos da economia política internacional contemporânea e um dos assuntos mais proeminentes nas discussões acerca do Direito Internacional Econômico. No Brasil, essa presença consolidou-se a partir de 2010, com aportes que superam 70 bilhões de dólares, tornando o país um dos principais destinos globais do capital chinês. Todavia, a literatura especializada frequentemente se encontra aprisionada em uma disputa de narrativas binomiais: de um lado, por exemplo, a visão da China como parceira do Sul Global para o desenvolvimento; de outro, a percepção de uma potência neocolonial voltada ao controle de ativos estratégicos e recursos naturais. Esta pesquisa identifica uma lacuna teórica na literatura sobre investimento estrangeiro chinês no Brasil por meio dessas abordagens simplistas, que tendem a classificar esses aportes sob antíteses de "positivo" ou "negativo", muitas vezes enviesadas por aspectos econômicos e políticos. Diante desse cenário, o trabalho estabelece a seguinte pergunta de pesquisa: com base na regulação do IED chinês no Brasil, que se manifesta em múltiplos níveis, é possível afirmar que a China opera, simultaneamente, sob as lógicas de cooperação e concorrência? A presente investigação propõe uma análise, com base na literatura sobre o assunto, multidimensional que desmistifica as percepções usuais ao sustentar que o IED chinês opera, simultaneamente, sob as lógicas de cooperação (objetivos comuns de longo prazo) e concorrência (benefício próprio e retornos imediatos). Metodologicamente, emprega-se a matriz de análise de três níveis: macro (acordos bilaterais e diplomacia econômica), meso (regulação interna e órgãos de controle) e micro (governança corporativa e contratos sociais). No nível macro, observa se que os acordos bilaterais refletem as metas dos planos quinquenais chineses, evidenciando uma coordenação estatal que transcende a lógica puramente de mercado. No nível meso, o capital chinês demonstra adaptabilidade institucional, submetendo-se ao arcabouço regulatório brasileiro, embora sua concentração em setores sensíveis desperte debates sobre a necessidade de mecanismos de triagem (screening) por segurança nacional. No nível micro, a estratégia de "localização" e o uso de "shadow management" permitem que as empresas chinesas absorvam o conhecimento operacional local enquanto mantêm o alinhamento com as diretrizes de Pequim. Ao fim, a pesquisa busca demonstrar que a complexidade da inserção chinesa no Brasil não permite reducionismos, mas demanda uma análise multifacetada, capaz de evidenciar tensões entre diferentes níveis de regulação. O investimento estrangeiro chinês revela uma "autonomia embutida" que, se por um lado provê liquidez e infraestrutura, por outro pode cristalizar assimetrias produtivas e a reprimarização da pauta exportadora.

GT 4: Investimentos - Online

Bianca Glória França de Oliveira Chagas

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Mestranda em Desenvolvimento Regional e Urbano pela UNIFACS, o resumo originou-se do meu TCC na graduação em Relações Internacionais, o meu atual tema de pesquisa é sobre dinâmicas urbanas, redes de cidades e investimento externo direto chinês.

Mediador:

Explorando a Nova Rota da Seda na América do Sul: uma análise sistemática dos investimentos na região entre 2013 e 2024

Este trabalho analisa a presença da Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI), popularmente conhecida como Nova Rota da Seda, na América do Sul, mapeando investimentos e projetos de construção realizados pela China entre 2013 e 2024 nos nove países sul-americanos formalmente aderentes à iniciativa — Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Guiana, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. O objetivo central é identificar níveis de investimento, setores beneficiados, tipos de participação (investimento direto ou construção) e atores empresariais envolvidos, de modo a compreender como a China utiliza a BRI como instrumento de poder e de aprofundamento da interdependência econômica e geopolítica com a região. Metodologicamente, a pesquisa combina levantamento quantitativo, com triangulação de dados extraídos do Green Finance & Development Center, do Belt and Road Portal e do American Enterprise Institute, organizados em planilha padronizada e analisados por meio de tabelas dinâmicas, com análise qualitativa fundamentada na Teoria da Interdependência Complexa de Robert Keohane e Joseph Nye e no debate sobre Cooperação Internacional para o Desenvolvimento. O recorte empírico abrange 134 projetos mapeados entre 2013 e 2024, totalizando mais de 95 bilhões de dólares, concentrados majoritariamente nos setores de energia e metais e nos três maiores receptores — Peru, Argentina e Chile —, que juntos correspondem a mais de 65% do volume investido na região. Os resultados evidenciam uma relação de interdependência assimétrica, em que os investimentos chineses em infraestrutura energética, mineração e logística geram benefícios como modernização e conectividade, mas também aprofundam a dependência econômica e a vulnerabilidade política dos países receptores, sobretudo daqueles com menor capacidade de barganha, como Bolívia e Suriname. A pesquisa se insere nos estudos sobre a China no Brasil e na América Latina ao oferecer um mapeamento sistemático e atualizado da presença chinesa na América do Sul, região frequentemente eclipsada nas análises sobre a BRI voltadas à Ásia, à África e à Europa, contribuindo para o debate acadêmico brasileiro sobre governança global, cooperação Sul-Sul e os efeitos estratégicos da ascensão chinesa sobre a autonomia e o desenvolvimento regional, com implicações comparativas relevantes para o próprio Brasil enquanto parceiro estratégico da China.

GT 4: Investimentos - Online

BERNARDO MOTA BRUM KOMAKI DE PAULA

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Graduado em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e atualmente mestrando em Direito, sendo bolsista de mestrado na mesma instituição. Integro o grupo de pesquisa CNPq Direito, Globalização e Desenvolvimento.

Mediador:

Como os EUA entendem investimentos chineses como uma ameaça à segurança nacional?

Diante dos conflitos comerciais motivados pelo avanço da República Popular da China (RPC) em pesquisa, desenvolvimento e na redução dos custos de produção e implementação de tecnologias domésticas e de infraestrutura de telecomunicações, atrativas a diversos Estados, este trabalho busca elucidar o entendimento norte-americano do termo “segurança nacional”, a fim de compreender os seus apelos às exceções presentes no General Agreement on Tariffs and Trade (GATT) e no Trade-Related Aspects of Intellectual Property Rights (TRIPS). Essas ações são pautadas em uma interpretação própria do conceito, usada para embasar o rechaço à implementação das tecnologias chinesas, bem como para influenciar aliados e países periféricos a adotarem condutas similares. Assim, o método empregado é empírico-indutivo, consistente em revisão bibliográfica e em análises qualitativas dos posicionamentos estadunidenses relativos aos acordos internacionais GATT e TRIPS no ramo de telecomunicações. Por fim, os resultados indicam que a compreensão dos Estados Unidos da América (EUA) adota um entendimento mais abrangente quando comparado com a da World Trade Organization (WTO). Enquanto a comunidade internacional percebe “ameaças à segurança nacional” como aquelas de caráter atentatório à integridade territorial de um Estado ou de conflito militar iminente, em contrapartida, os EUA percebem o conceito como algo mais extensivo, intencionalmente vago, que engloba ameaças econômicas e tecnológicas à sua hegemonia, além de levar em consideração a possibilidade de espionagem em suas telecomunicações.

GT 4: Investimentos - Online

Samuel Spellmann Cavalcanti de Farias

Alice Maria Abraçado, Martins Amaral (UFPA) Bruno dos Santos Almeida (UFPA) Fabrizio Wenzio Monteiro dos Reis (UFPA) Manuela Rodrigues Alves (UFPA)

Samuel Spellmann é doutor em relações internacionais (PUC Minas) tendo o foco das suas pesquisas em economia política da China. Já os coautores são graduandos em direito pela Universidade Federal do Pará.

Mediador:

A atuação do estado do Pará na exploração chinesa amazônica e os impactos sobre o direito à consulta prévia ao povo Munduruku

Este artigo analisa como o Estado brasileiro e o governo do Pará desempenham papel proativo em tornar o projeto ferroviário Ferrogrão (EF-170) acessível ao investimento estrangeiro, atuando como facilitadores da entrada de capital externo por meio do posicionamento do terminal da ferrovia no Porto de Miritituba, em Itaituba (PA). Sob perspectiva técnico-jurídica, examina-se a inobservância do direito à consulta prévia, livre e informada do povo Munduruku, do médio Tapajós. Adotou-se abordagem qualitativa, fundada em revisão bibliográfica e em análise normativa e documental, tendo como fontes principais a Convenção n.º 169 da OIT, o art. 231 da Constituição Federal e a Lei n.º 13.452/2017, originada da MP n.º 758/2016, que reduziu os limites do Parque Nacional do Jamanxim e viabilizou o traçado da ferrovia. O trabalho sustenta que o interesse chinês na região não decorre de imposição direta, mas de condicionamento estrutural. Em 2025, a China absorveu US$11 bilhões das exportações paraenses, 45,6% do total estadual. Essa concentração da demanda opera ao lado da oferta de capital para infraestrutura, evidenciada nos memorandos firmados pelo governo do Pará com a China Communications Construction Company, de R$7 bilhões em 2019 e cerca de R$10 bilhões em 2023, este último assinado em Pequim. A EF-170, orçada pela ANTT em mais de R$20 bilhões, insere-se nesse arranjo como peça do escoamento pelo Arco Norte, tendo seu potencial atrativo divulgado em roadshows dirigidos a empresas e bancos chineses. Verifica-se, assim, a articulação entre o histórico do Brasil como provedor de commodities e a diplomacia de infraestrutura de uma China semiperiférica em disputa por influência.Como resultado, argumenta-se que a pressão pela flexibilização das salvaguardas socioambientais é exercida por atores domésticos que internalizam a demanda externa, e não pelo investidor estrangeiro, o que configura dependência associada e não subordinação imposta. Nesse arranjo, os impactos socioambientais superam os benefícios do setor logístico e recaem sobre os povos tradicionais. Investigam-se as manifestações do povo Munduruku, em conjunto com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), durante o julgamento que manteve a redução do Parque Nacional do Jamanxim, medida que pode ampliar o desmatamento regional, bem como a denúncia da ativista Alessandra Korap Munduruku quanto à inobservância da consulta prévia. Conclui-se que a violação transcende o direito ao território e alcança a tutela da ancestralidade, na qual o vínculo do povo com a terra assume caráter identitário histórico.

GT 4: Investimentos - Online

Francisco Douglas de Sousa Silva

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Francisco Douglas de Sousa Marques, Universidade Federal do Ceará, mestrando no Programa de Pós-Graduação da UFC, pesquisa relacionada aos investimentos chineses no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no Ceará.

Mediador:

O Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CE) no rol dos investimentos chineses, da circulação global e da reconfiguração territorial

O presente estudo analisa as transformações territoriais decorrentes da intensificação dos fluxos de mercadorias e capital associados aos investimentos chineses no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). Neste caso, o porto é entendido como um conjunto de fixos estratégicos, articulados aos fluxos internacionais com importante papel na reorganização da circulação internacional. Idealizado no início do século XXI para atender à demanda da indústria de base do estado em exportar seus produtos para novos mercados, hoje o CIPP funciona como um nó logístico estratégico no Atlântico Sul, articulando fluxos globais e desempenhando papel central na inserção do Ceará na economia-mundo. O recorte temporal e teórico dessa investigação se concentra, sobretudo, entre 2015 e 2025, no contexto de implementação do grande projeto Belt and Road Initiative (Nova Rota da Seda) pela China. A BRI é uma estratégia geopolítica voltada à expansão das redes de infraestrutura, circulação e integração econômica com o Sul global. Na vertente marítima dessa iniciativa, observa-se um estreitamento de laços na relação sino-cearense, em especial através dos investimentos no CIPP, tendo seu ápice na rota direta com o País Asiático inaugurada no ano de 2025. Dessa maneira, o estudo parte da hipótese de que os investimentos chineses associados ao CIPP intensificam a inserção do Ceará nas redes globais de circulação e contribuem para a ressignificação do território em escala regional. Assim, a pesquisa se insere nos estudos sobre a China no Brasil ao discutir a expansão geopolítica chinesa para a região Nordeste do País, com enfoque no Complexo Industrial e Portuário do Pecém, no estado do Ceará. O objetivo dessa investigação é compreender de que forma a relação entre o CIPP e o capital chinês se materializa na ressignificação territorial em escala local e regional, bem como essa relação insere o CIPP nas dinâmicas globais de circulação e integração econômica. A pesquisa dialoga com interpretações distintas do processo de ascensão econômica da China no cenário internacional, discutindo se esses investimentos configuram uma cooperação com benefícios mútuos entre os países do Sul global. Dessa maneira, esse estudo mantém uma abordagem de caráter quali-quantitativa, permitindo a articulação entre análises estatísticas e interpretações dos processos territoriais observados, fundamentando-se na análise de dados referentes à movimentação de cargas, balança comercial, investimentos estrangeiros, geração de empregos e participação econômica do Complexo Industrial e Portuário do Pecém no contexto estadual. Portanto, esse trabalho visa contribuir para o debate sobre a atuação da China no Brasil ao evidenciar que os investimentos chineses em infraestrutura logística reconfiguram o território e interferem na inserção do Ceará nas redes mundiais de circulação.

GT 4: Investimentos - Online

Lucas Frederico Ortiz Paniagua

Nilmar Rippel; Mayara Araujo

Lucas Frederico Ortiz Paniagua é doutorando em Geografia pela UFGD, bolsista da CAPES, e realizou estágio de doutorado sanduíche na Chinese Academy of Agricultural Sciences (CAAS), em Pequim, com bolsa do CNPq. Desenvolve pesquisas nas áreas de desenvolvimento regional e políticas de modernização agrícola nas relações Brasil-China.

Nilmar Rippel é doutorando em Geografia pela UNIOESTE, com bolsa CAPES, onde realizou o primeiro doutorado sanduíche na Universidad Complutense de Madrid e o segundo, na Chinese Academy of Agricultural Sciences (CAAS), em Pequim com financiamento do CNPq. Suas principais áreas de pesquisa são desenvolvimento econômico, investimento externo direto e relações Brasil-China

Mayara Araujo é professora/lecturer na Escola de Comunicação Internacional da Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang, na China. Pesquisadora associada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Disputas e Soberanias Informacionais (INCT-DSI). Doutora em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense.

Mediador:

O Brasil na Geopolítica das Terras Raras diante da rivalidade tecnológica entre China e Estados Unidos

O desenvolvimento tecnológico no século XXI é pautado pela emergência de dois atores: os Estados Unidos e a China. A modernização tecnológica é considerada um dos principais, senão o principal, fatores que impulsionam a transição das dinâmicas geopolíticas de poder (Kennedy & Lim, 2018). Não somente, a tecnologia é um motor central do desenvolvimento econômico (Schumpeter, 1984 [1911]), premissa que vem sendo discutida desde o início do século XX. Entende-se que a inovação induz o crescimento através do progresso técnico, levando-o a uma nova configuração de seu estágio anterior. Nesse quadro, as terras raras (conjunto de 17 elementos essenciais para a produção de alta tecnologia) vêm se tornando fonte de crescentes disputas nos últimos anos, e o Brasil possui uma posição central nesse embate, tendo em vista que o país é o segundo maior produtor desses minerais do planeta (Loureiro e Santos, 2013). O Brasil situa-se, portanto, em meio às tensões entre as duas potências mundiais. Tal quadro é particularmente digno de atenção, pois o Brasil é o maior país da América Latina e uma das 15 maiores economias mundiais, mas ainda carece de um desenvolvimento industrial capaz de processar esse material e atingir o Catching Up tecnológico, o que o rege a uma posição periférica nas dinâmicas geopolíticas de poder global. Sendo assim, levantamos a seguinte questão: De que maneira o Brasil pode utilizar a disputa tecnológica entre a China e os Estados Unidos pelas terras raras como uma oportunidade para fortalecer sua base industrial e ampliar a produção de bens tecnologicamente sofisticados? Partimos da hipótese de que a cooperação entre o Brasil e a China no setor de terras raras pode contribuir para o desenvolvimento da capacidade brasileira de processar esses minerais e reduzir a dependência tecnológica externa. Contudo, essa aproximação tende a intensificar as pressões geopolíticas exercidas pelos Estados Unidos em território brasileiro. Como metodologia, utilizamos uma abordagem qualitativa mista: de um lado, optamos pela revisão sistemática da literatura (Okoli, 2019) sobre o posicionamento da China em relação à questão tecnológica no Sul Global; do outro, realizamos uma análise documental (Bowen, 2009) do 14º Plano Quinquenal da China (2021-2025) e do 15º (2026–2030).

GT 4: Investimentos - Online

Lívia Adriana Costa Estevam da Silva

Alexis Toríbio Dantas

Lívia Adriana Costa Estevam da Silva é mestranda em Economia pela UERJ (PPGCE) e pesquisadora do NUCLEAS/UERJ, dedicando-se a temas como Política Externa, BRICS e a inserção internacional do Brasil.

Alexis Toríbio Dantas é Doutor em Economia (UFRJ) e Professor Titular da UERJ, atuando com foco em Organização Industrial, Mercosul, BRICS, Relações Internacionais e desenvolvimento nacional.

Mediador:

RELAÇÕES SINO-BRASILEIRAS: A DINÂMICA DO INVESTIMENTO ESTRANGEIRO NO SETOR PORTUÁRIO NACIONAL BRASILEIRO

O artigo se insere no contexto da intensificação das relações econômicas entre Brasil e China no século XXI. O estudo enfatiza um dos principais gargalos para o desenvolvimento brasileiro — a infraestrutura logística — e analisa como o capital chinês tem atuado de forma estratégica no setor portuário, que é vital para o escoamento de commodities e para o comércio exterior do país. O presente artigo tem como ponto central avaliar a dinâmica do investimento chinês na infraestrutura portuária brasileira e levantar os efeitos dos IEDs (Investimentos Estrangeiro Direto) chineses na modernização da infraestrutura e na eficiência operacional dos portos brasileiros. A pesquisa adota na metodologia uma análise qualitativa, fundamentada em uma revisão bibliográfica de estudos acerca das relações sino-brasileiras e do setor de infraestrutura portuária. O estudo é complementado pela análise descritiva de dados secundários, extraídos de bases de instituições relevantes, como o CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China), UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) e ANTAQ (Agência Nacional de Transportes Aquaviários). Os resultados indicam que a relação sino-brasileira no setor portuário representa o encontro da necessidade estrutural do Brasil com a oportunidade estratégica da China sobre os portos brasileiros. Destacam-se: 1. Evolução do IED chinês, pois concentravam-se investimentos no setor de energia e commodities e, atualmente direcionam na infraestrutura logística e Tecnologia da Informação (TI); 2. Estratégia chinesa pela expansão da Iniciativa Cinturão e Rota e; 3. Concentração logística nos portos do Sul e Sudeste brasileiro, que provocam ineficiência e desigualdade de desenvolvimento regional. O estudo conclui que a relação sino brasileira no setor portuário tem potencial para ampliar os benefícios e mitigar os riscos de dependência excessiva e, por isso, é crucial que o Brasil adote políticas assertivas e uma ampla visão de longo prazo mais amplo de desenvolvimento logístico nacional. Além disso, torna-se fundamental a transferência tecnológica e o direcionamento dos investimentos para o plano de desenvolvimento logístico. Por fim, o relançamento do Novo PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) representa uma porta para o governo brasileiro alinhar o capital chinês, e estrangeiro, aos projetos estratégicos de modernização portuária.

GT 4: Investimentos - Online

Felipe Silva Alves

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Formado em RI pela Unesp, atualmente é mestrando em EPI pelo PPGRI Santiago Dantas pesquisando a cooperação energética sino-brasileira.

Mediador:

Investimentos chineses na América Latina e Caribepela Iniciativa Cinturão e Rota: Perspectivas para a Agenda 2023 e implicações para o Brasil.

A pesquisa como objeto a cooperação econômica e política entre a China e os países da América Latina e Caribe (ALC) no âmbito da Iniciativa Cinturão e Rota (ICR), com ênfase em suas implicações para a promoção do desenvolvimento sustentável à luz da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), bem como em seus impactos para o Brasil. Inserida no campo das RI e dialogando com a EPIe a geoeconomia, a pesquisa parte do entendimento de que a ICR constitui uma plataforma estratégica de inserção internacional da China, capaz de gerar oportunidades de desenvolvimento e desafios estruturais para os países parceiros. O objetivo geral do estudo é analisar as implicações políticas e econômicas da cooperação entre a China e a ALC, mediada pela Iniciativa Cinturão e Rota, para o desenvolvimento sustentável regional e para o Brasil. Como objetivos específicos, busca-se: (i) examinar a inserção da ALC na ICR, identificando padrões setoriais e institucionais da cooperação; (ii) avaliar o alinhamento da iniciativa com a Agenda 2030 e os ODS; e (iii) discutir os potenciais benefícios e riscos de uma eventual adesão brasileira à ICR. A pergunta que orienta o trabalho é: em que medida os investimentos chineses via Iniciativa Cinturão e Rota contribuem para a promoção da Agenda 2030 na ALC e quais são suas implicações para o Brasil? Do ponto de vista metodológico, a pesquisa adota abordagem qualitativa, de caráter descritivo e analítico, baseada em análise documental e bibliográfica. Foram examinadas fontes primárias, como documentos oficiais do governo chinês, relatórios de organismos internacionais e bases de dados sobre investimentos chineses no exterior, além de fontes secundárias, incluindo literatura acadêmica especializada e estudos de centros de pesquisa. A análise concentrou-se na sistematização dos princípios, instrumentos institucionais e padrões ambientais associados à ICR, bem como na avaliação comparada do desempenho de países da região e da China em relação aos ODS, buscando identificar convergências, limites e assimetrias na cooperação sino-latino-americana. Os resultados indicam que a Iniciativa Cinturão e Rota atua como relevante plataforma de financiamento e investimento em infraestrutura, ampliando o acesso a recursos e promovendo padrões discursivos e institucionais relacionados ao desenvolvimento sustentável. Entretanto, observa-se que a efetividade da promoção da Agenda 2030 por meio da ICR depende das capacidades institucionais dos países participantes, do caráter voluntário das diretrizes ambientais e da existência de mecanismos de governança e monitoramento mais robustos. No caso brasileiro, a análise evidencia oportunidades de diversificação econômica, financiamento de infraestrutura e cooperação em setores estratégicos, como energia e sustentabilidade. Por outro lado, persistem desafios relacionados à reprimarização produtiva, à dependência externa e à garantia de padrões ambientais adequados. Conclui-se que a maximização dos benefícios da cooperação com a China exige estratégias nacionais capazes de alinhar a inserção internacional do Brasil aos seus objetivos de desenvolvimento sustentável e autonomia econômica.

GT 4: Investimentos - Online

Laura Brand Fabrizio

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Mestranda pelo Programa de Pós-Graduação em Relações Internacionais da Universidade Federal de Santa Catarina (PPGRI/UFSC) e graduada em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Maria (RI/UFSM). É membra do Grupo de Pesquisa em Economia Política dos Sistemas-Mundo (GPEPSM/UFSC). Atualmente vem pesquisando sobre a China na economia-mundo capitalista.

Mediador:

A geoeconomia dos investimentos externos diretos da China e dos Estados Unidos no Brasil (2000–2025)

A pesquisa analisa a dimensão geoeconômica dos investimentos externos diretos (IEDs) da China e dos Estados Unidos no Brasil, no período de 2000 a 2025, buscando compreender como os fluxos internacionais de capital se articulam a estratégias de acumulação de capital e poder na economia-mundo capitalista. O objetivo consiste em comparar as estratégias de internacionalização do capital via IEDs dos dois países, identificando diferenças quanto aos setores priorizados, às modalidades de investimento, à relação entre Estado e empresas e aos objetivos estratégicos associados à expansão econômica. A pesquisa parte da seguinte questão: em que medida os investimentos chineses e estadunidenses no Brasil expressam estratégias geoeconômicas distintas e o que essas diferenças revelam sobre as transformações conjunturais da economia-mundo capitalista? Inserido na perspectiva da Economia Política Internacional e da Economia Política dos Sistemas-Mundo, o estudo articula uma breve análise das trajetórias históricas de acumulação de China e Estados Unidos às transformações contemporâneas do capitalismo histórico, considerando o contexto de crise sistêmica, as discussões sobre a hegemonia estadunidense e a reemergência chinesa, sem pressupor uma transição hegemônica inevitável. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa qualitativa e quantitativa, de caráter exploratório e comparativo, que combina revisão bibliográfica e levantamento, sistematização e análise de dados sobre IEDs provenientes de bases oficiais e especializadas, entre elas o Banco Central do Brasil, o Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), a ApexBrasil e o Bureau of Economic Analysis (BEA), além de relatórios e fontes secundárias. A investigação busca identificar padrões de distribuição setorial, modalidades de entrada, características institucionais dos investidores e tendências de longo prazo dos investimentos chineses e estadunidenses no Brasil. Os resultados parciais indicam que, embora ambos os países utilizem os IEDs como mecanismos de expansão internacional do capital, suas estratégias apresentam diferenças relevantes. Os investimentos chineses demonstram maior presença em setores considerados estratégicos, como infraestrutura, energia, logística e mineração, envolvendo empresas estatais e grandes conglomerados e apresentando maior articulação com projetos de longo prazo. Os investimentos estadunidenses, por sua vez, mantêm maior concentração em serviços, finanças e segmentos associados à valorização privada do capital. Nesse sentido, ao comparar a presença econômica chinesa com a estadunidense no Brasil, a pesquisa contribui para os estudos sobre a China no país ao analisar a expansão dos investimentos chineses não apenas sob a perspectiva comercial ou bilateral, mas como parte de uma estratégia geoeconômica inserida nas transformações da economia-mundo capitalista e nas disputas contemporâneas por acumulação e poder.

GT 4: Investimentos - Online

Juliano Jacinto Cardoso

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Mestrando em Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Atua como docente na UEG no curso de Administração de Empresas, com interesse em pesquisas sobre desenvolvimento regional, infraestrutura de transportes, logística, inovação tecnológica e políticas públicas voltadas ao desenvolvimento territorial.

Mediador:

Desenvolvimento ferroviário chinês e possibilidades de adaptação ao contexto brasileiro: uma análise guiada pelos desafios do desenvolvimento regional em Goiás

A infraestrutura de transportes constitui um dos fundamentos materiais do desenvolvimento econômico e da integração territorial. Em países de grande extensão, como Brasil e China, a organização dos sistemas logísticos influencia diretamente a circulação de mercadorias, a localização de atividades produtivas, a formação de mercados regionais e a capacidade de articulação entre áreas produtoras, centros consumidores e rotas de exportação. Nesse contexto, as ferrovias assumem papel estratégico, pois possibilitam o transporte de grandes volumes em longas distâncias, com menor custo relativo por tonelada transportada e maior previsibilidade operacional quando comparadas ao predomínio do transporte rodoviário em determinadas cadeias produtivas. Este artigo analisa comparativamente os modelos de desenvolvimento ferroviário da China e do Brasil, com foco nas possibilidades de adaptação de princípios chineses ao contexto do estado de Goiás. Para o Brasil, e especialmente para Goiás, a comparação com a experiência chinesa é pertinente porque o desafio ferroviário envolve não apenas construir trilhos, mas definir prioridades territoriais, garantir financiamento, integrar modais e alinhar infraestrutura a objetivos de desenvolvimento. Estudos e debates sobre a Ferrovia Transcontinental Brasil-Peru, por exemplo, mostram a relevância do Centro-Oeste e de Goiás em projetos de conexão ferroviária de escala continental. Goiás possui posição estratégica na logística nacional, mas ainda enfrenta limitações para transformar essa localização em vantagem competitiva plena. O estudo da China pode auxiliar na formulação de diretrizes mais integradas para o planejamento ferroviário goiano. A pesquisa parte da seguinte questão: quais aspectos do modelo de desenvolvimento ferroviário chinês podem ser adaptados ao contexto brasileiro, especialmente ao território goiano, para promover maior eficiência logística, integração territorial e desenvolvimento regional? O estudo adota abordagem qualitativa, exploratória e comparativa, baseada em revisão bibliográfica e análise documental de relatórios técnicos, planos governamentais, estudos sobre investimentos chineses, documentos sobre logística brasileira e pesquisas sobre desenvolvimento regional em Goiás. Argumenta-se que a experiência chinesa não deve ser tomada como modelo a ser reproduzido, dadas as diferenças políticas, institucionais e federativas entre os dois países. Contudo, ela oferece princípios úteis para a formulação de estratégias ferroviárias em Goiás, especialmente planejamento de longo prazo, coordenação institucional, financiamento estruturado, integração intermodal e articulação entre infraestrutura, produção e território. Conclui-se que a ampliação ferroviária em Goiás pode contribuir para reduzir custos logísticos e fortalecer cadeias produtivas, desde que seja planejada como política de desenvolvimento regional e não apenas como corredor de escoamento de commodities.

GT 5: Economia - Presencial

AMADU DJAU

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Doutorando em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), Campus de Francisco Beltrão. Desenvolvo pesquisas sobre investimentos chineses na África e no Brasil, Estudos sobre Migrações Internacionais.

Mediador:

Investimentos Chineses em Infraestrutura no Brasil: implicações para o desenvolvimento econômico

Com o presente resumo pretende-se demostrar a expansão e a transformação dos investimentos estrangeiros diretos chineses no Brasil no período de 2000 a 2026, considerando as mudanças estruturais ocorridas na economia mundial e o aprofundamento das relações econômicas principalmente, comerciais e estratégicas entre os dois países. O objeto de estudo consiste nos investimentos diretos realizados por empresas chinesas no território brasileiro, com ênfase na evolução dos fluxos de capital, na distribuição espacial dos projetos em infraestrutura portuária e ferroviária. O recorte temporal proposto compreende um período marcado por importantes transformações na inserção internacional da China, especialmente após sua entrada na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, acontecimento que contribuiu para ampliar sua integração à economia global e fortalecer sua participação nos fluxos internacionais de comércio e investimento (WORLD TRADE ORGANIZATION, 2001). Paralelamente, a formação e a consolidação dos BRICS, inicialmente constituídos por Brasil, Rússia, Índia e China, e posteriormente ampliados, representaram um importante espaço de articulação política e econômica entre países emergentes, contribuindo para o fortalecimento das relações sino-brasileiras e para a construção de novas dinâmicas de cooperação Sul-Sul (Oliveira, 2010; Becard, et al. 2015). A partir dos anos 2000, observa-se uma intensificação da presença chinesa no Brasil, inicialmente associada à busca por recursos naturais, commodities e acesso ao mercado consumidor, mas que progressivamente passou por um processo de diversificação setorial, no qual a área de infraestrutura tem se configurado entre os principais setores de atuação do capital chinês no Brasil (CEBC, 2024). Desse modo, o objetivo geral consiste em compreender a dinâmica dos investimentos diretos chineses no Brasil entre 2000 e 2026 como foi referido anteriormente; identificar as principais características da participação chinesa em projetos de infraestrutura no Brasil e suas transformações ao longo do período; avaliar suas contribuições para o desenvolvimento econômico e industrial do país. Em vista disso, a metodologia de estudo fundamenta-se em uma abordagem qualitativa e quantitativa, de caráter exploratório, descritivo e analítico. Tende a articular revisão bibliográfica e documental com levantamento e análise de dados sobre os investimentos estrangeiros diretos chineses no Brasil. Serão utilizadas informações provenientes de instituições nacionais e internacionais, relatórios empresariais, documentos oficiais, bases estatísticas e estudos especializados sobre as relações econômicas sino-brasileiras. Diante do exposto, vale destacar que a relevância da pesquisa reside na necessidade de compreender o papel da China na atual reconfiguração da economia mundial e os efeitos de sua crescente presença econômica no território brasileiro. O estudo contribui para o debate sobre investimentos estrangeiros, relações Sul-Sul, desenvolvimento territorial; permitindo identificar tanto as oportunidades associadas à entrada de recursos chineses e suas fábricas na indústria brasileira, quanto a abertura de debates para a interpretação crítica sobre a evolução da presença chinesa no Brasil e sobre as novas formas de articulação entre capital, indústria e desenvolvimento no contexto da economia global.

GT 5: Economia - Presencial

Tiago Camarinha Lopes

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Tiago Camarinha Lopes é professor de Economia Política da Universidade Federal de Goiás e foi visiting scholar da Faculdade de Marxismo da Northeast Normal University, Changchun, China entre 2025 e 2026.

Mediador:

O manual de Economia Política da Escola de Marxismo Inovador da Escola de Shanghai

Durante minha estadia entre julho de 2025 e março de 2026 como pesquisador visitante na Faculdade de Marxismo da Northeast Normal University (NENU), Changchun, China, tive a oportunidade de me aprofundar nos escritos do professor Cheng Enfu, assim como entrevistá-lo ao longo de uma tarde em uma sessão de seminário coletivo. Cheng Enfu é um dos principais economistas Marxistas acadêmicos da China e presidente da WAPE (World Association for Political Economy). Sua obra funciona como base para o desenvolvimento de toda uma Escola de Pensamento Econômico que é conhecida como Escola de Marxismo Inovador na China ou Escola de Economia de Shanghai. O pensamento econômico da Escola em torno de Cheng Enfu pode ser interpretado como um projeto de fundamentação teórica para a política econômica da Reforma e Abertura iniciado em 1978. Cheng Enfu lidera um grupo de intelectuais e acadêmicos no campo da Economia Política que trabalha para fornecer uma sustentação teórica propriamente Marxista para a política econômica contemporânea chinesa, buscando uma continuidade construtiva na linhagem Xi Jinping - Deng Xiaoping - Mao Zedong - Stalin - Lenin - Engels e Marx. As tensões e contradições envolvidas com a modernização chinesa desde o final dos anos 1970 não são vistas por Cheng Enfu como elementos de enfraquecimento da sistematização teórica, mas sim como eixos estimulantes de uma abordagem extremamente à vontade com as relações entre contrários. Sua apresentação mais organizada sobre a Economia Política da China ressalta justamente a dialética como forma de aprendermos a essência do sistema chines (Cheng Enfu, 2019). Em especial, durante minha preparação para a viagem, ainda no Brasil, me chamou a atenção a existência de um livro-texto assinado por Cheng Enfu e colegas, intitulado Modern Political Economy: A New Coursebook (Cheng Enfu, Feng Jinhua, Ma yan and Ding Xiaoqin, 2023). Minha curiosidade derivava do fato de que, na história do debate econômico sobre a transição do capitalismo ao socialismo, já havia um acúmulo importante em termos de sistematização teórica. Principalmente nos anos 1950, houve um esforço coletivo enorme na URSS para se construir um manual de Economia Política que funcionasse como uma plataforma de síntese, mas também de base para a elaboração crítica das inovações da Economia Política Marxista após a conquista do poder político. A liderança política soviética de então, e a chinesa agora, reconhece a importância de se construir uma ferramenta didática no campo da Economia Política na forma de um livro-texto ou manual que consiga estruturar o debate entre economistas. Esta comunicação apresenta o Manual de Economia Política da Escola de Marxismo Inovador de Shanghai, pontuando seus principais elementos em uma perspectiva crítica e construtiva.

GT 5: Economia - Presencial

Júlio Lopes

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Mestrando em Economia pela Universidade Estadual de Campinas, graduado pela mesma universidade. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em economia da China, políticas econômicas e empresas estatais

Mediador:

Papel das Empresas Estatais para o desenvolvimento econômico chinês

Desde o período de planejamento centralizado da economia chinesa, as empresas estatais tiveram papel de destaque na organização da produção e distribuição de recursos na sociedade da China. Essa comunicação visa apresentar os resultados parciais de um trabalho cujo objeto de análise é a função desempenhada por essas empresas, desde o início do processo de Reforma e Abertura, em 1978, até os dias atuais, levando em conta os aspectos institucionais e econômicos relevantes nos diferentes momentos do ciclo de crescimento econômico. O objetivo é a caracterização das estatais sob ótica da literatura internacional e chinesa, descrevendo seu funcionamento, seus setores de atuação, suas relações com outros atores econômicos, sua contribuição para o Sistema Nacional de Inovação e suas interações com políticas econômicas e seu papel em momentos de incerteza. Para tal, será levantada bibliografia relevante das áreas de economia, governança corporativa, finanças, administração, políticas públicas, inovação, entre outras correlatas ao funcionamento das empresas estatais, que associados à dados quantitativos do National Bureau of Statistics of China, FMI, OCDE, entre outros organismos multilaterais serão utilizados em análise quantitativa e institucional acerca das diferentes funções exercidas pelas estatais em diferentes momentos do ciclo. A contribuição da pesquisa para os estudos de Brasil e China se insere nas vertentes de desenvolvimentismo, contribuindo para o entendimento dos pontos fortes e fracos da atuação das estatais no país asiático com potenciais insumos para acadêmicos e policymakers brasileiros com visão de longo prazo.

GT 5: Economia - Presencial

Pablo Augusto Tallini

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Possui graduação em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Paraná (2017). Mestre em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Paraná (2020). Doutorando do programa de pós-graduação em Teoria Econômica da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Pesquisador no tema de Finanças Funcionais e entes subnacionais chineses.

Mediador:

Local Government Financing Vehicles (LGFVs) como promotores do desenvolvimento de infraestrutura e do crescimento econômico da China

A presente pesquisa investiga a evolução do sistema fiscal chinês e o papel central dos governos locais na promoção do desenvolvimento e do crescimento econômico. O objetivo central do trabalho é analisar as condições institucionais que permitiram aos entes subnacionais chineses mobilizar dívida e crédito como instrumentos de política pública e financiamento do desenvolvimento, mesmo diante de restrições fiscais severas impostas pelo governo central e, fundamentalmente, da total ausência de soberania monetária ao nível local. A metodologia adotada consiste em uma análise histórico-institucional dividida em três fases fundamentais: a centralização inicial sob o modelo de planejamento (1949-1978), a descentralização experimental via sistema de contratos fiscais (1979-1993) e o movimento de recentralização consolidado pela Reforma de Repartição Tributária (Tax-Sharing System) de 1994. O recorte da investigação volta-se para as consequências fiscais e econômicas da Lei Orçamentária de 1994, que proibiu formalmente os governos locais de emitirem dívida direta ou contraírem empréstimos bancários, consolidando um desequilíbrio fiscal vertical estrutural no qual a arrecadação foi recentralizada enquanto as responsabilidades de gasto permaneceram majoritariamente descentralizadas. Para contornar essa restrição orçamentária e financeira, os governos locais mobilizaram recursos por mecanismos indiretos e "ocultos", notadamente os Local Government Financing Vehicles (LGFVs). Essas empresas operam como instrumentos de flexibilização fiscal, captando recursos no sistema bancário e no mercado de capitais através da emissão de títulos conhecidos como Chengtou bonds. A mobilização desses recursos é viabilizada pelo aporte de ativos públicos, como direitos de uso da terra e infraestrutura existente (pontes e rodovias), que servem como colateral para lastrear as operações financeiras das empresas estatais locais. Tal comportamento é reforçado pelo modelo de "torneios políticos", no qual autoridades locais competem pelo desempenho do PIB regional em busca de promoção política dentro da hierarquia do Partido. A pesquisa evidencia que a expansão da infraestrutura chinesa foi viabilizada por esse endividamento indireto que transformou o sistema bancário estatal em um canal de financiamento flexível para entes que, embora não possuem poder de emissão monetária. O tema é relevante diante da importância dada aos governos locais chineses em contexto de reforma fiscal. Por fim, este trabalho insere-se nos estudos sobre a China no Brasil ao propor uma leitura da governança subnacional chinesa a partir de uma perspectiva brasileira, oferecendo paralelos analíticos para o debate nacional sobre federalismo fiscal, limites do endividamento público e as alternativas de financiamento do desenvolvimento em países de economia emergente.

GT 5: Economia - Presencial

Fernando Martins Ustariz

Wagner Dumont Carver Asao Cruz

Fernando Ustariz: doutorando em Economia Política Mundial (UFABC), professor (UNITAU), pesquisa desenvolvimento econômico e recursos naturais. Wagner Asao Cruz: mestre em Economia Política Mundial (UFABC), pesquisa China e estruturalismo latino-americano.

Mediador:

As Quatro Modernizações (1978-1992) e suas consequências para o desenvolvimento chinês: uma reflexão estruturalista

Nosso trabalho analisa as reformas iniciadas por Deng Xiaoping em 1978, conhecidas como “Quatro Modernizações”, que marcaram uma ruptura estratégica na trajetória da China pós-Revolução Cultural. As reformas objetivavam a modernização de quatro setores considerados estratégicos pelo governo central chinês: agricultura, indústria, defesa nacional e ciência e tecnologia. Estas, por sua vez, reorganizaram a coordenação entre a produção agrícola, as Township and Village Enterprises (TVE’s) e as Zonas Econômicas Especiais (ZEE’s) visando, dentre outros aspectos, construir uma nova inserção da China no comércio internacional. Segundo nossa pesquisa, esse movimento permitiu superar gargalos estruturais de produtividade e introduziu mudanças relevantes, como o sistema de responsabilidade familiar (chengbao) e uma coordenação estatal mais descentralizada. A nova estratégia, ainda, preservou conquistas da revolução enquanto buscava modernizar a indústria e o campo, tendo a superação da defasagem tecnológica e manutenção da soberania como problemáticas centrais. Segundo Pomar (2009), o desenvolvimento do capital tecnológico tornou-se essencial para garantir aumento consistente da produtividade, evitando que a China tornasse-se um país condenado a um “igualitarismo da pobreza”. Isto levou a mudanças quantitativas e qualitativas na pauta exportadora, levando à sua complexificação e garantindo sua inserção competitiva na economia mundial. O estudo delimita seu recorte temporal entre 1978 e 1992, período em que Deng Xiaoping esteve à frente do Partido Comunista Chinês, conduzindo e consolidando as reformas e centra-se na análise da estratégia das quatro modernizações e da sua implementação no entrecho. Para consecução de nosso trabalho temos os seguintes objetivos: apresentar fundamentos da teoria estruturalista clássica, para recortar nossa análise; apresentar o contexto histórico que antecede as reformas, particularmente o período conhecido como século da humilhação (1839-1949) e a trajetória da China pós-revolucionária; e, expostos os conceitos e o contexto histórico, examinar a estratégia e a implementação das quatro modernizações chinesas, em especial o sistema chengbao, as TVE’s, as ZEE’s e as políticas de crédito e financiamento público. Utilizamos o método histórico-estrutural, desenvolvido pela Escola Estruturalista Latino-Americana e fundamentada por pensadores como Furtado e Prebisch no âmbito da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe. Esse método parte da análise dinâmica da relação centro-periferia, destacando obstáculos enfrentados pelos países periféricos, como a deterioração dos termos de troca, a dependência tecnológica e a heterogeneidade estrutural na economia mundial. Adicionalmente, nossa metodologia permite-nos investigar se o modelo de desenvolvimento chinês pode ser considerado, dentro dos conceitos de Furtado (1992), um caso de superação da armadilha do subdesenvolvimento – tema recorrente nesta literatura –, ao enfrentar obstáculos apontados pelos estruturalistas. Por fim, nossa pesquisa se bem-insere nos estudos sobre a China no Brasil ao estabelecer diálogo da trajetória chinesa com a tradição estruturalista latino-americana, cuja análise maiormente circunscreveu-se ao continente americano.

GT 5: Economia - Presencial

José Mateus Estevam Teotônio da Silva

Eduardo Von Dentz

Graduado em Geografia pela Universidade Federal do Ceará (2023) e mestrando em Geografia pela mesma instituição, com bolsa FUNCAP. Desenvolve pesquisas em Geografia Econômica, Planejamento Regional e Ordenamento Espacial, com ênfase no estudo das infraestruturas, das redes técnicas e de suas repercussões sobre a organização do espaço econômico. Atualmente pesquisa a Ferrovia Transnordestina no Ceará sob uma perspectiva geoeconômica.

Mediador:

Espaço Econômico Chinês: Conectividade Através dos Trilhos

Em um cenário de reorganização dos mercados globais e fragmentação geoeconômica, o ordenamento territorial e a conectividade logística tornaram-se elementos cruciais para a resiliência e a soberania nacional. Diante do avanço do protecionismo e da nova regionalização das estruturas produtivas, a China aposta no fortalecimento das cadeias produtivas internas para nortear o planejamento territorial, buscando a blindagem contra choques externos. A partir dos anos 1990, o país promoveu um profundo reordenamento de seu espaço econômico, adotando o modal ferroviário como espinha dorsal desse processo. Diferente de economias periféricas, cujas ferrovias limitam-se a exportar matérias-primas por corredores coloniais de escoamento, o modelo chinês foi desenhado para atuar como elemento coesivo e integrador do mercado doméstico. Esse sistema funciona como uma rede vascular de veias e artérias, unindo espaços especializados que desempenham funções vitais e complementares: as regiões periféricas fornecem energia e matérias-primas essenciais, que fluem continuamente até os hubs e clusters de transformação industrial e tecnológica, considerados o coração pulsante do sistema, de onde a produção final segue para os centros de distribuição voltados tanto ao consumo interno quanto aos portos do litoral. Esse modelo orgânico elevou substancialmente a resiliência chinesa diante das recentes crises geopolíticas e logísticas globais, pois a autonomia produtiva e o fortalecimento do mercado doméstico blindaram o país contra rupturas externas e flutuações de custos internacionais, garantindo a estabilidade do abastecimento por meio da redução drástica dos fretes internos e horizontalização de suas cadeias produtivas interconectadas por sistemas ferroviários de elevada eficiência. Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar a configuração desse espaço econômico como um sistema integrado, identificando a especialização funcional de suas regiões e o papel das conexões férreas como vetores de coesão interna. Busca-se demonstrar como a malha estrutural viabiliza a redução de custos sistêmicos e como os efeitos multiplicadores e transbordamentos econômicos de longo prazo do investimento ferroviário estatal superam sua onerosidade financeira imediata. A pesquisa se justifica pela necessidade de descortinar os retornos sistêmicos invisíveis nos balanços de curto prazo, essenciais para a competitividade global. Além disso, o entendimento dessa engrenagem orgânica serve como espelho para as políticas de ordenamento espacial de outros países emergentes. Muitas dessas nações ainda reproduzem redes de transporte fragmentadas, que apenas ligam o interior agrário ou mineral aos portos. Investigar o caso chinês oferece subsídios teóricos e práticos sobre como estados em desenvolvimento podem utilizar a infraestrutura ferroviária não apenas para transporte, mas como um instrumento deliberado de descentralização industrial, integração nacional e autonomia geoeconômica.

GT 5: Economia - Presencial

Júlia Teixeira Leal

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Doutora em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Atua como pesquisadora em temas como economia internacional; hierarquia monetária; internacionalização de moedas; renminbi, China e economia brasileira.

Mediador:

O papel do renminbi no cenário internacional: desafios e perspectivas

A ascensão da China como uma superpotência econômica e financeira lançou luz para o papel de sua moeda, o renminbi, como uma alternativa para contornar a dominação do dólar americano, especialmente entre os países que buscam estratégias de desdolarização. Desde o início dos anos 2000, a China vem incentivando a internacionalização de sua moeda através de uma série de medidas, no entanto, fatores como o controle estatal e a existência de um sistema financeiro doméstico pouco diversificado são identificados como possíveis impedimentos para o avanço da internacionalização do renminbi (Eichengreen e Kawai, 2014; He, 2015; Prasad, 2016). Em outros termos, o controle é o antídoto da liquidez, tão necessária para a internacionalização de uma moeda. Vê-se, portanto, que existe um paradoxo no processo de internacionalização do renminbi, uma vez que a macroestrutura chinesa se choca com os requisitos observados na literatura existente sobre esse processo (como a total liberalização das taxas de câmbio e de juros). Assim, a posição da China no tabuleiro geoeconômico indica uma “internacionalização com características chinesas”, isto é, uma estratégia de internacionalização singular e única, assim como outras políticas da história da economia chines (Balmas e Howarth, 2024; Eichengreen et al., 2024). A despeito dos obstáculos, a utilização do renminbi no nível internacional vem aumentando nos últimos anos, especialmente devido ao movimento de desdolarização intensificado a partir de 2022, decorrente das sanções impostas pelos Estados Unidos e países europeus no contexto do conflito entre Rússia e Ucrânia. Adicionalmente, Brasil e China vem estreitando suas relações financeiras, com destaque para o projeto de emissão dos chamados Panda Bonds pelo Brasil, o que pode representar mais um pilar da internacionalização do renminbi. Diante do exposto, o objeto da pesquisa é identificar os principais obstáculos institucionais, geopolíticos e estruturais para o avanço da internacionalização do renminbi. Dentre os objetivos estão: (i) analisar as medidas adotadas pelo governo chinês para a impulsionar o processo de internacionalização; (ii) investigar as possibilidades de uma reordenação na hierarquia monetária através da possível ascensão do renminbi; e (iii) avaliar os impactos dos acordos entre Brasil e China. A metodologia a ser utilizada se dividirá em dois eixos: analítico-teórico e empírico. A primeira dimensão consistirá na revisão da literatura através de artigos, livros e informações disponíveis em meios eletrônicos especializados. A análise empírica contará com o levantamento de dados e indicadores quantitativos coletados nas principais fontes. Para identificar as possíveis mudanças no padrão de utilização do renminbi, serão analisados dados sobre os produtos transfronteiriços denominados na moeda chinesa (PBC), participação nos pagamentos globais e no mercado de financiamento comercial (SWIFT), no volume de negócios do mercado de câmbio global (BIS), composição de reservas oficiais (FMI), títulos e depósitos nacionais em renminbi mantidos por entidades estrangeiras (PBC), assim como o relatório mensal Global Currency Tracker, disponibilizado pela SWIFT.

GT 5: Economia - Presencial

Daniel Calheiros dos Santos

Luciano Francisco Lima de Mello

Eu Daniel Calheiros dos Santos, sou recém formado em Bacharel em Geografia pela UNIOESTE. O co-autor, Luciano Francisco Lima de Mello e atualmente Doutorando do PPGGeo na UNIOESTE na área de Geografia econômica.

Mediador:

A ascensão da indústria de jogos eletrônicos na China ao passo da Nova Economia do Projetamento

A indústria de games movimenta bilhões de dólares direcionados a inovação ano a ano, na China, este setor da economia emergiu como um dos mais dinâmicos. Sua ascenção se dá ao passo que o estado chinês passa por diversas reformas econômicas, dando forma ao que Jabbour, et al., (2020, p. 26) classificou como “Nova Economia do Projetamento”. A expansão do mercado de games se beneficia diretamente das diversas tecnologias e avanços tecnológicos do século XXI, barateando o custo de dispositivos móveis como celulares e vídeo games portáteis, ampliando a acessibilidade das classes sociais menos favorecidas. Um fato curioso que demonstra a expressividade dos games dentro da indústria do entretenimento, é que o jogo GTA V, foi o produto de entretenimento que rendeu 1 bilhão de dólares mais rápido, e teve um lucro estimado em 22 vezes, sobre o valor investido (REIS, 2021). Mas voltando ao contexto chinês, suas empresas atuavam como distribuidoras de jogos estrangeiros, especialmente coreanos. Com o tempo, passaram a desenvolver seus próprios títulos, criando um ecossistema competitivo e diversificado. O setor se organizou em dois níveis: grandes corporações como Shanda/Shengqu, NetEase, Tencent, The9 e Giant, que concentravam a maior parte dos lucros, e empresas de segunda linha como, Kingsoft e Perfect World, que atuavam tanto como desenvolvedoras quanto como operadoras de portais e provedores de jogos casuais. Este trabalho se propõe a investigar os fatores econômicos que caracterizam e remoldam o mercado games, bem como analisar os impactos das aquisições e dos investimentos realizados no setor e suas implicações para o mercado global de games. Como metodologia utilizada na elaboração trabalho e análise do objeto de estudo, utilizou-se o levantamento bibliográfico sobre o tema, articulando os trabalhos de Chung e Yuan (2009), Reis (2021), Ozalp (2024) e incluindo portais oficiais das empresas e órgãos públicos que ajudam a explicar e fornecer mais informações detalhadas sobre o tema. Material bibliográfico e estatístico que ajuda a compreender como o mercado de games age de maneira ambígua, no setor econômico, impulsionando a venda de hardwares e softwares, além de ter um peso cultural e social difundido a partir das histórias contadas através dos games. Ao examinar a relação entre o desenvolvimento econômico da China e a expansão internacional de suas empresas, a pesquisa amplia o debate sobre a crescente influência chinesa em setores de estratégicos da economia global.

GT 5: Economia - Presencial

Érico Rodrigo Mineiro Pereira

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Érico Rodrigo Mineiro Pereira, formado em Ciências Econômicas pela UEFS, mestre pela UFRB e pós-graduando em nível de doutorado na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Atuo como professor na UESB e pesquiso a temática EUA, China e Semicondutores

Mediador:

Estados Unidos, China e Política Industrial: avanços e desafios em torno ao melhor circuito integrado (2014/2025)

O século XXI assiste a verdadeira rivalidade tecnológica entre Estados Unidos e China, a qual envolve variadas frentes econômicas e países emergentes. A economia digital, presente a partir de meados da década de 1990, caracteriza-se por mercadorias que funcionam fundamentalmente à base de chips. Diante das muitas informações acerca da política industrial institucionalizada pelos dois países citados com vistas à construção do melhor circuito integrado, objetiva-se com esse trabalho expor paralelo entre as duas políticas públicas, destacando no contexto os avanços conseguidos, os desafios a serem transpostos e os efeitos em países como o Brasil. Analisar a Lei Chips e principais consequências no âmbito do enfrentamento a Pequim por Washignton; investigar o Made in China 2025 (MIC 2025) com suas metas de autossuficiência na busca da soberania técnica e científica, avaliar avanços e desafios em torno à busca ao melhor chip e estudar possíveis efeitos para o Brasil são os objetivos específicos da pesquisa. Conhecer os percursos das políticas industriais envolvidas, monitorar os elos destacáveis da respectiva cadeia produtiva tendo em vista o design, a litografia e a fundição; e examinar dados referentes a patentes e comércio do setor são caminhos aqui escolhidos para alcançar os objetivos expostos. A corrida ora efetuada pelas duas superpotências traz implicações importantes, na medida em que fazem transbordar efeitos. Estados como o Brasil podem se aproveitar do processo, atraindo pesquisa e desenvolvimento (P&D) e trazendo a seu território operações mais amplas do que somente a hospedagem de data centers (Miller, 2026). Sabe-se, de antemão, que enquanto americanos e chineses almejam a liderança geoeconômica, o Brasil se vê às voltas com entraves importantes no setor de microchips.

GT 5: Economia - Presencial

Natiele Aparecida Minusculi

Ousmane Diao; Amadu Djau;

Natiele Aparecida Minuscli: Mestranda em geografia na Universidade Estadual do Oeste do Paraná - Unioeste (Campus Francisco Beltrão). Licenciada em Informática pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR (Campus Francisco Beltrão). Possui experiência na área de Educação, com ênfase em Informática. Linha de interesse na pesquisa de Desenvolvimento Econômico, Dinâmicas Territoriais de cooperação tecnológica Brasil e China; Inovação Tecnológica; Redes de cooperação interncional; Modernização da Agricultura. https://orcid.org/0009-0002-7025-456X

Ousmane Diao: Graduado em Relações Internacionais pela universidade Federal Fluminense (UFF), Instituto de Estudos Estratégicos e Mestrando em Geografia pela Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE) Programa de Pós-Graduação em Geografia.
Realizando pesquisas relacionados de aos seguinte: Desenvolvimento Econômico, Dinâmicas Territoriais e a Nova Rota da Seda (China-África). https://orcid.org/0009-0004-6797-9425

Amadu Djau: Graduado em relações Internacionais pela Universidade Federal Fluminense UFF, Mestre e Dourando pela UNIOESTE, campus de Francisco Beltrão, Paraná, pesquisador de temas como Migrações e parcerias de diversas áreas entre China-África e China-Brasil. https://orcid.org/0009-0009-8480-3989

Mediador:

Inovação tecnológica e redes de distribuição na China

A modernização da agricultura chinesa decorre de um intenso processo de transformações geoeconômicas e inovações institucionais que teve início no final da década de 1970 (Medeiros; Espíndola; Sampaio, 2025). Sob a orientação do 14º Plano Quinquenal e da Estratégia de Revitalização Rural, o governo chinês promove o modelo “Internet + Agricultura”, com o objetivo de consolidar cadeias curtas de suprimentos e reorganizar a logística (Bispo; Martins; Cechin, 2022; Li, 2017a). De acordo com Medeiros; Espíndola; Sampaio (2025), essa modernização agrícola possibilitou o surgimento de estruturas de produção orientadas para o mercado e vendas diretas aos consumidores, provocando mudanças significativas nessa relação produtor-consumidor. Nesse cenário, a coordenação desse ecossistema, dirigida pelo Estado, recai sobre as empresas “pioneiras”, que atuam como impulsionadoras da industrialização e motores da inovação para pequenos produtores, revitalizando a agricultura (Medeiros; Espíndola; Sampaio, 2025; Escher; Schneider, 2023). Levando em consideração esse contexto, esta pesquisa visa compreender como ocorre o processo de modernização da agricultura na China contemporânea. Nesse sentido, pretende-se analisar o uso de tecnologias como IA, Big Data, IoT, GPS e expansão das redes de 5G, as quais facilitam a gestão da produção e reduzem os custos de transação, relacionados ao conceito de Agricultura 5.0 (Espíndola et al., 2025). Pretende-se, ainda, analisar fenômenos como as “Taobao Villages” que exemplificam essa transição para a modernidade, conectando a produção familiar de pequena escala ao consumidor urbano por meio do comércio eletrônico (Li, 2017). A metodologia adotada para esse trabalho consiste em uma pesquisa qualitativa baseada em revisão bibliográfica e análise documental e de literatura especializada. O período analisado abrange desde a abertura econômica no final da década de 1970 até o período do 14º Plano Quinquenal e Estratégia de Revitalização Rural. Por fim, esta investigação se insere nos estudos sobre a China no Brasil ao contribuir para a compreensão das estratégias chinesas de desenvolvimento rural, segurança alimentar e inovação tecnológica. Ao analisar o papel do planejamento estatal e da inovação no meio rural da China, o trabalho oferece elementos para que pesquisadores e leitores compreendam como a China conduz transformações em suas dinâmicas agrícolas contemporâneas.

GT 5: Economia - Presencial

Enzo de Moraes Godinho

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Enzo de Moraes Godinho é doutorando em Economia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e mestre pelo programa Erasmus Mundus EPOG+, com formação pela HWR Berlin, University of the Witwatersrand e Sorbonne Université. Suas pesquisas concentram-se em economia política internacional, desenvolvimento econômico e China, com foco em política industrial, transformação digital, sistema monetário internacional e cooperação econômica no âmbito dos BRICS.

Mediador:

If you want to prosper, you must first build (digital) roads: Digital capitalism and the externalization of China’s industrial policy objectives through the Digital Silk Road

Recent technological developments, particularly in artificial intelligence, big data, and platform technologies, have intensified debates over the reconfiguration of global technological leadership and the growing strategic competition between China and the United States (IMF, 2025; Naughton et al., 2023). Against this backdrop, this research examines the Digital Silk Road (DSR) as an external projection of China's contemporary techno-industrial strategy. The central objective is to investigate how the DSR interacts with China's domestic industrial policy and contributes to the country's innovation-driven development paradigm. Rather than treating the DSR exclusively as an instrument of digital diplomacy or infrastructure cooperation, the study argues that it functions as a transnational platform through which China internationalizes its technological capabilities, exports digital infrastructure and governance standards, and reinforces domestic technological upgrading through geoeconomic feedback loops (Heeks et al., 2024; Triolo et al., 2020). The research adopts the theoretical framework of digital capitalism, which conceptualizes artificial intelligence, big data, and digital platforms as mutually reinforcing technologies that reshape value creation, innovation, market concentration, and geopolitical power (Seidl, 2023). This perspective is combined with the literature on China's industrial policy, emphasizing the country's transition toward an innovation-driven development model centered on technological self-sufficiency, mission oriented industrial policies, and the construction of national champions through initiatives such as Made in China 2025 and Internet Plus (Hiratuka & Diegues, 2021; Naughton et al., 2024; Wübbeke et al., 2016). Methodologically, the research combines an interdisciplinary literature review with a qualitative, theory-informed case study approach. It analyzes three interconnected dimensions: the political economy of digital technological change; the evolution of China's domestic industrial policy; and the Digital Silk Road as the international extension of this techno-industrial strategy. The analysis is supported by an examination of the DSR's role in exporting digital infrastructure, platforms, and governance standards. The research contributes to China studies in Brazil by offering an integrated political economy interpretation that bridges industrial policy, digital capitalism, and international political economy. It advances the understanding of the Digital Silk Road beyond conventional foreign policy approaches, demonstrating how China's external digital engagement is intrinsically connected to its domestic development strategy and to the broader transformation of the global technological and geoeconomic order.

GT 6: Economia - Online

Kayuã Girardi

Carlos Espindola

Doutorando em Geografia, como bolsista CNPq foi pesquisador visitante por três meses na Academia Chinesa de Ciências Agrícolas.

Mediador:

Transformações dos Espaços Econômicos na China Contemporânea: Planejamento Estatal, Reestruturação Territorial e Implicações para a Geografia Econômica

Este trabalho analisa as transformações dos espaços econômicos na China contemporânea a partir da Nova Economia do Projetamento, articulando inovação institucional, planejamento estatal e reestruturação territorial no século XXI. Com base em referências marxistas, schumpeterianas e rangelianas, o estudo investiga como o Estado chinês coordena políticas industriais, tecnológicas e urbanas para promover o catching-up estrutural, reduzir assimetrias regionais e afirmar a soberania tecnológica. Empiricamente, analisam-se iniciativas como o Made in China 2025, a atuação da Huawei, a modernização agrícola 5.0, o planejamento urbano-regional em Xangai, Shenzhen e Xiong’an, além da integração urbano-rural em Chengdu. Metodologicamente, utiliza-se pesquisa bibliográfica, documental, análise estatística e trabalho de campo. Os resultados apontam que o projetamento urbano-regional funciona como instrumento superior de planejamento, orientando a destruição criativa de forma planejada, reorganizando cadeias produtivas, infraestruturas e a divisão territorial do trabalho. A experiência chinesa revela novas configurações geoeconômicas globais, com implicações para a governança territorial, a transição energética e as dinâmicas das redes produtivas mundiais, dialogando diretamente com as temáticas da geografia econômica contemporânea nas Américas.

GT 6: Economia - Online

Ricardo Gomes da Silva

Klaus de Oliveira Abdala

Ricardo Gomes da Silva
Perito Federal Territorial (INCRA) e doutorando em Agronegócios. Possui mestrado em Agronegócios, com foco de atuação em análise ESG, modelagem estatística, sistemas de informação geográfica e sustentabilidade no setor rural.

Klaus de Oliveira Abdala
Engenheiro Agrônomo, mestre em Agronegócios e doutor em Ciências Ambientais (UFG). Atua principalmente nos temas de agronegócio sustentável, economia ambiental, geoprocessamento e gestão de projetos agropecuários, com ênfase em desenvolvimento e políticas públicas.

Mediador:

Governança Corporativa e Desempenho ESG no Agronegócio: Uma análise comparativa entre Brasil e China

O agronegócio consolidou-se como um pilar fundamental da segurança alimentar global e motor econômico estratégico para Brasil e China. No cenário contemporâneo, a adoção de práticas ESG (Environmental, Social and Governance) deixou de ser opcional para tornar-se uma condição básica de acesso a mercados e capitais globais. Contudo, a literatura sobre governança corporativa tende a adotar uma visão universalista, assumindo que a implementação de estruturas formais resultaria, invariavelmente, em melhores desempenhos sustentáveis. Fundamentado na Teoria Institucional e na dicotomia entre RSC (Responsabilidade social corporativa) explícita e implícita, o artigo investiga o impacto de mecanismos de governança no desempenho ESG de empresas do agronegócio no Brasil e na China. A hipótese central sustenta que, enquanto na China a implementação de instâncias formais de governança atua como um catalisador para o alinhamento com padrões internacionais, no Brasil, tais estruturas enfrentam um efeito de saturação, onde o incremento burocrático gera retornos marginais decrescentes em face de práticas já internalizadas. Metodologicamente, usou-se uma modelagem linear hierárquica (HLM2) com dados secundários da plataforma Refinitiv Eikon, dos anos de 2015 a 2024, o que permitiu isolar a variância decorrente de características das firmas. Os resultados revelam uma disparidade estrutural: as empresas brasileiras apresentam médias significativamente superiores nos pilares Ambiental e Social em comparação às chinesas, confirmando a maturidade do setor no Brasil. A análise comparativa de slopes (inclinações) revelou o "Paradoxo da Governança": no contexto chinês, variáveis como o Comitê de Responsabilidade Social Corporativa (CRRC) e a Auditoria Externa exercem um impacto positivo e linear sobre o ESG, funcionando como ferramentas de sinalização de conformidade para investidores. Em contraste, no mercado brasileiro, observa-se um cenário de saturação ou redundância, onde a governança formal parece ter retornos marginais nulos ou negativos, sinalizando que o mercado local já superou a fase da "governança de forma" e exige, agora, a "governança de conteúdo", focada em transparência e independência. Conclui-se que a governança corporativa não é um caminho universal, mas uma estratégia dependente do contexto. As implicações são estratégicas: gestores chineses devem focar na implementação de estruturas de controle para acelerar sua performance, enquanto gestores brasileiros devem priorizar a qualidade da transparência e a independência dos seus mecanismos de accountability para manter a liderança sustentável. Este trabalho contribui para o debate sobre a heterogeneidade das práticas ESG, oferecendo subsídios para que formuladores de políticas e investidores compreendam as nuances da governança em economias emergentes com trajetórias institucionais distintas.

GT 6: Economia - Online

Bernardo Goncalves Arnaud

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Bernardo G. Arnaud é mestre em Sustainable Finance pela Frankfurt School of Finance & Management e doutorando em Economia pela Universidad Nacional de Rosario. Atua na PUC Minas na pós-graduação em Geopolítica e Desenvolvimento Tecnológico do Agronegócio e na pós de China Contemporânea onde leciona Relações Brasil-China no Agronegócio. Pesquisa biotecnologia agrícola, mercados de carbono e geopolítica de insumos numa perspectiva do Sul Global.

Mediador:

Entre o insumo e o grão: dependência de fertilizantes chineses e o paradoxo da interdependência sino-brasileira no agronegócio

A relação econômica Brasil-China no campo do agronegócio tem sido geralmente compreendida pelo lado das exportações brasileiras de commodities - soja, carne e celulose - sendo a China o principal comprador. Este artigo altera o ângulo de visão e se concentra na relação inversa e menos explorada da interdependência bilateral: a dependência brasileira da China como fornecedora de fertilizantes e insumos estratégicos. Essa dependência representa uma vulnerabilidade geopolítica estrutural que coexiste, contraditoriamente, com o papel do Brasil como uma das principais potências agroexportadoras do mundo. O objetivo central do artigo espelhará o fato de que a segurança dos insumos agrícolas representa uma dimensão emergente e subteorizada no relacionamento Brasil-China, com consequências diretas para a soberania alimentar e a autonomia estratégica do Brasil. O trabalho está fundamentado em evidências empíricas recentes: entre janeiro e outubro de 2025, a China representou cerca de 25% das importações brasileiras de fertilizantes, contra 18% para o mesmo período de 2024, superando a Rússia em volume absoluto e representando um ponto de inflexão no fluxo global do insumo. Em produtos como o sulfato de amônio - primordial para a cultura da soja -, a China responde quase integralmente pela demanda brasileira. As restrições à exportação impostas por Pequim em 2026, ligadas à priorização do abastecimento interno e agravadas pela instabilidade no Oriente Médio, denotam a fragilidade de um país que importa mais de 85% dos fertilizantes que consome. Metodologicamente, adota-se uma abordagem qualitativa de análise documental e de dados secundários de comércio exterior, articulada ao referencial teórico da interdependência assimétrica e da economia política internacional. O enfoque e o objetivo são compreender como a concentração da oferta mundial reduz o poder de barganha do Brasil e transforma uma relação comercial em alavanca do poder geoeconômico. Avalia-se criticamente o Plano Nacional de Fertilizantes e seus entraves estruturais à redução da dependência externa. Defende-se a tese da dupla exposição estratégica: o Brasil depende da China simultaneamente como comprador de suas commodities e igualmente como fornecedor dos insumos que viabilizam essa mesma produção, de forma que um mesmo parceiro controla as duas extremidades do processo produtivo agrícola. Conclui-se que a interdependência sino-brasileira é bidirecional, mas assimétrica, e que a política de exportação chinesa funciona como variável de poder estrutural sobre a produção agrícola de um parceiro estratégico. A investigação situa-se no campo dos Estudos sobre a China no Brasil ao deslocar a fresta de observação da já sedimentada agenda de exportações para a dimensão ainda pouco explorada da dependência tecnológica e de insumos.

GT 6: Economia - Online

Brigida Mei Lin Bertuola

Christiane dos Santos Luciano, Maria Clara de Oliveira Drawin, Nicholas Francisco Fernandes Rodrigues

Brigida Mei Lin Bertuola - Pesquisadora e membro do grupo GECHINA da Universidade de Brasília (UnB). Bacharel em Comércio Exterior pela Faculdade de Tecnologia de São Paulo. Especialização em China Contemporânea pela PUC Minas. E-mail: b.bertuola@gmail.com
Christiane dos Santos Luciano - Doutoranda em Estudos de Gênero e Sexualidade no Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar da UFSC. Especialização em China Contemporânea pela PUC Minas. E-mail: christiane.dsluciano@gmail.com.
Maria Clara de Oliveira Drawin - Mestranda em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal de Minas Gerais. Bacharel em Filosofia pela Universidade Federal de Minas Gerais e Bacharel em Relações Internacionais e especialização em China Contemporânea pela PUC Minas. E-mail: drawinmaria@gmail.com; Lattes: http://lattes.cnpq.br/3521158229133999; Orcid: https://orcid.org/0000-0002-3624-8046
Nicholas Francisco Fernandes Rodrigues - Bacharel em Relações Internacionais pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Atualmente, faz especialização em China Contemporânea pela mesma universidade e estuda gênero e movimentos sociais na China e interculturalidade do Sul Global. E-mail: franfr2102@gmail.com

Mediador:

Neocolonialismo ou Governança Relacional? Análise da Cooperação Sino-Africana a partir do Caso da Etiópia

O presente trabalho analisa a cooperação sino-africana a partir do estudo de caso da Etiópia, buscando avaliar em que medida a relação entre China e África pode ser compreendida pelos paradigmas do neocolonialismo ou da governança relacional. Parte-se do intenso debate acadêmico em torno da crescente presença chinesa no continente africano, frequentemente interpretada por parte da literatura ocidental como expressão de uma "armadilha da dívida" e de novas formas de dependência econômica. Em contraposição, o estudo dialoga com autores chineses, africanos e do Sul Global que defendem a cooperação sino-africana como uma modalidade de Cooperação Sul-Sul baseada nos princípios de soberania, benefício mútuo e desenvolvimento compartilhado. O referencial teórico fundamenta-se especialmente na teoria da governança relacional de Qin Yaqing, que compreende as relações internacionais como processos dinâmicos de interação, negociação e adaptação entre os atores. A metodologia adotada consiste em pesquisa bibliográfica e estudo de caso, analisando projetos de infraestrutura, industrialização e transferência de tecnologia desenvolvidos entre China e Etiópia, com destaque para a Ferrovia Adis Abeba-Djibuti, os parques industriais e os investimentos na manufatura. Os resultados evidenciam que a cooperação produziu avanços relevantes na infraestrutura logística, na capacitação produtiva e na industrialização etíope, embora persistam desafios relacionados à dependência de insumos importados, limitações na transferência tecnológica, conflitos trabalhistas, instabilidade política e vulnerabilidades decorrentes da inserção da Etiópia nas cadeias globais de valor. A renegociação dos financiamentos chineses e a continuidade dos investimentos são interpretadas como evidências de mecanismos de adaptação institucional incompatíveis com a hipótese de uma estratégia deliberada de captura de ativos. Conclui-se que a experiência sino-etíope não confirma integralmente as interpretações neocoloniais predominantes, tampouco sustenta uma visão idealizada da cooperação. Em vez disso, revela uma relação complexa, marcada simultaneamente por assimetrias, negociação política, interesses estratégicos e construção gradual de capacidades, indicando que a governança relacional constitui um referencial mais adequado para compreender a dinâmica contemporânea das relações China-África.

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Gabriel Januário De Mare

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Mestrando em Relações Internacionais no Programa San Tiago Dantas (UNESP, UNICAMP e PUC-SP), onde pesquiso o desenvolvimento da China e o papel das Parcerias Público-Privadas na infraestrutura. Analista Técnico na São Paulo Parcerias.

Mediador:

O Modelo Chinês de Parcerias Público-Privadas (PPPs): Lições, Desafios e Limites para o Desenvolvimento de Infraestruturas nos países em desenvolvimento.

O acelerado desenvolvimento da infraestrutura chinesa é frequentemente explicado pelo protagonismo do Estado em seu modelo de desenvolvimento. Entretanto, a ampliação da complexidade e dos custos dos projetos de infraestrutura levou a China a incorporar mecanismos de Parcerias Público-Privadas (PPPs), resultando em um arranjo institucional singular que combina coordenação estatal, participação privada e objetivos de desenvolvimento de longo prazo. Este trabalho investiga em que medida as PPPs contribuíram para a expansão e modernização da infraestrutura chinesa e quais lições, desafios e limites podem ser observados por países em desenvolvimento interessados em adotar instrumentos semelhantes. A pesquisa parte da hipótese de que as PPPs desempenharam papel relevante no avanço da infraestrutura chinesa, mas que seus resultados dependem de condições institucionais específicas, o que limita sua replicação automática em outros contextos nacionais. O objetivo é analisar a evolução das PPPs na China, seus impactos sobre a qualidade, eficiência e alcance dos investimentos em infraestrutura e o papel desempenhado por atores públicos e privados nesse processo. Metodologicamente, o estudo adota abordagem qualitativa combinada com análise documental e revisão crítica da literatura nacional e internacional sobre desenvolvimento chinês, governança de infraestrutura e PPPs. O trabalho também utilizará análise temática de estudos de caso, incluindo projetos em diversos setores, como: transporte, energia e saneamento, bem além de documentos governamentais, normas regulatórias e materiais produzidos entre 2014 e 2024, período marcado pela institucionalização das PPPs após a criação do Centro de PPPs do Ministério das Finanças da China. O recorte temporal concentra-se na década posterior à expansão das PPPs chinesas, buscando compreender seus mecanismos de governança, formas de compartilhamento de riscos, desafios regulatórios e resultados observados. Ao mesmo tempo, a pesquisa examina como esse modelo se relaciona com a crescente projeção internacional da China, especialmente no contexto de iniciativas voltadas à promoção de infraestrutura em países em desenvolvimento. Inserido no campo dos estudos sobre a China, o trabalho procura contribuir para o debate sobre a via chinesa de desenvolvimento, superando interpretações que atribuem exclusivamente ao Estado o sucesso da infraestrutura do país. Ao explorar a interação entre Estado e mercado por meio das PPPs, a pesquisa busca oferecer uma análise crítica das potencialidades e limitações desse modelo para o desenvolvimento econômico e para a formulação de políticas públicas em contextos distintos.

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Felipe Miguel Savegnago Martins

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Doutor em Teoria Econômica pela UNICAMP.
Pontos de interesse: macroeconomia, economia política, história econômica, histórica do pensamento econômico, economia internacional, transição socialista.

Mediador:

A TEORIA DE DENG XIAOPING ENQUANTO UMA NOVA CONCEPÇÃO CHINESA ACERCA DA TRANSIÇÃO SOCIALISTA

A “Era das Reformas” (1979-1992) pode ser definida como um período de transição no plano doméstico, caracterizado pela mercantilização gradual da economia chinesa e pela liderança personificada na figura de Deng Xiaoping, cujas pretensões político-econômicas se assentavam na modernização produtiva do país e na garantia prolongada de estabilidade social. Adicionalmente, a Era das Reformas também englobou um processo de transformação estrutural no cenário internacional, em consequência do desmoronamento do campo socialista, das transformações econômico-financeiras globais subjacentes à doutrina neoliberal, da aproximação da China com os Estados Unidos e da ascensão do Sudeste Asiático. Nesse complexo contexto, as mudanças concretizadas pela República Popular da China no transcurso da Era das Reformas foram, a posteriori, teorizadas pelo Partido Comunista Chinês através da chamada “Teoria de Deng Xiaoping”. Esse arcabouço analítico representou um “salto ideológico” no processo de transição socialista do país, pois constituiu a aplicação do Marxismo-Leninismo às particularidades chinesas presentes naquele momento histórico, sob um contexto completamente distinto das décadas anteriores. Portanto, a Teoria de Deng Xiaoping pode ser interpretada como um conjunto de ideias e de princípios gerais que guiaram as ações do Partido durante a Era das Reformas. A partir de uma extensa pesquisa baseada em artigos e livros acerca do período, além de coletâneas de documentos partidários e de discursos dos líderes políticos, foi possível identificar quatro conceitos principais que sedimentam a Teoria de Deng Xiaoping: “Uma tarefa central, dois pontos básicos”, referindo-se à substituição definitiva da “luta de classes” pelo “desenvolvimento das forças produtivas” enquanto objetivo-chave do país (uma tarefa central), no qual o Partido assentar-se-ia na “Reforma e Abertura” e na defesa intransigente dos “Quatro Pontos Cardeais” (dois pontos básicos); ao considerar que a China estava à época em uma etapa histórica caracterizada como “socialismo subdesenvolvido”, a elaboração do conceito “estágio primário do socialismo” legitimava a perpetuação das transformações estruturais da economia chinesa ao argumentar que, para alcançar o “socialismo desenvolvido”, necessitar-se-ia de um período histórico relativamente extenso; acerca de uma alternativa pragmática à reunificação integral do país, o pilar “um país, dois sistemas” conciliaria as reivindicações da China continental sobre Hong Kong, Macau e Taiwan e os benefícios provenientes de uma maior integração econômica das referidas partes em um contexto de pujança do Leste Asiático; por fim, a “tese chinesa dos três mundos”, ao classificar a China como um país de “Terceiro Mundo”, em contraposição ao “Primeiro” (Estados Unidos e União Soviética) e ao “Segundo” (demais países desenvolvidos sob as órbitas de influência estadunidense e soviética) mundos, permitiria fixar a China em uma situação equidistante nas relações interestatais à realização de seus objetivos nacionais. Em outras palavras, tanto a realidade socioeconômica chinesa quanto as mudanças econômicas e geopolíticas internacionais circunscritas à Era das Reformas criaram as condições materiais para a elaboração da Teoria de Deng Xiaoping.

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João Pedro de Souza Barros Santoro Luques

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Mestre e doutorando em sociologia pela Universidade Estadual de Londrina. Pesquisador do GEPAL - Grupo de Estudos de Política de América Latina.

Mediador:

A inteligência no poder: aportes da Revolução Cultural Chinesa para a teoria do planejamento econômico

Neste trabalho, pretendemos explorar as lições do período final da Revolução Cultural Chinesa (1968-1976) para as teorias do planejamento econômico e da pequena burguesia. Para isso, primeiramente, valendo-nos do conceito de Modo de Produção Estatal, proposto por Samir Amin, tentaremos expor uma síntese geral de como funcionava o planejamento econômico nas principais formações sociais “pós revolucionárias” do século XX (União Soviética e China durante seu primeiro plano quinquenal). A seguir, uma vez tendo estabelecido uma “média ideal” de como operavam essas economias planejadas, partiremos para uma revisão da bibliografia sobre o planejamento econômico praticado na Revolução Cultural em sua última fase, de maneira a tentar destacar as novidades e contribuições produzidas no período. Finalmente, para além disso, valendo-nos das teorias de Décio Saes, Nicos Poulantzas e Michelle Loi, tentaremos pensar como se configurava a pequena burguesia dentro das unidades de produção coordenadas pelo setor estatal-planejado e como, na China do período estudado, iniciou-se um processo de dissolução da pequena burguesia enquanto classe em prol do desenvolvimento da inteligência das massas.

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Robson Lins Souza Damásio de Oliveira

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Formado em Direito (Mackenzie), Economia (PUC-SP), Histórias e Ciências Sociais (ambos pela USP), possui mestrado em Antropologia Social (USP) e atualmente é doutorando no mesmo programa.

Mediador:

A internacionalização do renminbi e a disputa por hegemonia na ordem monetária internacional

A ascensão econômica da China nas últimas décadas tem impulsionado debates sobre o papel internacional do renminbi (RMB) e suas possíveis implicações para a ordem monetária global. Desde a crise financeira de 2008, o governo chinês passou a adotar políticas destinadas a ampliar o uso internacional de sua moeda, levantando questionamentos sobre os limites da hegemonia do dólar e as possibilidades de emergência de uma ordem monetária mais multipolar. Nesse contexto, a presente apresentação busca analisar a internacionalização do RMB não apenas como um fenômeno econômico, mas como parte de uma disputa mais ampla por poder e influência no sistema internacional. A análise parte do conceito de hegemonia desenvolvido por Antonio Gramsci. Para o autor, a estabilidade de uma ordem política não depende exclusivamente da coerção, mas também da capacidade de construir consenso e apresentar interesses particulares como universais. Embora Gramsci estivesse refletindo sobre as sociedades capitalistas ocidentais, Robert Cox adaptou essa formulação para as Relações Internacionais ao argumentar que a hegemonia mundial resulta da articulação entre capacidades materiais, instituições e ideias. Essa perspectiva permite compreender a centralidade do dólar não apenas como reflexo do poder econômico dos Estados Unidos, mas também como expressão de uma arquitetura institucional e normativa construída ao longo do século XX. Essa interpretação dialoga com a noção de “poder estrutural” formulada por Susan Strange. Para a autora, a influência internacional de um Estado depende de sua capacidade de moldar as estruturas dentro das quais outros Estados operam. Nesse sentido, a predominância do dólar decorre não apenas do tamanho da economia norte-americana, mas também da centralidade de suas instituições financeiras, de seus mercados de capitais e de sua posição privilegiada nos fluxos globais de crédito e investimento. Complementando essa abordagem, Benjamin Cohen argumenta que as moedas internacionais constituem importantes recursos de poder, uma vez que permitem aos Estados ampliar sua autonomia e projetar influência para além de suas fronteiras. A partir desse quadro teórico, a apresentação examina o processo de internacionalização do RMB. Segundo Eswar Prasad, a China passou a promover o uso internacional de sua moeda por meio de uma estratégia gradual que incluiu acordos de swap cambial, expansão do comércio denominado em RMB, criação do Sistema de Pagamentos Interbancários Transfronteiriços (CIPS) e fortalecimento de instituições multilaterais como o Banco Asiático de Investimento em Infraestrutura (AIIB) e o Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS. A inclusão do RMB na cesta de Direitos Especiais de Saque (SDR) do Fundo Monetário Internacional, em 2016, representou um marco simbólico desse processo. Entretanto, a literatura chinesa sugere cautela diante das perspectivas de ascensão da moeda. Yu Yongding (2014) argumenta que a internacionalização monetária exige não apenas expansão comercial, mas também mercados financeiros profundos, confiança institucional e maior liberalização da conta de capitais. De forma semelhante, Zhou Xiaochuan, ao criticar as fragilidades de um sistema excessivamente dependente do dólar, defende reformas graduais na governança monetária internacional, sem sugerir uma substituição imediata da moeda norte-americana. Conclui-se que a internacionalização do RMB pode ser interpretada como uma estratégia chinesa de ampliação de autonomia dentro da ordem internacional contemporânea. Em termos gramscianos, trata-se menos de uma tentativa de ruptura frontal com a hegemonia do dólar do que de uma “guerra de posição”, na qual a China busca construir, de forma gradual, novas instituições, mecanismos financeiros e espaços de influência capazes de favorecer uma configuração mais multipolar da economia mundial.

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João Daniel Villa

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Mestre pelo Programa de Pós-Graduação em Economia Política Mundial (PPG EPM) da Universidade Federal do ABC (UFABC), bacharel em Direito pela Faculdade de Direito de São Bernardo do Campo (FDSBC), bacharel em Relações Internacionais pela Fundação Santo André (FSA), servidor efetivo do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Realiza pesquisa a respeito do processo de reformas institucionais e econômicas da República Popular da China (RPC), com ênfase na compreensão do papel das empresas estatais na estratégia de desenvolvimento econômico daquele país e na análise da estrutura setorial de empregos e salários da classe trabalhadora chinesa.

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O papel das empresas estatais no projeto de desenvolvimento econômico da República Popular da China

Esta pesquisa analisa o processo de reformas das empresas estatais da República Popular da China (RPC) e o seu papel no desenvolvimento econômico daquele país. O objetivo do estudo foi mensurar, ao longo do tempo, a participação e a relevância das estatais na economia chinesa, sua distribuição setorial e o impacto do setor público na economia nacional chinesa, a fim de avaliar o papel desempenhado por essas empresas na trajetória de desenvolvimento da RPC. Adotou-se uma abordagem metodológica mista, baseada na análise qualitativa de publicações acadêmicas e de documentos oficiais relacionados ao tema, combinada à consulta a dados quantitativos do National Bureau of Statistics of China (NBS). Para a mensuração da evolução e do peso do setor estatal, avaliaram-se indicadores como ativos totais, receitas, formação bruta de capital fixo, lucros, número de unidades empresariais e emprego urbano em unidades estatais. Adicionalmente, analisou-se a distribuição setorial dos ativos totais dessas empresas no setor industrial para mapear a concentração estratégica das empresas estatais. Os resultados apontam que as sucessivas fases de reformas das empresas estatais – entre as quais se destacam a diretriz “zhuā dà, fàng xiǎo” ("segurar as grandes, soltar as pequenas"), iniciada em 1997, e a posterior criação da State-owned Assets Supervision and Administration Commission (SASAC) em 2003 – promoveram a corporatização, a listagem em bolsas de valores e a concentração das estatais em grandes conglomerados empresariais, consolidando-as como "campeãs nacionais", ao mesmo tempo em que que fortaleceram a liderança e o controle do Partido Comunista da China (PCCh) sobre estas empresas. Os dados de distribuição setorial confirmam a centralidade dessas empresas em setores estratégicos e em investimentos de alta intensidade de capital, permitindo-lhes atuar simultaneamente como corporações competitivas do ponto de vista mercadológico e como instrumentos de estabilização econômica e política industrial. O estudo conclui que, longe de perderem protagonismo na condução do projeto de desenvolvimento econômico da RPC, as empresas estatais chinesas se firmaram como peças centrais para o planejamento estatal de longo prazo destinado à execução de objetivos nacionais traçados pelo PCCh, desempenhando papel decisivo na transição tecnológica para uma economia baseada em inovação tecnológica — exemplificada pelo plano Made in China 2025 — e sustentando a projeção internacional do país por meio da Iniciativa Cinturão e Rota (Belt and Road Initiative).

GT 6: Economia - Online

Tamiris Ferraz Zacaria

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Tamiris Ferraz Zacaria - licenciada em História (UNOESTE) e Geografia (FCT/UNESP). Atualmente mestranda em Geografia pela FCT/UNESP) Campus de Presidente Prudente. Orientanda da Profa. Dra. Terezinha Serafim Gomes e integrante do grupo de pesquisa NUPERG (Núcleo de Estudos e Pesquisas Regionais). Desenvolvendo pesquisas voltadas para a temática do Sistema de Inovação na China, voltadas para as áreas da Geopolítica e Geografia Econômico. Atualmente integrante do grupo ABC CHINA - função: Organização de Eventos.

Mediador:

DO TERRITÓRIO CELESTE AO DOMÍNIO DIGITAL: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES SOBRE O SISTEMA DE INOVAÇÃO NA CHINA.

Considerada um dos grandes berços civilizatórios da humanidade, a China além de possuir uma história milenar formada há mais de cinco mil anos, demonstra até os dias atuais sua intensa capacidade de adaptação ao desenvolvimento e a modernidade. A ascensão chinesa como potência global nas últimas décadas pode ser explicada a partir de diferentes escalas e processos, transformando-se em um fenômeno inovador e singular, tornando-se objeto de análise nas diferentes áreas do conhecimento. O desenvolvimento chinês não pode ser explicado somente a partir de análises dos processos de abertura e reformas econômicas, conhecidas como as “Quatro Modernizações”, mas sim em conjunto com as análises realizadas das políticas de metas e estratégias estabelecidas nos Planos Quinquenais, como peças essenciais para o desenvolvimento do sistema de planejamento econômico e industrial dentro do território. Compreender a ascensão chinesa como uma potência global emergente no final do século XX e início XXI exige muito mais do que uma análise superficial utilizando apenas indicadores econômicos ou suas ações diplomáticas contemporâneas. A noção de Território Celeste ou “sob o céu” ( 天下 tianxia), não pode ser vista apenas a partir do conceito de “espaço geográfico”, mas sim como uma das formas de assimilarmos que durante milênios, o grande e vasto império chinês se posicionou, a partir de uma ordem cultural, política e até mesmo filosófica que moldou durante milênios a visão de mundo chinesa até os dias atuais. Dessa influência, acompanhamos o surgimento de uma potência emergente fortemente representada pela ambição de criar um “Domínio Digital”, assim como estabelecer uma ordem internacional multipolar, apoiando-se em estratégias de cooperação políticas e econômicas como o caso do BRICS+. A produção da inovação na China se intensifica a partir dos processos de reformas e abertura econômica em 1978 (CASSIOLATO; PODCAMENI, 2015). Desde então, notamos uma rápida evolução, assim como uma intensa modernização fazendo com que o país se consolidasse como um dos modelos de inovação mais dinâmicos do mundo. O Estado como principal agente inovador neste processo, além da combinação entre os grandes investimentos em P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) que se dão através da combinação e colaboração de empresas dos setores públicos e privados e as grandes universidades. Propõe-se, neste trabalho como objetivo central uma análise sobre a contribuição do sistema Inovação chinês para o desenvolvimento econômico do país e a expansão estratégica de sua soberania digital. A metodologia utilizada irá basear-se em abordagens quantitativas e qualitativas, iniciando-se com levantamento e revisão bibliográfica em acervos de bibliotecas de universidades nacionais e internacionais e em plataformas digitais, entre outras fontes de pesquisas como revistas eletrônicas nacionais e internacionais. Além do levantamento de dados em fontes como o National Bureau of Statistics of China, a OMC e o IEDI. Por fim, a sistematização dos dados em tabelas, visando facilitar as análises e discussões.

GT 7: Graduação - Presencial

Alice Moreira Pellegrini

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Alice Moreira Pellegrini é graduaada em Filosofia pela UNIFESP e pesquisa filosofia chinesa. Desenvolve seu primeiro projeto de iniciação científica, atualmente financiado por bolsa CNPq e apoiado pelo grupo de pesquisa NUR, ao qual já foi prestigiada com duas bolsas. Dedica-se ativamente à difusão desses estudos acadêmicos no cenário nacional.

Mediador:

“ESTÁ A VIRTUDE DISTANTE?”: UM ESTUDO FILOSÓFICO SOBRE OS FUNDAMENTOS DA ÉTICA CONFUCIANA

Este projeto de iniciação científica propõe uma investigação acerca da virtude na filosofia do Filósofo, educador e teórico chinês Confúcio, figura de imensa importância, não apenas para a reforma ética da sociedade durante o Período da Primavera e do Outono (722-481 a.C), como também para toda a tradição chinesa subsequente. Por meio da tradição confuciana, pretendemos contextualizar e compreender, tanto a formação e evolução da tradição e doutrina filosófica Ru-jia (Escola dos Literatos), quanto a visão do filósofo acerca da virtude e seu impacto no pensamento da época. Através de escritos de seus discípulos e comentadores, exploraremos suas teorias sobre a ética e o processo para alcançar a virtude, particularmente por meio dos conceitos de rén, frequentemente traduzido como “humanidade” ou “benevolência”, e lǐ, entendido como “ritos”, “etiqueta” ou a ordem moral das relações humanas; bem como a representação da imagem de Confúcio como um verdadeiro fenômeno cultural que atua em conjunto com toda a civilização chinesa. Ao final deste projeto, esperamos contribuir para um entendimento mais amplo da virtude, seus pormenores no confucionismo e suas implicações filosóficas, bem como abrir novas perspectivas de interpretação para uma filosofia que se manteve oficial na China até o século XX, mas que ainda encontra pouco espaço no Ocidente, onde o estudo de tradições filosóficas não-hegemônicas é, ainda, limitado.

GT 7: Graduação - Presencial

Ana Flávia Buchino Dizero

Antonio Carlos de Moraes

Graduanda em Economia pela PUC-SP, com foco em economia chinesa, IED e desenvolvimento.

Mediador:

Investimentos Diretos Chineses em Infraestrutura nos Anos de 2000 a 2020.

A ascensão chinesa nas últimas décadas representa uma reorganização do cenário internacional de investimentos e relações internacionais uma vez que a China, com as suas políticas de internacionalização de capitais como a Go Global e a Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative – BRI), coloca um país fora do núcleo EUA e União Europeia como exportador massivo de capitais. O artigo analisa a trajetória, a composição setorial, as motivações estratégicas e os efeitos econômicos dos investimentos diretos chineses em infraestrutura no Brasil. Analisa-se a transformação da China em potência, destacando a centralidade do planejamento estatal, das reformas iniciadas no final da década de 1970 e da entrada na Organização Mundial do Comércio. O problema central do trabalho consiste em determinar se esses investimentos constituem, para o Brasil, uma oportunidade de modernização produtiva ou nova modalidade de dependência estrutural. A investigação analisa o papel do Brasil na estratégia Chinesa de utilizar o investimento externo como instrumento de política econômica e geopolítica a fim de garantir recursos naturais, garantir segurança energética e alimentar, diversificar as cadeias de suprimentos, abrir mercados e internacionalizar a atuação de empresas chinesas. A pesquisa adota abordagem qualitativa, histórico-estrutural e hipotético-dedutiva, combinando revisão bibliográfica da economia do desenvolvimento e da economia política internacional com análise documental e descritiva de dados do Conselho Empresarial Brasil-China, Banco Central do Brasil, BNDES, organismos internacionais, documentos oficiais chineses. Além de distinguir projetos anunciados de operações efetivamente realizadas, examina-se os mecanismos de entrada do capital chinês e as vantagens de cada investimento para ambos os países. No setor energético, os investimentos chineses envolveram aquisição de ativos, concessões e projetos de transmissão, com destaque para Belo Monte e China Three Gorges. Essas operações ampliaram a capacidade do sistema elétrico, modernizaram usinas e aumentaram a presença chinesa em ativos estratégicos. Essas operações combinaram ativos nacionais, experiência tecnológica e financeira chinesas. Na mineração, os investimentos concentram-se na aquisição de participações societárias, reservas e empresas vinculadas à produção de minério de ferro, nióbio e fosfatos. O objetivo foi assegurar o fornecimento de insumos estratégicos para a indústria chinesa e reduzir riscos associados à dependência de poucos fornecedores internacionais. Para o Brasil, essas operações ampliaram a capacidade de exploração e exportação mineral, mas reforçaram a especialização em atividades extrativas e a integração subordinada às cadeias globais de matérias-primas. No setor de transportes, os investimentos ocorreram pela aquisição de empresas de engenharia, participação em terminais portuários e fornecimento de equipamentos para mobilidade urbana, além do interesse em projetos ferroviários e corredores logísticos. Esses investimentos contribuíram para a redução de gargalos de circulação e fortaleceram infraestruturas associadas ao escoamento de commodities agrícolas e minerais. Embora tenham produzido ganhos de eficiência e capacidade logística, seus efeitos sobre a diversificação produtiva permaneceram limitados.

GT 7: Graduação - Presencial

Isabella Padula

Rozely Menezes Vigas Oliveira, Prof. Orientadora

Isabella Padula é graduanda em História na UNICAMP e pesquisadora de IC sob financiamento FAPESP. Desenvolvendo pesquisa sobre o período da ocupação japonesa na China (1931-1954) e experiência de tradução de Mandarim para Português.

Dra. Rozely Menezes Vigas Oliveira é professora substituta na UERJ-FFP, pesquisadora de pós-doutorado em História da Ásia no IFCH-UNICAMP e membro da comissão organizadora da Rede de Pesquisadores Visões da Ásia.

Mediador:

Mulheres de Conforto Chinesas (1931-1945): Vozes subalternas e Memórias de resistência

A presente comunicação almeja apresentar a pesquisa – em seu segundo ano de desenvolvimento – que tem como objetivo analisar e compreender a permanência ou silenciamentos de narrativas de memória de vítimas do comfort system instaurado na China durante o período da Guerra de Resistência Contra as Agressões Japonesas (Segunda Guerra Sino-japonesa, como é conhecida no Ocidente). Como fontes iniciais são utilizados doze testemunhos orais, transcritos em mandarim, de mulheres chinesas vitimadas pelo Sistema, cujo acesso se deu pela publicação do livro 日本帝国的性奴隶:中国“慰安妇”的证词, em tradução livre Escravas sexuais do Império Japonês: Testemunhos de “mulheres de conforto” chinesas pelos pesquisadores chineses Su Zhiliang, coorientador da pesquisa, e Chen Lifei. A fim de mobilizar o conceito de memória oficial, busca-se articular autores como Michael Pollak (1992), Homi Bhabha (1998) e Stuart Hall (2006) como referências teórico-metodológicas. Além disso, foram realizadas leituras fundamentais dos trabalhos de Rosenlee (2006, 2022) e de textos clássicos do confucionismo, em especial aqueles escritos por mulheres, entre os quais encontram-se: Lições para Mulheres, de Ban Zhao, Analectos para Mulheres, das Irmãs Song, As Mulheres Imperiais Ming: A Imperatriz Renxiaowen e os Ensinamentos para a Corte Interna, Registros curtos de modelos para mulheres. Desse modo, a fim de reconhecer os contextos históricos, sociais e linguísticos que são próprios da constituição do gênero feminino na China foi necessário considerar a composição das identidades aliada à construção discursiva de autores vinculados ao confucionismo. A presente pesquisa encontra-se no quadro reivindicatório de responsabilização das violências institucionalizadas e crimes de guerra cometidas pelo Estado Japonês, enquanto propõe-se a analisar a subjugação das memórias femininas por meio de silenciamentos sistêmicos evidentes nos limites das reivindicações enunciadas nas fontes.

GT 7: Graduação - Presencial

Álvaro Augusto Da Maceno Salvador

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Me chamo Álvaro Augusto D. Salvador, bacharel em Relações Internacionais e estudante de Economia na FACAMP, com trabalhos concentrados na análise do relacionamento da Economia chinesa com sua respectiva sociedade.

Mediador:

Da Dissonância à Harmonia: A reestruturação da confiança chinesa no Renminbi

O trabalho em questão explora a relação umbilical entre a moeda proposta pelo Partido Comunista Chinês (PCCh) ao final da guerra civil, o Renminbi, e a sociedade chinesa durante as décadas seguintes. Sob a égide de pensamentos e tradições culturais chinesas, a Moeda do Povo (significado de Renminbi em Mandarim) e a sociedade chinesa construíram uma relação com contornos únicos quando comparados aos atuais arranjos monetários internacionais afetados pelas transformações econômicas dos anos 1980 e 1990. Para além da mútua relação entre Estado, elo monetário e sociedade, onde o depósito da confiança da sociedade sobre o elo monetário emitido pelo Estado legitima o governo do Estado ao mesmo tempo em que atenua a insegurança social sobre as oscilações de preço, a sinergia entre o PCCh e a sociedade chinesa por meio do controle do Renminbi se mostrou como algo diferencial para que a China não perdesse o controle sobre seu futuro (Belluzo e Almeida, 2004). Com a ascensão do neoliberalismo econômico a partir dos anos 1980, a ampla maioria dos países do sistema internacional, principalmente àqueles com desenvolvimento tardio, enfrentaram dificuldades em reter consigo as chaves do próprio futuro no que tange política monetária e planejamento econômico, como visto nas crônicas sequências inflacionárias que assolaram e assolam ainda esses países (Leonard, 2008). No entanto, o que foi visto na China durante tal período se refere a um raro exemplo de preservação, por parte do aparelho Estatal, de controle monetário capaz de evitar com que todo o futuro do país se encontrasse à deriva de vontades econômicas externas ao funcionamento nacional (So, 2009). Logo, para explicar esse processo de confiança chinesa em seu lastro monetário, a pesquisa analisa a trajetória histórica e econômica do Renminbi até o século XXI a fim de desvendar o processo por trás da consolidação da moeda no funcionamento chinês.

GT 7: Graduação - Presencial

Ana Carolina Barbosa Kersten Moraes

Márcio Sampaio de Castro (orientador)

Ana Carolina Barbosa Kersten Moraes é estudante de Relações Internacionais na FACAMP (Faculdades de Campinas) e tem como principal linha de pesquisa a filosofia tradicional chinesa e sua ligação com a política interna e externa do país.

Mediador:

A harmonia e a ordem: a filosofia confucionista e a política externa de Xi Jinping

Esta pesquisa busca compreender de que forma conceitos fundamentais, consolidados na obra de Confúcio, foram mobilizados e ressignificados pelo Partido Comunista Chinês (PCC) para fundamentar sua atuação global e propõe uma investigação sobre a influência e a persistência do confucionismo como eixo estruturante da política externa chinesa. A mobilização do arcabouço confucionista será investigada pela aplicação do referencial teórico à política externa de Xi Jinping, dedicando particular atenção à Belt and Road Initiative como uma manifestação da busca por um sistema internacional no qual prevalecem a harmonia e a cooperação, por meio da construção de relações pacíficas entre a China e os países que participam desse projeto. O objetivo geral da pesquisa é analisar e compreender a presença do pensamento tradicional confucionista nas relações exteriores do atual governo do país. Para atingir essa finalidade, os objetivos específicos incluem a compreensão da formulação das diretrizes gerais de sua política externa desde 1949 e de sua continuidade; o entendimento de como o confucionismo se manifesta na política externa chinesa; o mapeamento dos principais conceitos utilizados na política externa do partido; entender como ele reinventa as bases confucionistas da política externa ao longo do tempo; além de analisar a presença dessa linearidade por meio da pesquisa sobre o projeto da Belt and Road Initiative (BRI), realizada por Xi Jinping. A pesquisa adota uma abordagem qualitativa, de caráter bibliográfico e documental. Os procedimentos metodológicos fundamentam-se no levantamento e na revisão da literatura sobre filosofia chinesa clássica e sobre a história da política externa dos governos chineses a partir de 1949, acompanhados da análise de documentos oficiais emitidos pelo governo da China e pelo Partido Comunista Chinês. O recorte escolhido abrange o período que se inicia na fundação da República Popular da China, em 1949, percorrendo os governos de Mao Tse-Tung, Deng Xiaoping, Jiang Zemin e Hu Jintao, com foco central no governo contemporâneo de Xi Jinping e no projeto da Belt and Road Initiative. O estudo busca analisar a política externa da China a partir de suas próprias tradições intelectuais, contribuindo para ampliar o debate teórico na área e promover uma compreensão mais profunda das dinâmicas internacionais. Além disso, busca contribuir para o desenvolvimento do debate sobre a formulação da política externa chinesa, destacando a relevância das tradições filosóficas oriundas de Confúcio como fonte de conceitos e práticas contemporâneas que refletem a busca por uma sociedade justa e harmoniosa.

GT 7: Graduação - Presencial

Rafaela Minucio Pontes

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Rafaela Minucio Pontes é graduanda em Relações Internacionais e Ciências Econômicas pela FACAMP. Desenvolve pesquisa de Iniciação Científica no Centro de Estudos e Pesquisas em Relações Internacionais (CERI/FACAMP), dando continuidade aos estudos iniciados em sua monografia sobre Tianxia por meio de uma investigação acerca da cosmovisão chinesa e de suas contribuições para análises não eurocêntricas da atuação internacional da China. Também estuda língua chinesa (mandarim), buscando integrar o aprendizado do idioma à compreensão da filosofia, da cultura e do pensamento chinês.

Mediador:

A Cosmovisão Chinesa como Fundamento para Análises não Eurocêntricas da Atuação Internacional da China

A intensificação da presença da China no cenário internacional tem impulsionado um crescente interesse acadêmico por sua atuação política, econômica e diplomática. Apesar desse movimento, parcela significativa da produção sobre o país permanece fundamentada em categorias analíticas desenvolvidas no âmbito da tradição intelectual ocidental, frequentemente tratadas como universais. Essa tendência pode limitar a compreensão de conceitos, prioridades e formas de organização do pensamento chinês, dificultando interpretações mais consistentes acerca de sua atuação contemporânea. Nesse contexto, esta pesquisa parte da hipótese de que compreender a cosmovisão chinesa constitui uma etapa metodológica fundamental para análises menos eurocêntricas da China. Entendida como a estrutura de pensamento por meio da qual uma sociedade atribui sentido às relações entre ser humano, natureza, ordem política e mundo, a cosmovisão chinesa oferece referenciais próprios para compreender concepções de autoridade, harmonia, relacionalidade e transformação que continuam presentes na produção intelectual e política contemporânea. Assim, o objetivo da pesquisa é identificar os elementos que estruturam essa cosmovisão e discutir de que maneira eles contribuem para uma compreensão mais contextualizada da atuação internacional chinesa. Para isso, a pesquisa articula contribuições da filosofia chinesa, especialmente do confucionismo, do taoismo e do budismo, compreendendo essas tradições não como objetos isolados de análise, mas como componentes de uma mesma matriz de pensamento que historicamente conformou diferentes formas de perceber a realidade. A investigação caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica, fundamentada na análise integrada de obras clássicas e contemporâneas sobre filosofia chinesa, pensamento político e estudos da China. Em vez de privilegiar interpretações fragmentadas ou a centralidade de um único autor, busca-se construir uma leitura articulada das diferentes contribuições, evidenciando seus pontos de convergência na constituição da cosmovisão chinesa. Ao propor a cosmovisão como categoria analítica e ponto de partida para compreender a China contemporânea, esta pesquisa pretende contribuir para o fortalecimento dos estudos sobre a China no Brasil, incentivando abordagens capazes de dialogar com categorias produzidas pela própria tradição intelectual chinesa. Dessa forma, busca ampliar as possibilidades de interpretação da atuação internacional do país, oferecendo subsídios para análises mais contextualizadas e menos condicionadas por referenciais exclusivamente eurocêntricos.

GT 7: Graduação - Presencial

Guilherme Matos Schneider

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Estudante de Relações Internacionais da UFABC, participa do Grupo de Estudos e Difusão Cultural da China (GEDCC) da UFABC e do GT Brasil-China no Observatório de Política Externa e da Inserção Internacional do Brasil (OPEB). Pesquisa China nas RIs, Ásia e Cultura nas RIs.

Mediador:

A memória de guerra no passado sino-japonês: Uma análise do audiovisual como expressão de cicatrizes persistentes

Esta pesquisa propõe uma análise qualitativa dos filmes City of Life and Death (2009), Nanjing: Luz na Escuridão (2025) e Túmulo dos Vagalumes (1988). As obras, que estão conectadas com a temática das Guerras Sino-Japonesas de diferentes formas, possibilitam um estudo que visa compreender de que modo produções audiovisuais atuam na construção de uma memória coletiva sobre a guerra, e quais impactos essa memória da relação colonial e imperialista de Japão e China têm sobre as suas relações na atualidade. A partir de conceitos de memória coletiva e memória cultural, a pesquisa visa ser fundamentada em autores como Maurice Halbwachs (1997) e Aleida Assmann (2011), que serão utilizados para compreender como a memória atua no processo de construção de diferentes perspectivas das Guerras Sino-Japonesas no cinema, incluindo a permanência das cicatrizes da relação colonial e imperialista entre China e Japão dentro das representações audiovisuais. City of Life and Death e Nanjing: Luz na Escuridão serão utilizadas para compreensão de um estudo sobre a visão chinesa da guerra e em relação ao Japão, em que o primeiro elabora um retrato majoritariamente documental e direto desse olhar chinês, enquanto o segundo segue o mesmo paradigma, focando em uma crítica ao Japão por meio do uso da fotografia que atua como memória coletiva da sociedade chinesa. Túmulo dos Vagalumes será utilizada para analisar o olhar japonês sobre o passado de sua relação com a China no contexto de guerras. A obra servirá como unidade de análise ao retratar a intenção japonesa com filmes de guerra que apagam o passado imperialista e enfatizam o sofrimento do japonês civil, que é atingido pela guerra. Busca-se interpretar a complexidade das relações entre China e Japão de forma crítica, esquivando-se de interpretações simplistas que impõem sobre a China uma “narrativa de vitimização” (Gries, 2005) enquanto criam um retrato de “demônio japonês” (Tsu, 2013). Uma análise crítica sobre as relações sino-japonesas do século XX não busca apagar os crimes de guerra cometidos ou a experiência sofrida por civis de ambas as nacionalidades, mas investigar como tais perspectivas foram socialmente construídas e mantidas no imaginário cultural da população. Por meio dessa análise, pretende-se compreender de que forma o audiovisual sino-japonês define, enfatiza e silencia diferentes aspectos do seu passado, e de que modo essas escolhas refletem no desenvolvimento do imaginário nacional de cada país. Com isso, a pesquisa pretende estudar criticamente, por meio dos filmes selecionados, como o audiovisual se transforma em espaço de construção de memória e impulsionador das tensões históricas entre China e Japão.

GT 7: Graduação - Presencial

Leonardo Daiki Mitiashi

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Graduando de Economia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e bolsista BAS da CASS-Unicamp Centro de Estudos sobre a China desde 2024.

Mediador:

A construção da relação econômica Brasil–China na grande imprensa brasileira (2022–2024): enquadramentos jornalísticos e implicações para o debate público

Nas duas últimas décadas, a relação econômica entre Brasil e China consolidou-se como um dos principais eixos da inserção internacional da economia brasileira. Desde 2009, quando a China se tornou o maior parceiro comercial do Brasil, a intensificação desse vínculo passou a influenciar diversos setores, como indústria, varejo, agronegócio, energia e infraestrutura. Entretanto, a compreensão dessa relação pela sociedade não se dá apenas por meio de indicadores econômicos e dados oficiais, mas também pela forma como ela é apresentada pelos meios de comunicação. Nesse contexto, a grande imprensa exerce papel fundamental ao selecionar acontecimentos, definir quais temas recebem maior destaque e construir narrativas sobre a relação econômica bilateral. Esta pesquisa tem como objetivo analisar como a relação econômica Brasil–China foi retratada pela grande imprensa brasileira entre 2022 e 2024, por meio de uma análise de conteúdo das notícias publicadas pela Folha de S.Paulo, O Globo e O Estado de S. Paulo. Busca-se identificar os principais temas abordados, os enquadramentos predominantes e o tom das notícias, investigando de que maneira a China é apresentada, seja como parceira estratégica e oportunidade de desenvolvimento, seja como fonte de riscos, concorrência econômica ou dependência. A relevância da pesquisa reside no fato de que a cobertura jornalística não apenas informa sobre acontecimentos econômicos, mas também contribui para moldar a percepção social acerca da relação bilateral. Dessa forma, pretende-se investigar em que medida as narrativas construídas pelos jornais correspondem às características da relação econômica entre Brasil e China e como essas representações podem influenciar o debate público. Tais discursos são apropriados por leitores, formadores de opinião e atores políticos, podendo repercutir na formulação de políticas públicas e na dinâmica do debate democrático. Da mesma forma, empresários e investidores também podem utilizar a cobertura midiática como referência para avaliar riscos, oportunidades e expectativas em seus processos de tomada de decisão. Assim, ao investigar a construção jornalística da relação econômica Brasil–China, esta pesquisa pretende contribuir para a compreensão do papel desempenhado pela mídia na formação das percepções sobre um dos mais importantes vínculos econômicos do Brasil na atualidade, bem como de seus possíveis impactos sobre o debate político e econômico nacional.

GT 7: Graduação - Presencial

Nanda Carolina Castro da Silveira

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Nanda Carolina Castro da Silveira é estudante de graduação na UFRGS, pesquisa assuntos relacionados à China desde 2024. Já participou de pesquisas, dentro do campo da ciências política, sobre participação da sociedade civil, acesso à políticas públicas e processos de escuta na produção de políticas públicas. Atualmente, une todos os temas de interesse e busca compreender a relação entre protestos e escuta Estatal nas dinâmicas de governo da China.

Mediador:

TENSIONAMENTOS DO AUTORITARISMO RESPONSIVO: RESPOSTAS AOS PROTESTOS NA PROVÍNCIA DE YUNNAN NOS ANOS DE 2000-2010.

O presente projeto de pesquisa investiga de que forma o sistema de avaliação de quadros (cadre evaluation system) do Partido Comunista Chinês (PCC) medeia a relação entre protestos sociais e respostas estatais na província de Yunnan, entre os anos de 2000 e 2010. O objeto da pesquisa situa-se no debate emergente sobre o autoritarismo responsivo, categoria analítica desenvolvida por autores como Heurlin (2016), Truex (2016) e Chen, Pan e Xu (2016) para dar conta do paradoxo de um regime não democrático que, ainda assim, demonstra capacidade de ajuste e resposta às demandas da sociedade civil. Parte-se da constatação de que os conceitos clássicos de democracia e de autoritarismo, formulados a partir da experiência ocidental, produzem um déficit explicativo quando aplicados ao caso chinês contemporâneo, tornando necessária uma capacitação teórica capaz de analisar um Estado que não pode ser definido nem como simplesmente democrático, nem como simplesmente autoritário. O objetivo geral é analisar se e de que modo o sistema de avaliação de quadros estrutura os incentivos políticos dos secretários provinciais de Yunnan, operando como mecanismo de mediação entre a mobilização social e a produção de respostas estatais. Os objetivos específicos incluem: sistematizar, a partir de documentos oficiais do governo provincial, as metas atribuídas aos secretários entre 2000 e 2010; examinar se o ranqueamento competitivo interestadual de petições 信访 (xinfang) funcionou como pressão descendente capaz de induzir respostas mesmo em episódios de baixa mobilização; e analisar a distinção, proposta como ponto de originalidade da pesquisa, entre responsividade substantiva, que altera as condições materiais dos demandantes, e responsividade instrumental, de caráter simbólico ou paliativo, voltada primordialmente à redução estatística de petições. A metodologia adota um desenho qualitativo de estudo de caso único, combinado ao método de process tracing, para rastrear os mecanismos causais que ligam mobilização social, incentivos de carreira e produção de políticas públicas. Os dados serão coletados em duas frentes: bases de eventos de protesto (China Strikes, China Labour Bulletin e levantamentos acadêmicos), complementadas por dados agregados de petições; e documentos normativos e políticas públicas do governo de Yunnan (Diário Oficial provincial, planos quinquenais, relatórios de trabalho e anúncios da Xinhua e do Yunnan Daily). A escolha de Yunnan justifica-se por testar os limites explicativos de um modelo construído majoritariamente a partir de casos do litoral chinês, em um contexto periférico, de capacidade fiscal moderada e maior diversidade étnica. A investigação insere-se no campo, ainda em consolidação, dos estudos sobre a China no Brasil. Em um momento de aprofundamento das relações sino-brasileiras e de disputa hegemônica global, a produção brasileira sobre a política doméstica chinesa permanece escassa e frequentemente dependente de leituras mediadas por categorias ocidentais. Ao analisar empiricamente os mecanismos internos de responsividade do Estado chinês a partir da sociologia, a pesquisa contribui para descentralizar esse debate e ampliar, no país, uma agenda de estudos que compreenda a China por seus próprios fenômenos, e não apenas pelos conceitos que lhe são externos.

GT 7: Graduação - Presencial

Jonas Battiston Barbosa

Vladimir Aras

Jonas Battiston Barbosa é graduado em Relações Internacionais pela Universidade de Brasília (UnB) e cursa Direito na mesma instituição. Fez parte do grupo de pesquisa financiado pelo INEU/CNPQ "As relações entre Estados Unidos e América Latina no contexto de acirramento da competição com a China (2017-2026)", com o trabalho "A Corrida Verde: Análise das Estratégias de Brasil e Argentina em Meio à Disputa EUA-China pelo Mercado de Tecnologia Sustentável na América Latina" que foi apresentado no 30º Congresso de Iniciação Científica da UnB e no DPLST-LAC-ABRI São Paulo 2025.

Vladimir Aras é doutor em Direito pelo Centro Universitário de Brasília, mestre em Direito Público pela Universidade Federal de Pernambuco, especialista (MBA) em Gestão Pública pela Fundação Getúlio Vargas, pós-doutorando em Direito e Novas Tecnologias pela Università Mediterranea, professor adjunto da Universidade de Brasília (UnB), membro do Ministério Público brasileiro desde 1993, atualmente no cargo de Procurador Regional da República em Brasília (MPF).

Mediador:

Rule of Law com Características Chinesas: Constitucionalismo Comparado entre China e Brasil

O presente trabalho analisa o constitucionalismo chinês em perspectiva comparada, tomando como eixo central o enquadramento metodológico de Ran Hirschl e o contraste com o constitucionalismo brasileiro. O objeto da pesquisa é o modelo de constitucionalismo de Estado-Partido consolidado na Constituição chinesa de 1982, no qual o controle constitucional não decorre da captura de instituições judiciais autônomas, como ocorreu em Hungria e Turquia, mas nasce, desde a origem, subordinado à autoridade do Partido Comunista Chinês. O objetivo geral é compreender o que essa diferença revela para a teoria do direito constitucional comparado, especialmente quando o constitucionalismo é concebido, desde sua fundação, como parte de um projeto autoritário, e não como ruptura democrática contra ele. Metodologicamente, o trabalho parte da tríade proposta por Hirschl, necessidade, curiosidade e política, para justificar a escolha do caso chinês como deslocamento do eixo eurocêntrico que tradicionalmente orienta o constitucionalismo comparado. A pesquisa é de natureza teórico-bibliográfica, apoiada em literatura sobre constitucionalismo não liberal, autoritarismo legal e teoria constitucional comparada, articulando os conceitos de constitucionalismo de Estado-Partido, constitucionalismo disciplinar e performativo, e a inversão da judicialização da megapolítica. O recorte da pesquisa concentra-se na trajetória institucional chinesa pós-1982, com destaque para o papel do Comitê Permanente da Assembleia Nacional Popular no sistema de filing and review, e para a plataforma China Judgments Online como mecanismo de centralização do Partido sobre os juízes. A esse quadro soma-se a comparação assimétrica com o Brasil: enquanto o modelo chinês demonstra como o constitucionalismo pode subsistir sem liberalismo, o caso brasileiro, a partir da Constituição de 1988, evidencia como ele pode subsistir apesar do liberalismo, em meio à judicialização exercida pelo Supremo Tribunal Federal. Em ambos os casos, o direito constitucional deixa de operar como limite ao poder e passa a funcionar como linguagem de legitimação, por vias distintas: vertical e disciplinar na China, horizontal e judicial no Brasil. A pesquisa insere-se nos estudos sobre a China no Brasil ao propor uma leitura jurídico-comparada que rompe com abordagens exclusivamente políticas ou econômicas do fenômeno chinês, trazendo o direito constitucional como categoria analítica central para compreender a legitimação do poder no Estado-Partido. Ao situar a China ao lado de casos como Hungria e Turquia, e em diálogo direto com o Brasil, o trabalho contribui para ampliar o repertório empírico do constitucionalismo comparado no debate acadêmico brasileiro, evidenciando a relevância de estudar sistemas jurídicos não liberais para a compreensão das trajetórias contemporâneas de legitimação constitucional.

GT 7: Graduação - Presencial

João Vítor Tonin Beretta

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João Vítor Tonin Beretta é graduando em Filosofia no IFCH/Unicamp, com Iniciação Científica sobre confucionismo e filosofia da cultura, orientada pelo Prof. Dr. Rafael Rodrigues Garcia e coorientada pelo Prof. Dr. Antonio Florentino Neto. Trabalha com filosofia chinesa clássica e neoconfuciana — sobretudo Zhu Xi e os Quatro Livros —, com a filosofia do simbólico de Ernst Cassirer e com a obra de Shuchen Xiang. É também tradutor, com traduções de Shuchen Xiang e Laurence Berger para o português.

Mediador:

O rito como mediação ritual-simbólica: Analectos 12.1, Zhu Xi e a filosofia da cultura de Ernst Cassirer

Esta pesquisa investiga o papel do rito, ou conduta ritual (li 禮), na formação ética da humanidade (ren 仁) e sua extensão ao horizonte do mundo comum (tianxia 天下). O ponto de partida é Analectos 12.1, em que Confúcio define a vida ética como retorno ao rito: 克己復禮為仁. A hipótese é que o rito opera, na tradição confuciana, como mediação ritual-simbólica — forma pela qual a constituição relacional da pessoa ganha figura praticável, reconhecível e transmissível na vida comum. O corpus reúne os Analectos na edição de Yang Bojun, cotejada com as traduções de Slingerland e de Ames-Rosemont, e o comentário de Zhu Xi à mesma passagem em sua compilação aos Quatro Livros, na qual a relação entre rito e formação pessoal é reconfigurada pelo vocabulário do princípio (li 理) — termo homófono e conceitualmente distinto, cuja diferença o trabalho preserva sistematicamente. A mediação filosófica vem de Shuchen Xiang (A Philosophical Defense of Culture, 2021), que reconstrói o diálogo entre confucionismo e Cassirer a partir de pressupostos confucianos, invertendo a aplicação retroativa de categorias europeias a material chinês. De Cassirer mobilizam-se a função expressiva da consciência (Ausdrucksfunktion) e a noção tardia de cultura como sistema de ações, empregadas como instrumentos descritivos para articular o gesto ritual enquanto constituição — e não representação — de uma relação ética. Zhao Tingyang entra como referência contemporânea do mundo comum. O método é filosófico-textual e comparativo controlado, em três operações: leitura das fontes chinesas a partir do original, com segmentação lexical e traduções provisórias; reconstrução conceitual da tríade humanidade–rito–mundo comum como dinâmica interna da tradição; e comparação subordinada à reconstrução textual, regida por três critérios negativos (recusa de aproximações fundadas em semelhança lexical, que apaguem a historicidade do corpus chinês ou que convertam Cassirer em fundamento daquilo que o texto chinês já articula). O recorte é deliberadamente estreito: uma passagem e seu comentário canônico, examinados conceitualmente, e não um inventário de noções clássicas. No campo brasileiro de estudos sobre a China, a pesquisa responde a uma lacuna específica: o diálogo entre sinologia filosófica e filosofia da cultura permanece pouco desenvolvido no país, e a recepção de Shuchen Xiang é incipiente — situação para cuja mudança este trabalho contribui, inclusive pela tradução brasileira de “Liberdade e Cultura”, no prelo em Modernos e Contemporâneos. Trata-se de ler o pensamento chinês como filosofia, e não como ilustração cultural.

GT 8: Graduação - Online

Helena Magnabosco Camillo

Luiza dos Santos Manfio; Maria Alice Torres

Helena Magnabosco Camillo é graduanda em Relações Internacionais (FCE/UFRGS). Participa do Projeto de Extensão da Oficina de Estudos Estratégicos (OEE/UFRGS) e é Pesquisadora Associada do Instituto Sul-Americano de Política e Estratégia.
lattes.cnpq.br/6952405952171352
Luiza dos Santos Manfio é graduanda em Relações Internacionais (FCE/UFRGS). lattes.cnpq.br/2875751919040969.
Maria Alice Torres é graduanda em Relações Internacionais (FCE/UFRGS).

Mediador:

Policy Brief: Relações Brasil-China na nova configuração internacional

A China consolidou-se, no século XXI, como uma potência de alcance global, e o Brasil ocupa posição central nessa estratégia de expansão: desde 2009, o país asiático é o principal parceiro comercial brasileiro, superando Estados Unidos e Europa. A corrente de comércio bilateral atingiu o recorde de US$171 bilhões em 2025, com superávit brasileiro de US$29,1 bilhões, e o Brasil consolidou-se como o maior destino global de investimentos chineses no mesmo ano. Esse aprofundamento ocorre em um contexto internacional de reconfiguração de poder, marcado pela disputa comercial entre Estados Unidos e China, pela ascensão de mecanismos multilaterais como BRICS e G20, e pela busca brasileira por maior protagonismo no chamado "Sul Global". O presente policy brief analisa a questão central que orienta a política externa e econômica brasileira nessa relação: como o Brasil pode transformar uma parceria comercial historicamente assimétrica — pautada pela exportação de commodities (soja, minério de ferro e petróleo, que respondem por cerca de 74% das vendas ao mercado chinês) e pela importação de manufaturados de alto valor agregado (99,6% das compras brasileiras à China) — em uma relação que gere desenvolvimento tecnológico, industrial e qualificação de mão de obra para o país, sem comprometer os ganhos comerciais já consolidados. Essa questão é especialmente relevante porque a dependência estrutural brasileira em relação a commodities, somada à concorrência de manufaturados chineses sobre a indústria nacional, configura um padrão de "reprimarização" da pauta exportadora já identificado pela literatura econômica desde meados dos anos 2000. Ao mesmo tempo, o ingresso de investimentos produtivos chineses em setores estratégicos — como mineração de terras raras, energia limpa e veículos elétricos (caso emblemático da montadora BYD) — abre uma janela de oportunidade para o país negociar contrapartidas tecnológicas, em vez de repetir o histórico padrão de atração de capital estrangeiro sem transferência de conhecimento. Para a sociedade brasileira, o tema tem implicações diretas na geração de emprego qualificado, segurança alimentar e energética, desenvolvimento de cadeias produtivas estratégicas (como terras raras e transição energética) e fortalecimento da autonomia tecnológica nacional. Para a inserção internacional do Brasil, a forma como o país conduzirá essa parceria determinará sua capacidade de equilibrar pragmatismo econômico e autonomia estratégica, consolidando-se como ator relevante na governança global multipolar, sem aprofundar uma dependência que comprometa sua margem de manobra diplomática e produtiva no longo prazo.

GT 8: Graduação - Online

Amanda Bertolin

Bernardo Salgado

Amanda Bertolin é a autora principal; graduanda em Relações Internacionais na UFRJ e pesquisa China e Oriente Médio no campo geopolítico. Bernardo Salgado é co-autor do trabalho; professor adjunto do IRID da UFRJ, Doutor em Economia Política Internacional pela UFRJ e Pós Doutor em Segurança Internacional e Defesa pela ESG; e Ciências Militares e em Estudos de Linguagens pelo ECEME.

Mediador:

O fortalecimento da ascensão chinesa sob o prisma da relação sino-saudita.

Ao longo dos últimos anos, desde o final do século XX até os dias atuais, a China e a Arábia Saudita vêm intensificando seus laços com o objetivo de desatar as amarras que possuem com o mundo Ocidental e criar uma alternativa em forma de parceria diplomática e econômica. Como país que mais exporta petróleo globalmente, a Arábia Saudita busca inovar e diversificar sua economia através do projeto Vision 2030, com o objetivo de se tornar líder global. Por outro lado, a China é a maior importadora de petróleo do mundo nos últimos tempos e deseja internacionalizar sua moeda, expandindo o uso do Yuan em relações comerciais com demais países que possuem boas relações. O acordo principal da relação bilateral, no momento, é a criação e desenvolvimento de joint ventures no campo do petróleo, de forma a negociar o produto na moeda chinesa. Outro trato primordial para este vínculo é a Belt and Road Initiative (BRI), ou Nova Rota da Seda, que consiste em conectar transportes ferroviários, rodoviários e marítimos por todo o mundo com o objetivo de integrar o comércio atual. A partir desse cenário, o objetivo deste artigo é explorar a relação sino-saudita. A nossa hipótese é a de que a intensificação deste concerto fortalece a ascensão da China frente a ordem internacional atual, onde os Estados Unidos apresenta-se como hegemonia global, não de forma a superá-la a curto ou médio prazo, porém como alternativa que a enfraquece. Pretende-se analisar fontes primárias, como acordos e tratados entre Pequim e Riade, como supracitados, além de dados econômicos sobre a comercialização entre os países, principalmente do petróleo. Ademais, fontes secundárias, como notícias e artigos científicos sobre o assunto. Por fim, a investigação proposta neste artigo é de alta relevância para os estudos sobre a China no Brasil, pois trata como a ascensão da China transforma a ordem internacional. Além disso, traz destaque sobre a construção de alianças estratégicas com o Sul Global para o fortalecimento de sua posição global, considerando que o Oriente Médio é essencial para tal, principalmente por conta das reservas de petróleo na região.

GT 8: Graduação - Online

Samuel Henrique Silva de Mello

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Discente do curso de Direito da Universidade Federal do Pará (UFPA). Pesquisador com interesse nas áreas de Geopolítica, Direito Internacional, Infraestrutura e Inserção Econômica Chinesa na Amazônia.

Mediador:

Investimentos Chineses na Amazônia Internacional: Uma Análise Crítica sobre Concessões, Governança Socioambiental e a Expansão da Influência Geopolítica Chinesa na América do Sul

Este trabalho analisa a abrangência da influência geopolítica e a expansão econômica da China na Amazônia Internacional entre 2010 e 2024, período em que os investimentos chineses em concessões na região alcançaram R$ 132,2 bilhões (US$ 24 bilhões). O estudo investiga como a atuação estratégica do capital estatal e privado chinês consolidou a presença de Pequim no continente sul-americano, ocupando espaços vitais diante do reposicionamento e das lacunas deixadas pela política externa dos Estados Unidos. Esse movimento reflete a transição para uma ordem multipolar, na qual a China atua como vetor central de financiamento e desenvolvimento de infraestrutura global, resultado de uma política que visa a expansão de socialismo de mercado no sentido que possa propiciar o desenvolvimento de ambos os países envolvidos nos investimentos chineses. Contextualiza-se que o avanço dessa presença ganhou escala desde 2010, e o maior aporte financeiro da China ocorreu em 2014, quando acontece a grande crise econômica que abalou o Brasil e o Peru, no cenário pós-crise de commodities (2014-2016) e, fundamentalmente, após o colapso provocado pelos grandes esquemas de corrupção e propina desvelados em corporações como a Odebrecht. O desmantelamento e a paralisação das grandes empreiteiras brasileiras criaram um vácuo de capital e de execução de obras na América do Sul, permitindo que estatais chinesas assumissem diretamente concessões de grande porte nos setores de energia, transporte e mineração. Sob a perspectiva da governança socioambiental e da cooperação internacional, examina-se a dimensão pragmática dessa inserção e seus reflexos na dinâmica socioeconômica e na gestão territorial das comunidades amazônidas. O artigo aborda a projeção continental da iniciativa da Nova Rota da Seda (Belt and Road Initiative), destacando a posição estratégica do Brasil: embora o país não tenha aderido formalmente ao projeto, estabeleceu acordos bilaterais de expressiva sinergia comercial, logística e tecnológica. Entre os eixos estruturantes dessa relação, destacam-se a aquisição de blocos de exploração petrolífera pela estatal PetroChina na bacia da Foz do Amazonas na Margem Equatorial, o escoamento produtivo por meio do projeto da Ferrogrão e a garantia de suprimento de minerais críticos para a indústria de alta tecnologia, exemplificada pela atuação da CNMC (China Nonferrous Metal Mining Group) ao adquirir o controle total da Mineração Taboca e de suas reservas estratégicas de nióbio e tântalo, entre diversas outras empresas que estendem a influência chinesa na Amazônia Internacional. Conclui-se que a abrangência da atuação chinesa na Bacia Amazônica demonstra a capacidade do país de articular diplomacia, financiamento de longo prazo e segurança de recursos naturais, consolidando sua posição como ator incontornável na geopolítica sul-americana e na redefinição do equilíbrio de poder global, ocorrendo uma nova dinâmica de multilateralismo, que permite às nações desfrutar do aporte financeiro chinês, aumentando a influência chinesa na América do Sul, diminuindo a dependência estadunidense.

GT 8: Graduação - Online

Anaís Sofia Gusmão de Araújo

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Graduanda em História pelo Centro Universitário Internacional (UNINTER), com formação acadêmica iniciada na Universidade Federal do Pará (UFPA). Atuou como pesquisadora voluntária no Programa Institucional de Iniciação Científica (PIBIC/PIVIC-UFPA), integrando pesquisas sobre grandes projetos na Amazônia, história social, cultura e literatura amazônica. Participou de atividades de extensão universitária voltadas ao ensino de História e à democratização do acesso à educação. Seus interesses de pesquisa concentram-se em História Social, História da Amazônia, meio ambiente, grandes empreendimentos e seus impactos sociais, culturais e territoriais na região amazônica.

Mediador:

Tradição Chinesa no Mandopop: Um estudo da Era Lit, de Lay Zhang

Este estudo analisa o álbum Lit (2020), do artista chinês Lay Zhang, investigando como elementos da tradição chinesa são mobilizados em uma gramática pop transnacional. O Mandopop é compreendido não apenas como gênero musical, mas como um espaço dinâmico de construção de processos identitários e disputas simbólicas. O problema central da pesquisa busca compreender como repertórios visuais, sonoros e corporais associados à "chinesidade" são selecionados e performatizados para a circulação global. Metodologicamente, o trabalho adota uma abordagem qualitativa e interpretativa, fundamentada na história cultural, na antropologia da música e nos estudos de mídia. O corpus empírico foca no projeto artístico Lit, analisando de forma articulada letras, arranjos sonoros, videoclipes e performances corporais como textos culturais híbridos. A análise das narrativas líricas revela que a tradição na obra não é um bloco homogêneo, mas um conjunto de referências selecionadas para construir uma narrativa épica e autobiográfica. Símbolos como o lótus (pureza) e a jade (virtude moral), além da figura histórica de Xiang Yu, são reinterpretados para expressar valores contemporâneos de resiliência e autoafirmação. Adicionalmente, a canção “Changsha” ancora a identidade na experiência territorial e na memória afetiva do artista. No plano estético, a obra dialoga com o movimento Guofeng, reinterpretando a herança cultural chinesa por meio de linguagens modernas e tecnologias audiovisuais globais. A performance corporal exemplifica essa hibridização ao fundir artes marciais (Wushu) com estilos urbanos como o hip-hop e o krump. Os figurinos, que misturam trajes históricos (Hanfu) com o streetwear, reforçam essa lógica de tradução cultural. O estudo conclui que Lay Zhang atua como um mediador simbólico entre repertórios locais e o mercado global. A obra desafia visões simplistas de soft power, situando se em um espaço de ambiguidade onde estratégias de mercado e intenções artísticas se entrecruzam. Assim, a tradição é apresentada como um repertório vivo e negociado, revelando a complexidade da produção musical chinesa atual no cenário internacional.

GT 8: Graduação - Online

Ketelin da Silva Gomes

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Ketelin Gomes é estudante de Jornalismo e Produção Multimídia, com interesse em Estudos Culturais, Semiótica, Jornalismo Cultural, Diplomacia Cultural e Antropologia Cultural. Membro do GECHINA UnB, é Alumni do Aspire Leaders Program 2025 e Honorary Reporter da Coreia do Sul em 2023. Desenvolve pesquisas sobre comunicação, representações culturais e relações entre China e Brasil, além de atuar como pesquisadora voluntária de Iniciação Científica no Projeto Vozes Originárias (IFRS), investigando o audiovisual como ferramenta decolonial e recurso expressão dos povos originários, especialmente dos povos Kaingang do Rio Grande do Sul.

Mediador:

A China como o “Outro”: uma análise da construção de narrativas visuais como recurso político-ideológico na perspectiva da Indústria Cultural

Este estudo tem como foco analisar a construção de narrativas acerca da representação e identidade chinesa para uso político-ideológico. A pesquisa busca compreender como o “Perigo Amarelo” foi utilizado como produto orientalista no discurso hegemônico para retratar a China como o “Outro”. O contexto histórico deste estudo abrange três recortes: seu início no imperialismo europeu, seu desenvolvimento como produto na Indústria Cultural e a disputa ideológica contemporânea no campo da comunicação internacional. O objetivo desta análise busca compreender, com base nos estudos culturais e semióticos, de que forma este sistema de produção da mídia de massa interfere no comportamento e visão da imagem estereotipada da China no ocidente. As metodologias utilizadas nesta pesquisa possuem natureza qualitativa de abordagem transmetodológica, fundamentada na perspectiva epistemológica de Bonin e Maldonado. Para a compreensão acerca do objeto, a pesquisa articula uma análise teórica e documental por meio de revistas, jornais, documentos históricos, materiais audiovisuais, mídias digitais e arquivos. A fundamentação teórica parte dos Estudos Culturais de Stuart Hall para compreender a representação cultural do “outro”, em diálogo com a exotização das identidades de acordo com Edward W, Said. Através da narrativa temporal Paul Ricoeur compreendemos a construção do discurso e a simplificação de seus símbolos identitários na perspectiva de Peirce. Com base na teoria da Indústria Cultural de Theodor W. Adorno, em acordo com Gina Marchetti, observamos o uso das mídias de massa como reinterpretação da realidade. A investigação identificou não somente a simplificação e esvaziamento da identidade chinesa associados a disputas políticos-ideológicas, mas também a apropriação de suas características como alegoria para expressar sexualidade sem comprometer os códigos morais hegemônicos euro-estadunidenses. Nesse contexto, a China é representada como um contraponto ao projeto de hegemonia ocidental e como construção discursiva de definições de civilidade no ocidente.

GT 8: Graduação - Online

Thiago Orzari Padovezi

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Sou aluno de graduação de Economia na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Desenvolvo temas voltados a China e sua relação com o Brasil, sendo que foi realizado uma IC sobre a Belt and Road Iniciative entre 2024-2025 e posteriormente outra sobre o BRICS na academia brasileira entre 2025-2026, sendo a primeira orientada pelo Prof. Célio Hiratuka e a segunda pelo Prof. Thomas Dwyer.

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BRICS na Academia: Um Estudo sobre suas Abordagens nos Programas de Pós-Graduação Brasileiros

Esta iniciação científica teve como objeto de pesquisa as teses e dissertações realizadas na academia brasileira sobre o bloco de cooperação internacional BRICS. Os objetivos principais do trabalho foram mapear, analisar e comparar pesquisas relacionadas ao bloco internacional, com intuito de entender os direcionamentos, teorias e efeitos do bloco no pensamento teórico brasileiro. A metodologia utilizada foi a Meta Análise de Conteúdo, uma metodologia qualitativa bibliográfica, utilizando as teses e dissertações disponíveis no banco de dados público de teses e dissertações da CAPES. Esta iniciação científica é relevante nos estudos de China no Brasil pelo seu papel central dentro do bloco BRICS, com muitas pessoas apontando que o bloco pode ser uma maneira de externalização da influência chinesa para os outros países. Por conseguinte, o mapeamento e analise das teses e dissertações relacionadas ao BRICS é extremamente relevante para entendimento do pensamento da academia brasileira para o direcionamento econômico e político da China e os efeitos no Brasil. Ademais, um mapeamento das teses relacionadas ao BRICS pode ser importante para o repositório teórico dos estudos do país asiático.

GT 1: humanidades e comunicação - Híbrido

Vitor Campos Moura Neves e Siqueira

Leonardo Alves

Vitor Campos: Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais. Licenciado em Letras – Português/Inglês pela Faculdade Unifahe. Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre em Ensino de Mandarim para Falantes de Outras Línguas pela Huazhong University of Science and Tecnology.
Leonardo Alves: Bacharel em Relações Internacionais pela Universidade de Santa Cruz do Sul. Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina. Pesquisador associado ao Instituto de Investigação e Desenvolvimento em Política Linguística. Membro do Grupo de Trabalho Geopolíticas do Multilinguismo, da Cátedra UNESCO em Políticas Linguísticas para o Multilinguismo; e do Grupo de Pesquisa em Políticas Linguísticas Críticas e Direitos Linguísticos. Integrante do Núcleo de Estudos Asiáticos (NEAsia/UFSC).

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A estratégia de substituição de caracteres na Tabela Geral de Caracteres Simplificados e o seu impacto no ensino de mandarim para estrangeiros

O processo de simplificação dos caracteres chineses seja de forma natural e orgânica, seja na forma de política de implementação governamental, não é algo novo e podemos traçar suas origens desde a antiguidade. O processo de simplificação que ocorreu na década de cinquenta e se estabilizou na década de oitenta possui características inovadoras e peculiares em relação aos demais processos de simplificação ocorridos anteriormente. Consolidada através da Tabela Geral de Caracteres Simplificados, 《简化字总表》, de 1986, esta política simplificou formalmente 2234 caracteres dos aproximadamente 6000 a 7000 caracteres de uso corrente, alterando o sistema de caracteres que existia desde as dinastias Qin-Han (221 a.C. – 220 d.C.). Na Tabela Geral, Yap (2013) identifica oito estratégias empregadas na reforma dos 482 caracteres da primeira e segunda listas, sendo a principal delas a redução de 14 radicais, que por analogia simplificou todos os caracteres que os continham, compondo a terceira lista da tabela. Dentre essas estratégias, uma que chama atenção devido ao seu impacto é a estratégia de substituição, 替代. Embora ela tenha tido sucesso em simplificar parte dos caracteres, também aumentou a carga semântica e a complexidade de leitura, trazendo impactos significativos para o ensino e aprendizagem dos caracteres chineses, principalmente no ensino de mandarim como língua estrangeira. Com base em Zhou (2003), descrevemos brevemente a história do processo de simplificação dos caracteres; com base em Yap (2013), apresentamos as diferentes estratégias de simplificação utilizadas na Tabela Geral de Caracteres Simplificados de 1986 e, por fim, apontamos os principais impactos que a estratégia de substituição adotada traz para o ensino e aprendizagem de caracteres por parte de alunos estrangeiros. A enumeração das vantagens e desvantagens da estratégia de substituição visa contribuir para a busca de soluções de alguns dos problemas acarretados na aprendizagem, absorção e memorização dos caracteres.

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